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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Dérbis há muitos, nenhum é como este

A Renascença estreia hoje uma nova grelha e foi para mim uma grande honra ser o autor da primeira grande reportagem a passar no dia da inauguração. Numa semana em que tanto se fala de dérbi, convido-vos a conhecer o dérbi mais improvável do mundo. Opõe cristãos de tradição siríaca/assíria, oriundos do Médio Oriente, mas que vivem na Suécia… Só visto, e lido. Espero que gostem, pois deu-me imenso prazer fazer.

Por falar em Médio Oriente, o Papa Francisco encontra-se em Abu Dhabi. Ainda agora acabou de falar num encontro inter-religioso, em que disse que ou se constrói o futuro em conjunto,ou não haverá futuro de todo. Ontem, antes de partir, rezou de forma especial pela paz no Iémen, um conflito esquecido por muitos, em que quem mais sofre continuam a ser as crianças.

Na Holanda chegou finalmente ao fim a maratona religiosa em defesa da família Tamrazyan. Batei e abrir-se-vos-á… Os cristãos holandeses bem bateram, e a família viu abrir-se a porta.

Nota ainda para o facto de o Papa ter enviado flores às religiosas do Vaticano e para a descoberta de uma capela quinhentista em Cabo Verde.

Em anexo mando o convite para a Caminhada de Namorados e Casais Novos promovida pela Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa e deixo-vos com o convite para ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing sobre a importância do latim para a civilização ocidental.



quinta-feira, 29 de junho de 2017

Pell acusado, Mossul quase libertada

Miliciana cristã acende uma vela numa igreja perto de Mossul

Publicámos esta quinta-feira o terceiro artigo da série “E depois de Mossul”, no dia em que o exército iraquiano conquistou a famosa mesquita onde foi proclamado o califado. Hoje olhamos para os cristãos da região e como encaram o futuro e a eventualidade de curdos e árabes combaterem por domínio das suas terras ancestrais….

Ora os cristãos no Iraque devem muito, mas mesmo muito, a organizações como a fundação Ajuda à Igreja que Sofre. E por isso é bom saber que não só em Portugal como em todo o mundo houve em 2016 mais pessoas do que nunca a ajudar financeiramente a organização.

Entre Mossul, perseguições, atentados e outros males como os abusos sexuais é natural que muitas pessoas tenham medo de sair de casa. No artigo desta semana do The Catholic Thing, porém, Ines Murzaku explica porque é que o temor a Deus pode dominar e disciplinar todos esses outros medos. Leiam e partilhem!

terça-feira, 21 de junho de 2016

A incrível vida de Walter Fritz

O papiro da discórdia
Começo com uma notícia absolutamente surreal. Lembram-se da polémica do alegado “Evangelho da mulher de Jesus”, que rebentou em 2012? Pois um jornalista curioso chegou ao fundo da questão e os pormenores não dão para acreditar!

Menos surreal, mas trágico, a tentativa de assassinato do patriarca da Igreja Siríaca, na Síria. Mor Inácio Aphrem II escapou incólume, mas três milicianos cristãos que protegiam a celebração deram a vida para o proteger.


Já aqui tinha falado disto e fica novamente o desafio, esta terça-feira há concerto da minha prima Ana Stilwell, cujas receitas de bilheteira revertem 100% para os refugiados. Não deixem de ir, é por uma excelente causa. Todas as informações nesta reportagem.

Na passada sexta-feira Marcelo Rebelo de Sousa recebeu os representantes da Imprensa Cristã, entre outros, que foram pedir ajuda num diferendo que têm com a ERC, que decidiu reclassificar várias publicações, aparentemente de forma ilegal, deixando-as em apuros financeiros.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Yezidis & Cristãos

David Warren
Não sou perito em relação aos yezidis de (ou anteriormente de) Mossul e arredores. Também não sou perito em cristãos assírios que lá vivem; nem, verdade seja dita, em cristãos de parte alguma. Os judeus também me ultrapassam, não obstante os meus esforços na cadeira de religiões comparadas. A minha incompreensão estende-se a outras religiões, nacionalidades e tribos. Todas são uma névoa para mim. E ainda há dias em que não me compreendo a mim mesmo.

Como por exemplo as minhas sinceras – pelo menos assim o espero – convicções cristãs. De uma perspectiva de custo benefício, não se saem nada bem. Do ponto de vista de um economista profissional, que parte do princípio que o ser humano apenas procura o seu interesse económico, tornar-me católico foi a coisa mais parva que alguma vez fiz.

Mas olhando para o Iraque, parece-me que os yezidis poderão ser mais parvos ainda. Ou os cristãos assírios, já agora. Toda a gente os quer matar. Porque não alinham com quem os persegue?

Falo neles porque eles são, para nós, “estranhos”. Quando viajei pelo Iraque, há não muito tempo, depois do golpe de Estado do partido Ba’ath, mas antes de Saddam Hussein, fiquei fascinado com eles. Saddam ofereceu-lhes um certo grau de protecção, mas apenas porque tinha outras pessoas que queria massacrar e no que diz respeito aos massacres gostava de ter o monopólio.

Os yezidis viviam no cume dos montes, nas rochas secas que se elevam sobre as planícies da Mesopotâmia. Entravam na cidade para comprar e vender, e geralmente eram tolerados. Isto apesar de todas as outras seitas no Iraque se referirem a eles como “adoradores do diabo”, como faziam há séculos.

