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quarta-feira, 26 de março de 2014

Bispos e Belles

O Papa aceitou esta quarta-feira a resignação do bispo despesista (e clone de Herr Flick, ver foto), que gastou 31 milhões de euros a renovar a sua residência episcopal.

No mesmo dia o Papa disse que quer bispos que rezem e que se confessem


Esperava-se que começasse hoje o julgamento da paquistanesa Asia Bibi, condenada à morte por blasfémia e na prisão há quatro anos. Segundo o seu advogado, ela “reza e espera”, mas está bem de saúde.

Atenção a todos que amanhã Obama visita o Papa. Terão certamente muito que conversar, mesmo que a maior parte nunca se torne público. Estejam atentos que a Renascença tem reportagens preparadas para o assunto.

Recentemente rebentou uma polémica nos EUA com uma jovem universitária a confessar que faz filmes pornográficos para pagar as propinas. “Belle Knox” é o tema do artigo desta semana do The Catholic Thing, a não perder.

Adenda do dia seguinte
Depois de publicar este post recebi dois comentários (que podem ler abaixo), a lamentar o facto de eu estar a comparar o bispo Franz-Peter Tebartz-Van Elst ao Herr Flick... escusado será dizer que não estou a insinuar qualquer semelhança moral entre um bispo e a Gestapo. É mesmo só a parecença física... digam lá que não é igual?!

Quanto ao Bispo, o post não era de análise, mas já agora aproveito para dizer que acredito na redenção de qualquer homem. Penso que ele errou, e muito (não é só a questão dos gastos, há mais detalhes, incluindo perjúrio no tribunal e desvio de dinheiro de um fundo de assistência a famílias numerosas para a tal residência episcopal), acredito que se foi enfiando num buraco do qual dificilmente conseguiu sair até que o escândalo público o acordou para a realidade.

Mas acredito, sobretudo, que é perfeitamente capaz de se arrepender, virar uma nova página e levar o resto da sua vida como um bom pastor e um bom cristão e é isso que espero que aconteça.

Agora, a fotografia? Por amor de Deus, é só uma brincadeira.

A Bela e o Monstro

Pe. Dwight Longenecker
A Bela e o Monstro conta a história de uma donzela bonita que encanta um tipo terrível mas transforma-o no nobre príncipe que estava destinado a ser desde sempre. A beleza conquista a besta. A Bela vence o Monstro.

Tudo isto levou uma volta quando, há semanas, uma caloira de Duke University chamada Miriam Weeks revelou ser “Belle Knox”, uma estrela da indústria pornográfica. Esta versão do conto de fadas acaba de maneira diferente. A bela universitária torna-se a besta. Não deixa de ser bonita, claro, mas admitiu que estava a produzir filmes pornográficos para pagar as propinas.

O mais peculiar desta história não é o facto de se estar a prostituir, como mulheres desesperadas ou sem escrúpulos têm feito desde tempos imemoriais, razão pela qual nos referimos à prática como o trabalho mais antigo do mundo. O peculiar não é a sua profissão, mas a confissão.

Belle Knox apareceu no programa de Piers Morgan para se defender. A aluna de Estudos Femininos sublinhou que ela é que tinha escolhido ser actriz pornográfica. Negou que estava a ser explorada. Toda a gente que tinha conhecido na indústria, garante, é simpática, amigável e profissional. Mais, no futuro espera vir a começar uma organização para ajudar trabalhadoras do sexo abusadas.

A sua confissão revelou a moralidade não só de Belle Knox mas da maior parte do país. A maioria dos americanos não pode, na verdade, argumentar contra a terrível escolha da Belle.

Já acreditam que o sexo é para a recreação e não para a procriação. Aceitam que é perfeitamente natural uma mulher jovem e saudável dormir com tantos homens quantos queira, e que a universidade é a altura certa para engates descomprometidos. Quem se recusar a aceitar a promiscuidade é considerado antiquado.

A assunção comum é de que toda a gente pode ter relações sexuais com quem quiser, desde que seja consensual. O sexo é como o ténis, é divertido se for com um bom parceiro.

Seguindo essa lógica, se a Belle decidir ser paga pelo seu hobby, qual é o problema? Para o americano típico, porque é que a sua decisão de receber dinheiro difere da escolha de um jogador de basquete universitário de enveredar pelo profissionalismo?

Alguns dir-se-ão “ofendidos”, mas estão mesmo? Não. É só o factor nojo. É uma questão de snobismo e não de moral. Pensam que os actores pornográficos são gente rasca do lado errado de Los Angeles. Quando uma rapariga bonita, de classe média, se volta para a pornografia ficam chocados, não por causa da moral, mas porque consideram ser de mau gosto. Por outras palavras, não faz mal ela dormir com quem lhe apetecer, mas é feio fazê-lo com a câmara ligada e com o agente a contar os lucros.

A verdade inconveniente é que a esmagadora maioria dos americanos não tem qualquer razão inteligente e inteligível para não apoiar o “vale tudo” sexual. Pior, a maioria dos cristãos não tem qualquer razão válida para encorajar a castidade.

Durante gerações a única arma que os cristãos tinham contra a imoralidade sexual eram proibições baseadas na Bíblia e no medo. O sermão era algo como: “A Bíblia diz que não devias fornicar! Se o fizeres a rapariga vai-se meter em sarilhos. As boas meninas não fazem isso. Podes engravidar! Vais apanhar uma doença terrível e enlouquecer. Não faças isso.”

Miriam Weeks - "Belle Knox"
Com a melhoria dos cuidados de saúde e a invenção e aceitação de contracepção artificial os jovens passaram a ter respostas.

“Vais engravidar…”

“Ela toma a pílula”.

“Vais apanhar uma doença!”

“Penicilina.”

“A Bíblia diz que não se deve fornicar!”

“Isso era antes. Isto é agora”.

Os cristãos não podem fazer nada se não queixar-se e lamentar-se. Ninguém acredita neles. A Caixa de Pandora foi aberta e os males que saíram são demasiado apetitosos para serem presos de novo.

Os únicos cristãos que sugerem uma resposta coerente e consistente são os católicos, e o nosso argumento é simples e profundo.

A razão pela qual a Belle não se pode comportar como um monstro é porque ela não é um monstro. É filha de Deus. O seu sistema reprodutivo é desenhado para dar a vida, e não apenas prazer. A sua escolha de viver só para o prazer e não para a vida significa uma negação da vida, e quando se nega a vida, escolhe-se o seu contrário.

A teologia do corpo de João Paulo II ensina que cada alma humana está ligada a um corpo físico e que os nossos corpos são o meio através do qual experimentamos o eterno. O metafísico vive no físico e através do físico. Os nossos corpos são transceptores do transcendental.

Dito de forma simples, uma vez que os nossos corpos e as nossas almas estão interligados, o que fazemos com o nosso corpo afecta o estado da nossa alma. Só uma religião baseada nos sacramentos pode transmitir esta verdade. O protestantismo não serve.

Por isso é preciso fazer escolhas. O nosso destino como seres humanos é participar na beleza eterna. Cada escolha física pelo verdadeiramente belo conduz à Beleza final. Segue que, se escolhermos portar-nos como bestas com os nossos corpos, poderemos encontrar-nos, algum dia, no festim da Besta.


O livro mais recente do padre Dwight Longenecker’s é The Romance of Religion – Fighting for Goodness, Truth and Beauty. Visitem o seu blogue, folheiem os seus livros e contactem-no em dwightlongenecker.com

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 20 de Março de 2014 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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