De resto, eram bastante reservados. Os seus santuários, tanto quanto conseguia perceber, eram poucochinho do ponto de vista arqutectónico, embora eu apenas tenha visto fotografias, tiradas às escondidas.

Tal como outros monoteístas, acreditam em algo a que chamam “Deus”, mas depois a coisa torna-se interessante, bem como confusa, uma vez que estas pessoas eram analfabetas há gerações e as suas revelações tinham sido transmitidas oralmente desde… ninguém sabe quando.

Tanto quanto consigo perceber, havia sete anjos sagrados. Melek Taus, o Anjo Pavão, foi designado por Deus desde o início para supervisionar a sua Criação. Mas ele não é de confiança, embora a comparação com Satanás talvez seja exagerada. A ideia de prestar culto a um agente cósmico conhecido por ser corrupto e imprevisível parece-me bizarra. Às vezes o Anjo Pavão é verdadeiramente mau, outras vezes, porém, chora e pede perdão a Deus. Seja como for, detém um assinalável poder no mundo.

Parece-me (e recordo que não sou perito) que a atitude dos yezidis para com os seres espirituais é “a arte do negócio”. Talvez esta visão seja partilhada pela maioria das religiões pagãs: “Não tomemos lados entre o bem e o mal, pode vir a custar-nos”. Em vez disso, deve-se negociar com quem se chegar à frente.

Os que encontrei (em Mosul) pareceram-me simpáticos e reservados, bastante atraentes com as suas túnicas brancas. “Vive e deixa viver” parecia estar a correr bem para eles na altura. Dizia-me que reagiam bem aos insultos, o que na visão mais agressiva do Islão sunita os tornava pouco merecedores de serem insultados. (Também os assírios estão habituados a ignorar os insultos).

Aquilo que mais me intrigava era a possibilidade de esta atitude dever-se menos às circunstâncias do que às suas crenças religiosas. A ideia de que o mundo está cheio de demónios e que aquilo que Deus espera é que se chegue a acordo com eles. Ser neutro. Não se comprometer. Isto, por sua vez, obriga a uma rigorosa “endogamia” para poder sobreviver – não só casar, mas viver, exclusivamente, dentro da tribo. Evita-se qualquer mistura desnecessária.

Fatalmente, para eles, apareceu o Estado Islâmico. Centenas de milhares foram massacrados ou exilados. Pelos vistos só se pode chegar a acordos com demónios “moderados”. O verdadeiro, demónio em corpo de homem, fanático e poderoso, não é daqueles que negoceia.

Melek Taus
Não sei se mencionei que não sou especialista, mas os yezidis são para mim tão misteriosos como a maioria dos protestantes e católicos de classe média e alta, bem como outros que vivem na sociedade da nossa América do Norte pós-moderna.

Não é que eles não “acreditem” na presença do mal neste mundo; ou que – cruzes credo – não acreditem em Deus. Muitos vão à igreja, como a Melania Trump afirma fazer com o seu marido: ao que tudo indica, uma simpática igreja presbiteriana na qual, como na maioria das igrejas, incluindo as católicas, os fiéis aprendem a sentir-se bem consigo mesmos. (É o que me chega através dos boatos.)

Na verdade, disse-me o Charles Murray e outros, na América é mais fácil ver os ricos do que os pobres, ou membros de outras “classes inferiores” nas igrejas. São sítios simpáticos e burgueses onde nos é dado poder socializar com outros membros da nossa tribo.

Não é só para ricos, claro. Há igrejas para brancos, igrejas para pretos e para todos os tons de castanho. Igrejas para ricos, pobres e todas as divisões demográficas que se possa imaginar. Depois do “serviço” serve-se café nos convívios, onde todos são bem-vindos. É tudo muito lindo.

Tenho tentado compreender as estatísticas – nomeadamente as sondagens, em particular as sondagens feitas à boca das urnas, segundo métodos científicos – que analisam os votos das pessoas de acordo com a idade, “género”, rendimento, “educação”, filiação religiosa, etc. Os políticos “carismáticos” – penso no Obama e no Trump – atravessam todas estas classes.

Fascina-me de modo particular que esta última classe, a categoria da “religião”, tenha deixado de ser um indicador útil para o sentido de voto. Enquanto cristão, mais precisamente um zeloso católico convertido, acho difícil imaginar como até um “moderado” poderia votar em alguém que seria anatemizado vinte vezes seguidas se fosse aplicado um critério minimamente catequético.  

Não é que o Cristianismo em si esteja a morrer. Pode haver uns milhões a menos a frequentar as igrejas aos domingos do que antes, mas continua a haver milhões. Porque é que é tão difícil, se não impossível, agrupá-los por tendência de voto nas sondagens?

A minha teoria é de que as suas posições estão a “evoluir”, tal como a sua estrutura de crenças, no sentido de algo mais em linha com a teologia dos yezidis. Talvez pensem que se chegarem a um acordo com o demónio, ele, na sua benevolência, os deixe em paz. 


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 4 de Março de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O dia em que o Papa disse ACAB

Clueless...
O Papa Francisco utilizou esta quarta-feira a história do Rei Acab, de Israel, que matou Naboth para lhe roubar a vinha, como base para criticar as autoridades modernas que exploram os pobres e os fracos.

Boas notícias do Médio Oriente – e não falo dos acordos de cessar-fogo, pois aí mais vale esperar para ver – com informação de que foi libertado o último grupo dos cerca de 200 cristãos que tinham sido raptados há um ano. Há também a história de uma jovem sueca que foi para a Síria com o namorado e foi libertada do Estado Islâmico agora, podendo regressar a casa (na foto).

O bastonário da Ordem dos Médicos diz que a aprovação da eutanásia é uma medida “anti-social” e que não se pode falar em liberdade de escolha sem investir nos cuidados paliativos.  Sobre este assunto, volto a chamar atenção para o meu artigo no blog em que falo dos perigos sociais da eventual legalização da eutanásia.

Mais três países juntaram-se ao lote dos que formalmente aboliram a pena de morte.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Patriarca deixa recados para a esquerda

Igreja de Santo António, é muito fácil ajudar
O Papa Francisco garantiu este fim-de-semana que a reforma da Cúria Romana vai continuar, não obstante o recente escândalo de divulgação de documentos secretos.

Neste momento decide-se o futuro do actual governo, mas já há projectos de lei para serem discutidos em breve, incluindo de adopção por pessoas do mesmo sexo, porque obviamente isso é que são as grandes prioridades do país. D. Manuel Clemente, não deixou de referir o assunto no seu discurso desta tarde, na reunião da CEP, em Fátima.

Uma boa notícia do Iraque (e como são raras!)… 37 cristãos, sobretudo idosos, foram libertados pelo Estado Islâmico. Não se sabe se foi pago resgate ou não. Estado Islâmico esse que, mais uma vez se soube, “vende mulheres como escravas”.

A Igreja de Santo António precisa de ajuda e de fundos e é muito fácil contribuir para isso. Saiba como aqui.

E por fim, houve um encontro ecuménico jovem em Castelo Branco, este fim-de-semana, saiba como correu.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Leitura para Férias

Sabedoria 4, 16
Aproveito este meu último post antes de ir de férias para partilhar sobretudo alguns textos mais de fundo que vos poderão interessar.

Na sequência da minha reportagem sobre o Apoio à Vida e a Vanessa, que se tornou mãe aos 12 anos, publiquei a transcrição integral da entrevista a Joana Tinoco de Faria, psicóloga que acompanha estes e outros casos e fala com conhecimento de causa de toda  a problemática da gravidez adolescente, aborto e maternidade. É uma conversa longa mas interessantíssima!

Ao longo desta semana que passou falei também com o activista Nuri Kino, que fundou uma organização para ajudar os assírios, isto é, os cristãos do Iraque e da Síria que são perseguidos pelo Estado Islâmico. A conversa decorreu no dia em que foram raptados mais 250 cristãos na Síria e dias antes de serem libertados outros 22. Saiba aqui como pode ajudar os que se encontram a salvo, mas deslocados.

Na semana passada morreu o padre Ricardo Neves. Deixa muitas saudades e um vazio pastoral difícil de preencher sem a ajuda de Deus, que certamente não nos faltará. Hoje publiquei na íntegra uma entrevista que lhe fiz no ano sacerdotal. Não é uma homenagem, é uma forma de matar saudades.

E por fim, mais um artigo do The Catholic Thing. O grande Randall Smith sobre o que constitui um verdadeiro mártir. Será que Martin Luther King qualifica? E Edith Stein? E os mártires do Império Romano?

Por hoje é tudo, se houver notícias urgentes comunicarei, mas entretanto vou estar de férias. A festa continua no Facebook e no Twitter.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Kidnapped Christians in Syria: "It keeps repeating itself, since 1915"

Nuri Kino with Syriac bishops in Sweden
Full transcript of Nuri Kino's explanation about the situation in Syria, where 250 Christians have been kidnapped. News report, in Portuguese, here.

What information do you have about the kidnappings in Al-Quarayatayn?
Isis went in to the city and about 1500 people managed to flee. Most of them came to the churches of Homs. We spoke several times to the churches and the Syriac Orthodox Bishop managed to make a list of missing people. He and volunteers, clergymen and civil volunteers registered everyone that fled and asked them if they had any missing neighbours, friends or family members. Then they went through again and after several interviews with those who registered they completed a list of 250 missing people.

These 250 are all Christians?
They are all Syriac Orthodox or Syriac Catholic.

Could there also be people from other minorities who have also been kidnapped?
That we do not know, because we only spoke with the churches.

But was the city of  Al-Quarayatayn majority Christian?
Nearly only Christians.

There has been no information on the part of the kidnappers, no demands...
No. The only thing we know is that their cell phones have been switched off. So when relatives, family members and the churches try to reach them there is no answer.

This is not the first time there has been a mass abduction. The most recent one was near Hassakeh...
From the Khabour area there are still 222 people abudcted.

Do you know if they are alive?
Well those that have been released have told us about their whereabouts, that women and small girls and boys and men were separated from eachother, and the women were held in a small room and had to schedule their sleeping. That is all we really know now.

At the time there were people who had been released and said they had been ordered released by Shariah judges...
That information has not been reliable, some said that, others said they had been released because of health issues. Mostly elderly people.

The fact that they were not just executed, even though they were a burden for ISIS, may be a sign of hope, no?
Definately. But we also know from kidnappings from Mosul or the Nineveh, of at least one Assyrian woman, and an Assyrian kid who were given to ISIS members as gifts. So it’s devastating, and people keep fleeing... Those who managed to flee from Khabour went to Hassekeh, and then from Hassekeh to Qamishli, from Qamishli back to Khabour, where there were a lot of mines. Now they don't know where to flee. It keeps repeating itself, it’s been repeating itself since 1915, then 1933 and so on, and now, since 2004 we keep reportiong and reminding the world about this genocide, but no action is taken to save the Christian/Assyrian/Chaldean/Syriacs/Armenians and other Christians in Syria and Iraq.

I don't know, I have no words besides that one lion was killed and the whole world was furious, now all these people are getting kidnapped and slaughtered, why isn't the world furious about that? Why? Somebody needs to give an answer.

And its not just Christians, it’s also Muslims. ISIS is getting more and more violent, against everyone.

One year ago Mosul fell and the world woke up to ISIS. Did you imagine that one year later we would be in the same situation?
Yes. We also actually predicted Mosul, and the Nineveh plains. For years, in both DC and Brussels, we reported about it, we feared it. So it’s very sad and horrible, terrifying, but it’s not surprising.

You live in Sweden, where there is a big Assyrian community. Are there relatives of those who were kidnapped?
I will actually see one of the relatives of those from Habour, she has 42 of her family members kidnapped, and I spoke to a young man and a lady today who have relatives missing from the Homs area, but they are not sure if they are kidnapped or not, because they are not on the list that they saw.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Onde estão os Leões de Outros Tempos?

Anthony Esolen
Enquanto escrevo estas palavras, milhares de cristãos enfrentam massacres no Médio Oriente. Uma das imagens está gravada na minha memória. Um grupo de rapazes, de cerca de 10 anos, aguarda o terror às mãos dos seus captores por se recusarem a renunciar a Cristo. Um dos miúdos que está em primeiro plano, alto e moreno, olha directamente para a objectiva, a sua boca uma expressão de resistência.

Tem corpo de rapaz mas alma de homem. Duvido que ainda esteja vivo. Se soubesse o seu nome, pedia por sua intercessão. Talvez o deva fazer na mesma. Talvez o chame Sanctus Ignotus: O santo que ninguém conhece, o santo que ninguém quis conhecer. Mas se tivesse de lhe dar um nome seria Leoninus: Leãozinho.

Abro um dos meus exemplares encadernados do “The Century”, dos anos terríveis da guerra de 1918. É difícil descrever esta revista a pessoas que estão habituadas ao Cosmopolitan, Newsweek e TV Guia. Mas podemos ter uma ideia da sua verve intelectual e literária através destas palavras de “O Bom Pastor de Mechlin”:

“Se Alberto da Bélgica, esse príncipe cavalheiro cujo reino está transformado nuns poucos quilómetros de dunas e trincheiras ensanguentadas, tem sido o Leonidas da sua pátria martirizada, o Cardeal Mercier tem sido o seu Hildebrand. Alberto dotou a história e o romance do glamour de um novo Termópilas; o Cardeal belga fez o mundo recordar aqueles dias quando um simples monge, elevado ao trono do pescador, enfrentou outro Imperador alemão e berrou aos seus ouvidos as palavras que fazem tremer até os tiranos.”

Esta é a descrição de Désiré-Félicien-François-Joseph Mercier, o grande filósofo e arcebispo de Mechlin, primaz da Bélgica.

Nem sei por onde começar a enumerar as razões pelas quais esta passagem não poderia ser escrita hoje, nem lida de forma inteligível pela maioria dos universitários. Algumas pessoas, sobretudo desde que fizeram um filme inimaginavelmente mau sobre a batalha em questão, talvez reconhecessem os nomes de Termópilas e Leonidas, mas quantas delas saberiam exactamente o que estava em causa, quais os beligerantes ou o significado da guerra para o Ocidente e para a humanidade? Nem uma em mil compreenderia o que quer que fosse do resto.

Quando um jornalista do Washington Post sente a necessidade de explicar o que é a Via Dolorosa, engana-se, chama-lhe Via Della Rosa e depois diz que é um termo francês, penso que é seguro afirmar que mesmo uma expressão como “o trono do pescador” seria o suficiente para o deixar confuso, quanto mais a referência ao confronto invernal no Castelo de Canossa.

Mas independentemente do conhecimento histórico, quem se interessaria pelo cavalheirismo ou o drama de um monge santo e corajoso a lutar contra um imperador? Quem faria mais do que se rir das palavras de excomunhão dirigidas a Henrique IV, Imperador do Sacro-Império? Quem desejaria ver a Igreja vitoriosa na sua luta pela liberdade, em vez de ver os seus bispos ao serviço de um líder mundial ambicioso? Quem seria sequer capaz de escrever frases com este tom épico que o reformador inflexível, Gregório VII, merece?

E depois há outras razões que nada têm a ver com autores ou leitores. O Cardeal Mercier nunca recuou, nunca traiu a Bélgica aos invasores alemães. Ele advertiu os seus compatriotas que “a única autoridade legítima na Bélgica é a do nosso Rei, do nosso Governo, dos representantes eleitos da nação... Por isso, os actos de administração pública dos invasores não têm, em si, qualquer autoridade”, salvo aquela que as verdadeiras autoridades pudessem tacitamente permitir para o bem comum.

As “províncias ocupadas”, disse, “não são províncias conquistadas. A Bélgica não é mais uma província da Alemanha do que a Galícia é uma província russa.” Segundo o Tratado de Londres, cujos termos Mercier recordou aos envelhecidos líderes europeus, a Bélgica devia formar um “Estado perpetuamente neutro” e isso significava também não dar guarida a alemães que quisessem atravessá-la para invadir a França. “A Bélgica não é uma estrada”, disse o Rei Alberto.

Cardeal Mercier, um bom pastor
Depois vieram as atrocidades, que o Cardeal nunca deixou de condenar: O que foi feito, quando, onde e a quem. Para o seu povo ele foi uma torre de força e uma fonte incansável das melhores consolações, que o mundo já não consegue compreender. Mercier não tinha nada de trivial ou de vacilante. Na solidão, clamou: “Porquê todo este desaire, meu Deus?”

Mas depois “elevou os corações de um povo profundamente católico até à cruz que tão bem conheciam”. Eis as suas palavras:

“O cristão é servo de um Deus que se tornou homem para sofrer e morrer. Revoltar-se contra a dor, contra a Providência, simplesmente porque esta permite a dor e a tristeza, é esquecer-se de onde vimos, da escola em que nos formámos, o exemplo que cada um tem gravado no seu nome de cristão, que cada um honra no seu lar, contempla no altar das suas orações e que deseja que assinale a sua sepultura, local do seu descanso final.”

Quem fala assim hoje em dia? Mercier era um gigante entre os homens, com mais de dois metros de altura e uma inteligência, sabedoria, coragem e fidelidade ainda mais elevadas. Amava a Bélgica mais, segundo o autor, “com a coroa de espinhos sobre a sua fronte do que nos seus dias de glória. Ele tem sido o bom pastor do seu rebenho, o guardião do seu povo, o servo leal do seu Rei.”

Hoje, como ontem, com maldades igualmente deprimentes, absurdas e desprezíveis, o demónio caminha sobre a terra como um leão na caça, procurando quem devorar. A escolha a fazer, hoje como ontem, não é entre uma cedência ou outra, é entre dois tipos de leão. Perguntem ao Leoninus, ou ao grande pastor de Mechlin.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 3 de Junho de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Um milhão e quinhentos mil novos santos

Fiéis arménios beijam um ícone que
representa 1,5 milhões de novos santos
É já na segunda-feira o lançamento do meu livro “O que fazes aí fechada”, que inclui oito entrevistas com diversas freiras. Desde uma cujo pai deixou de praticar quando ela entrou no convento a uma que diz que o celibato a liberta para melhor poder trabalhar com as prostitutas que procura ajudar. São histórias de vida e de vocação, mas acima de tudo são histórias de amor.

Para quem puder ir ao lançamento, no Convento dos Cardaes, Rua do Século 123, em Lisboa, às 18h30, terei o maior gosto em ver-vos lá.

Decorreu ontem a maior canonização em massa da história do Cristianismo. São 1,5 milhões de novos santos da Igreja Apostólica da Arménia, vítimas do genocídio levado a cabo em território turco. Os Assírios também sofreram e chamam a esse triste episódio o “Seyfo”, ou “Espada”, pois foi através desse instrumento que a maioria dos mais de 150 mil foram assassinados.

E porque passados 100 anos estamos novamente a ver cristãos a serem perseguidos em massa no mundo muçulmano, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre convocou uma jornada de oração para sábado.

A Associação de Rádios de Inspiração Cristã contesta a ideia de que os meios de comunicação precisem de dar a conhecer o seu plano de cobertura das eleições legislativas.

E se participou no sorteio do Natal para ganhar um dos presentes que o Papa tem recebido ao longo dos meses, não desespere! Vem aí nova oportunidade e o primeiro prémio é um carro Kia Soul.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Alguns reféns cristãos libertados e Godspell em Portugal

O drama dos cerca de 200 cristãos raptados na Síria continua, mas ontem houve uma boa notícia, com a libertação de cerca de 20 pessoas. Não é certo se foi pago um resgate ou se a libertação resultou de outro tipo de negociação, mas estão livres, que é o que interessa.

A notícia surgiu um dia depois de os curdos, a principal força armada anti-Estado Islâmico na região, terem dito que estão dispostos a trocar jihadistas presos pelos cristãos, mas não se sabe se isso influenciou a libertação dos 19.

Enquanto isto, o chefe da segurança do Vaticano deu uma rara entrevista na qual admite que o nível de alerta é elevada por causa das ameaças do terrorismo islâmico, mas que o Papa continua a querer manter o seu estilo de pontificado.

Há duas reportagens que não devem perder, sobre o trabalho levado a cabo no terreno por congregações religiosas. Em Coimbra as freiras vão para a rua para ajudar prostitutas e no bairro da Fonte da Prata são as Escravas do Sagrado Coração de Jesus que estão a trabalhar com pessoas em situações de carência. Dois projectos que vale a pena conhecer.

E parabéns à selecção de futsal de padres que conquistou o ouro no campeonato europeu!

Dois avisos para esta semana: Para quem vive ou trabalha na Baixa de Lisboa, vai haver uma sessão de esclarecimento sobre o projecto Escola no Chiado. A ideia é mesmo essa, um projecto educativo cristão no Chiado, numa colaboração entre a paróquia da Encarnação, dos Mártires e a Fundação Maria Ulrich. A reunião é na quarta-feira, às 21h15, no salão paroquial da Igreja da Encarnação.

Também esta semana estreia o “Godspell”. Trata-se de uma nova produção do famoso musical de Broadway que vai a palco com músicas totalmente adaptadas a português. É encenado por Matilde Trocado, que fez também o musical “Wojtyla” e “O Quadro”. Conheço quem tenha ido aos ensaios e ficaram espantados com a qualidade, por isso recomendo vivamente e espero ir ainda esta semana também. Aqui podem ver um vídeo promocional e aqui podem comprar bilhetes. As datas são de 5 a 15 de Março no Tivoli de Quintas e Sextas as 21h30, Sábados às 17h00 e 21h30 e Domingos às 17h00.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Iraque, Iraque... pobre Iraque!


Cristão refugiado no Iraque
Faz sentido armar os cristãos iraquianos para poderem defender uma região autónoma? Alguns activistas acreditam que sim. Mardean Isaac, a residir em Londres, diz que nestes assuntos os cristãos no Médio Oriente não deviam ter de seguir os seus bispos.

É que os bispos discordam, tanto num ponto como no outro, como me disse há quase três anos o agora Patriarca dos Caldeus. Contudo, face ao agravamento das perseguições nos últimos dias, Louis Sako exige uma intervenção internacional.

Como de costume temos as transcrições completas da entrevista a Mardean Isaac. Numa primeira parte ele explica quem são os assírios, um termo que designa os cristãos daquela região, mas cuja utilização nem sempre é pacífica. Na segunda fala, então, do projecto de criação de uma região autónoma.

Não se esqueçam, entretanto, que amanhã é o dia de oração pelos cristãos iraquianos e leiam, se ainda não o fizeram, o excelente texto de David Warren sobre a perseguição que está a ter lugar.

Uma voz consistente de apoio aos cristãos perseguidos tem sido a da baronesa Warsi, no Reino Unido. Mas a única ministra muçulmana do actual Governo britânico apresentou hoje a sua demissão por não concordar com a posição de Cameron face ao conflito em Gaza.

Conheça ainda o plano de Hitler para raptar o Papa Pio XII e o cónego de Viseu que está prestes a fazer 100 anos. (Não, Hitler não queria raptar o cónego, que em 1939 nem era cónego ainda, mas já era padre).

"There is a place for arming Christians to defend themselves"

Manifestação a favor da criação
de um território para os assírios
Mardean Isaac defends the creation of a semi-autonomous homeland for the Assyrians in Iraq. This is the full transcript of the second part of an interview. The first part, about who the Assyrians are, is here. The news piece, in Portuguese, can be found here.

Mardean Isaac defende a criação de um território semi-autónomo para os Assírios, no Iraque. Esta é uma transcrição completa da segunda parte de uma entrevista. A primeira parte, sobre quem são os assírios, está aqui. A reportagem encontra-se aqui.

There were demonstrations today [Saturday, August 1st] all over the world. How many people took part? What is it you are asking for in these demonstrations?
Demonstrations took place in around 30 cities, in around 10 to 12 countries. In terms of numbers, around 40 to 50,000. Australia alone had around 6.000.

What we are asking for is, first of all, a recognition that what is going on is Ethno-religious cleansing. That is to say, in Iraq we have absolutely no protection, no security of our own, no legal or political recourse. We have simply been surrendered to the chaos which is taking place there, with nothing to stand against it.

Many of the signs you'll see point to a movement called #DemandForAction and also contain the phrase SafeHavenNow. What they point to is our desire to create a semi-autonomous region, within the Ninevah province where we can guide our own destiny, where we no longer have to be at the mercy of death squads, paramilitary groups, auxiliary forces, all other groups which have taken over Iraq, which have turned the Iraqi army into what it is now, which is nothing.

We want a region where we can live side by side with the other minorities which inhabit it, and where we can flourish, and where we can secure our own future in Iraq. That is what we want. However, we also exhibit solidarity with all our brothers and sisters in Syria, especially in the province of Hassekah, who are also undergoing terrible security crisis, and securing themselves against ISIS's onslaught.

Who would set up this province, who are you directing these pleas to?
This movement has been going on for a long time. It has really gathered momentum over the past 7 years. What is strange about what is going on now is that previously we were lobbying the Federal Government of Iraq to say "look, there is a region which Kurdistan covets and it’s in between the area which is definitely yours, and the area that is definitely theirs, and they have designs on it and we want it to become semi-autonomous.

So it was directed at the Federal Government, sort of against Kurdish designs, especially since Kurdistan kept putting off a referendum in the region in order to flood the area with more Kurds. Now all of a sudden the situation is very different indeed, that is to say, most of the plains have been taken by the Kurds. There is no reason to believe that they want to give them back, they have expanded their own territory by over 30%.

So in our protest today [August 2nd 2014] in London, in our demands, we said: Irrespective of who controls the plain, we want it to be semi-autonomous whether its Kurdish or Iraqi. Either way it will not pose a security threat to anybody, to say the least. To arm extremely disadvantaged groups like the Assyrians, the Yezidis, the few Mandeans, an absolutely extraordinary sect, the Shabaks and so on... these people are not interested in taking anybody else’s land, they simply want to secure their own.

We don't want a state, we want a part of Iraq, whether with the Kurds - we have a long and very complex relationship with them, we can certainly "do business with them" - or whether it is with Iraq, if they can get it together and expel ISIS.

Mardean Isaac
Interestingly the Kurds at the moment seem to be the ones who are best equipped to confront ISIS and defend the Christians in the region...
That's also interesting. There have been reports of fighting between the Kurds and ISIS today [August 2nd 2014], but they have so far had an implicit mutual enemy. The Kurds have taken what they want from Iraq and ISIS have taken what they want and they have allowed each other to do that.

Of course, with all these implicit deals, once these territories are secure now it’s uncertain what is going to happen. The Kurds have taken us in. I don't think they should be praised to much for that, we're talking about dealing with people like the Christians of Mosul who have been dispossessed of absolutely everything, they weren't even allowed to take watches or rings for God's sake. So the fact that the Kurds have set them up in shelters is... ok, fine.

But the Kurdistan Regional Government has a lot to answer for in terms of the way they treat us. They need to stop privileging building rights to Kurds, they need to stop confiscating our lands, all kinds of issues need to be worked out between us and the Kurds. But yes, certainly, there is a possibility of establishing an understanding. But the Kurds need to get out of their mode of insecurity, this mode of land grabbing and desperation to secure as much as possible, and ethnic hegemony. Its partially understandable why they are in that state, given their history and their antagonism towards Arabs and the State of Iraq, but they need to get out of it immediately and recognize that we suffered together in the North, we fought together against Saddam, our villages and our treasures were also destroyed, we have a shared history and they must recognize this. They must stop calling us Kurdish Christians. We have no interest in being called Kurdish Christians, we are not Kurds. And we deserve not only our full cultural, linguistic and religious rights, but also some degree, an appropriate degree of self-administration.

All of the Middle Eastern Christian religious leaders I have spoken too, and others I have read have been unanimous in saying they don't want a separate homeland just for the Christians. How far can this movement go if it doesn't have the backing of the religious leaders?
That's an interesting question...

I'll speak for myself. The position of the Chaldean church, especially their leader in America, is an outrage. His position is that because the Chaldeans inhabit a spiritual nation they have no particular interest in clinging to the territories they have in Iraq. Many statements have been made by Chaldeans that have deeply disappointed us regarding their attachment to Iraq.

As far as any religious leader who is ignoring the political reality must be criticized for it. We have absolutely no interest in being politically beholden to our religious leaders. If people want to go to church, affiliate themselves with whichever ecclesiastical institution it's their business. When it comes to issues of politics and history, I personally, and many other Assyrians, don't believe that the Churches should play a leading role, at all.

Autonomy, that's fine... but who would defend this state? Would it make a difference if you're all gathered in one place but there are still these groups that just want you gone? And on this subject, the bishops have been clear in saying that they don't want Christian militias, they don't want to respond to these persecutions with force. Is that your position? Is there a place for arming the Christians to be able to defend themselves in the Middle East?
Yes, I think there is a place for arming Christians to be able to defend themselves. To say that we don't want to respond to these persecutions with force is utterly baffling to me. We have no interest in doing anything with arms, other than protecting our villages. So in terms of the Church leaders who have a blanket position on these things, which I consider to be a politically cowardly one, I would simply like them to answer specifically as to what many people in the Ninevah plains need to do when they hear news of ISIS approaching within half a day.

Militantes do Estado Islâmico em cima
de uma Igreja em Sinjar, no Iraque
I've spoken to some of these people and they've gone to Turkey, where they live in a state of Limbo, because they are not Turkish citizens, especially when whole villages or communities are drained, they have no idea when they can return. Leaving is difficult, returning is difficult, their lives are completely suspended.

We're not talking about suddenly handing out guns to people, we're not talking about being irresponsible, and to suggest that we are, simply by recognizing the security problem is just bizarre to me. It's bizarre to anybody involved. Just go to Demand For Action, an initiative unconnected to any religious group or political party, its bizarre to them too.

What we need is organized, sanctioned, official security forces. Not militias, not squads of guys with guns, but people who protect villages and will put off attacks by looters and pillagers, which is what these groups are.

To even describe ISIS as an Islamic State is an absurdity. It’s a rag-tag crew of angry, stupid young men, who join together to go on a murder spree. It’s as if they are playing video games, that's how despicable they are. They gun people down wantonly... And there aren't that many of them. The Iraqi army should have protected us and they didn't.

So my question to all of our church leaders who are saying "we're Christian, we don't do violence", and so on, is, "what is the alternative?". That's my question.

Who are the Assyrians?

Mardean Isaac explains who the Assyrians are and gives us his perspective on the debate over Arab/Assyrian identity of Middle Eastern Christians. This is a full transcript* of the first part of an interview. The second part, on the possible creation of an Assyrian homeland, can be found here.

Mardean Isaac ajuda-nos a perceber quem são os Assírios e dá-nos a sua perspectiva sobre o debate acerca da identidade dos cristãos no Médio Oriente. Transcrição completa da primeira parte de uma entrevista, cuja continuação, sobre a eventual criação de um território para os assírios, está aqui.

Where were you born?
I was born in England. My father is an Iraqi Assyrian and my mother is an Iranian Assyrian.

Assyrian, what exactly does that term mean?
The term refers to an ethnic group who inhabit a contiguous region which is roughly correspondent to what is now described as Kurdistan, so South-east Turkey, North-East Syria, North-West Iraq, the Urmia region of Iran, and we are a non-Arab, non-Kurdish people, we speak colloquial dialects of Aramaic with some native morphology, even though our liturgical and ecclesiastical dialects are middle-Aramaic/Classical Syriac, we speak vernacular versions of those.

We have existed in those settings as a community for hundreds if not thousands of years.

Assyrian is a term we use to describe ourselves because we trace our ancestry and heritage to the inhabitants of that ancient civilization and we continue to inhabit many of its territories.

Are Assyrians Christians?
Yes. That is to say that they are almost entirely a Christian people -- I am not speaking to their particular beliefs, i.e. whether they are practicing or not. There are ethnic Assyrians who have converted to Islam over the centuries and have lost their identity and language. In recent memory, there are Assyrians who were forcibly converted to Islam and/or 'Kurdified' during the Assyrian genocide of the early 20th century. There is also a small number of Jewish Assyrians.

When we speak of Assyrians, we are not speaking of all Christians in the Middle East... Would Assyrians include the Chaldeans for example?
The Chaldean church is a Catholic branch of what is now called the Assyrian Church of the East. The first Church of the East Patriarch to enter communion with Rome was Yohannan Sulaqa in 1552. The Chaldean Church became a 'millet' of the Ottoman Empire in 1846. Chaldeans are Catholic, but ethnically Assyrian.

How about the maronites, for example?
The Maronites are obviously a Levantine people. Historically they have used Syriac, our classical language, but ethnically it depends what you mean. They belong to a different region, but it is tricky because many of them refer to themselves as Surayeh, which is hard to translate directly, but translates into Syriac -- or Syrian, in a non-Arab sense. So I would say there is a link in terms of a Syriac heritage, as well as a culture of martial highland resistance, but ethnically, directly, they are not the same as us, no.

I know that the term Assyrian is not necessarily embraced in the Middle East, there are many who are attached to an Arab identity. How peaceful is the term in characterizing Christians in the Middle East?
I think the Maronites have a very special place in the political history of the Middle East, especially in the XXth Century, that is to say, at the time of the Lebanese independence they were around 40 or 50% of the population. They spearheaded the independence movement, so their adoption of the Arab identity was the closest you could say to a majoritarian adoption of that identity. They chose to do it for the sake of the country, so to say, they wanted to align themselves with the countries nearby them and so on.

Iraqi Christian displaced by Islamic State
They don't call themselves Assyrian and over time, especially with the failure of our own national movement, which collapsed when the Ottoman Turks massacred us in 1915-1918, with the collapse of that movement the churches started to entrench themselves and try and enforce their own authority over their communities and distance themselves from a national identity.

I call myself Assyrian, I have many Chaldeans in my family who also call themselves Assyrian, we all speak Suret, which is a dialect of Aramaic with Akkadian elements, which we usually refer to in English as Assyrian, and I know countless members of the Syriac Orthodox Church also refer to themselves as Assyrian.


The Patriarch of the Melkite church, for example, is very emphatic about the Christians being Arabs just like their neighbours. Is that also a leftover of the Arab Nationalist movement?
Absolutely. The division, broadly, is between people who want to assert themselves independently of Arabism, and independent of the dominant hegemonic forces in the region, which are and were Arabism and more recently Islam. So when it comes to the Melkite Church, increasingly it is true of the Chaldean Church, this was true of the Maronite Church, although Maronite political parties have more recently begun to move away from an Arab identity, and during the Lebanese Civil War many groups, though ostensibly Catholic, refused to identify as Arabs. It has to do with whether the leaders of the churches feel they have to prioritize their congregation and their ecclesiastical authority on the Arab dominion, or whether they side with their people, in other words, they try and move towards a situation where they establish themselves quasi-independently.

Our Patriarch of the Church of the East wanted to establish an Assyrian State, under the auspices of the British, so that division between Arab and Non-Arab, has to do with that. But of course, when they describe themselves as Arabs it goes without saying that they are not "real" Arabs. They are not the Arabs of the Gulf, they don't belong to Arab tribes. The Arabism is a political movement which began in the Early XXth Century and under whose auspices they wish to go in order to save their own church and find a place for their religion in an Arab world.

During the Arab Nationalist movement, many Christians saw this as an opportunity and thought this was a chance to fit in and play leading roles, and many did. But with the failure of the Arab Nationalist movement, in practical terms, could it make it worse if they identify as non-Arabs?
It’s an odd situation. In the case of ISIS there is not a trace of Arabism in them. It’s a kind of bizarre international murder gang of Chechen and Welsh teenagers, and Afghans and all kinds of people. Of course they are preoccupied in a bizarre manner with what they call original Islam, but overall in terms of the discussions I have with Middle Eastern people my age, they find the ethnic aspect of Assyrians utterly baffling. They may discover with surprise that we don't speak Arabic, but broadly they simply see us as Christians and increasingly they see each other as simply Shiite or Sunni rather than primarily as Arabs.

Of course there are all kinds of tribal, geographical, local forces at work in all of these conflicts, but the area of broad ethnic identification is certainly in decline. And the regimes that supported that identification are collapsing. 


*A few corrections and minor alterations were submitted to these answers by Mardean Isaac in November 2014. I accepted these as they made no change to the overall tone or message of the original interview, and improved its clarity in some ways. In some cases they were spelling corrections to terms I had misheard during the interview.

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