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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Lisboa já tem Laetitia

Lisboa já tem orientações para a aplicação do Amoris Laetitia. Saiba tudo aqui.

Foi lançada a mensagem de Quaresma do Papa Francisco, em que ele alerta para “os falsos profetas” e os riscos de um “coração frio”.

A renúncia quaresmal deste ano em Vila Real será para combater a “miséria envergonhada” e para “bolsas de estudo”, diz o bispo.

Conheça a aula de iconografia cristã a que nem a Judiciária faltou.

O Bloco apresentou hoje o seu projecto sobre a eutanásia e o PS, que evidentemente não quer ficar atrás, disse que também o vai fazer. O PCP é que continua a não mostrar a mão

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Love is in the air!

E pronto… Francisco arranja sempre maneira de nos surpreender novamente. Hoje foi um casamento em pleno voo. Dois assistentes de bordo entraram no avião solteiros, aos olhos da Igreja, e saíram casados. Love is in the air.

Já em Iquique, Francisco celebrou missa e disse aos presentes que os imigrantes que partem das suas casas à procura de melhores vidas, são “ícones da sagrada família”.

Ontem o Papa esteve com os jovens em Santiago, no Chile, e para que não lhes faltasse nada deu-lhes o password da banda larga de Jesus.

Braga é a mais recente diocese a publicar orientações para a aplicação do Amoris Laetitia.

E hoje que começa o oitavário da oração pela unidade dos cristãos, o bispo da Guarda desafia os cristãos a lutar contra novas formas de escravatura.

Apresento-vos o bispo americano que recusou participar numa caminhada pela vida na sua diocese porque a oradora é defensora da pena de morte.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Bombas para todos os gostos e desgostos

Calma meninas...
A visita do Papa ao Chile promete… Hoje quatro igrejas foram atacadas na capital e foram deixadas ameaças directas a Francisco.

Se no caso de Francisco são só – por enquanto – ameaças, na Síria o caso é mais sério. Hoje temos a história do arcebispo que se levantou da sesta para ir à casa de banho e segundos depois caiu-lhe um morteiro na cama. Sobreviveu por milagre.

Outra arquidiocese, outra bomba… Braga vai apresentar uma proposta de acompanhamento de pessoas em situação matrimonial irregular, incluindo a possibilidade de acederem aos sacramentos, à luz do Amoris Laetitia.

Com Donald Trump as bombas são outras. Ontem terá dito – embora ele nega – coisas pouco agradáveis sobre países em desenvolvimento. O jornal do Vaticano lamenta a linguagem “dura e agressiva”.

Nos últimos dias recebeu uma mensagem no telefone ou no mail a pedir orações por 22 missionários cristãos prestes a serem executados no Afeganistão? Então leia isto, e partilhe com quem lhe enviou. O mundo agradece.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Papa vai ter Portugal Católico nas mãos

O Papa Francisco vai receber amanhã um exemplar da obra “Portugal Católico”. Trata-se de um projecto ambicioso, com o qual tive o privilégio de colaborar, com contribuições de quase 200 autores que pretende ser um raio-X do catolicismo em Portugal. (Ver imagem).

Começou esta terça-feira o Encontro Nacional da Pastoral Social que irá debruçar-se sobre o Amoris Laetitia.

Ontem celebrou-se a missa de sétimo dia em memória de D. António Francisco dos Santos. Um homem bom com uma força radicada na “pobreza e oração”, segundo D. António Taipa.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Papa Francisco, o despertador

"Só mais cinco minutos, Sua Santidade!"
Atentado em São Petersburgo. Não há reivindicação ainda, mas tudo aponta para os suspeitos do costume…

Fernando Santos, seleccionador de Portugal, esteve nas jornadas da juventude da diocese de Lisboa e considera que o Papa Francisco “acordou-nos a todos”.

O Papa, na sua missão de acordador-mor, alerta para a lógica inútil e inconsequente do medo”.

O Patriarca de Lisboa comentou o Amoris Laetitia. D. Manuel rejeita centrar a questão exclusivamente nos casos de divorciados e recasados, mas convida a descobrir a dimensão “essencial” do texto.

De cara lavada e com o elevador arranjado, já pode subir de novo ao Cristo Rei!

O Parlamento português vai debater a liberdade religiosa antes da chegada a Portugal do Papa Francisco.

E a Renascença falou esta semana com Maria Teresa Maia Gonzalez, que explora a sede de questões espirituais que as crianças têm.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sinai(s) de perigo e os mercadores do Santuário

Ui... Em Fátima seria um festival!
Ontem o Papa Francisco criticou as pessoas que dizem que são católicas mas depois agem de forma desonesta no trabalho, ou metem o lucro acima da ética. Hoje soubemos que em Fátima alugam-se espaços para dormir em saco de cama por mil euros por noite. Dizias, Francisco?

O pastor adventista que ontem foi detido por abusos sexuais afinal foi destituído do seu cargo antes de terem começado a circular os boatos sobre esses mesmos abusos. Uma fonte próxima da igreja deu hoje mais alguns detalhes sobre esta triste história.

O Papa Francisco voltou hoje a falar sobre a questão do casamento e do divórcio, enfatizando que justiça e misericórdia são sinónimos aos olhos de Deus.

Do Egipto chega a notícia dramática de uma vaga de assassinatos de cristãos na difícil região do Sinai. Já morreram sete, a comunidade está a fugir.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A Difamação do Cardeal Burke

Uma das figuras mais exóticas da Marcha pela Vida este ano em Washington, era um excêntrico entusiasmado – provavelmente pentecostal ou fundamentalista – que carregava um grande cartaz anticatólico e gritava por um megafone. Só apanhei um bocado do que ele dizia, mas era o habitual sobre o facto de o Papa ser o anticristo e os católicos “adorarem Maria como uma deusa”. Coitado. Mas uma coisa ninguém lhe tira: Debaixo da loucura ele acredita sinceramente que as formas de liderança e o conteúdo da fé cristã são realmente importantes. Ouvi-o a dizer a outro participante da marcha que “isto são coisas sérias, meu!”

De facto.

Sexta-feira o “The Washington Post” brindou-nos com algo muito pouco sério. Uma difamação ridícula do Cardeal Raymond Burke, debaixo da manchete “Como o Papa Francisco pode Limpar a Podridão de Extrema-direita da Igreja Católica”. Assinada pela jornalista Emma-Kate Symons, a peça tinha tanta noção da realidade e do contexto da Igreja como o tipo do megafone. O texto arrancava assim: “O Papa Francisco precisa de tomar medidas mais duras contra o católico americano mais influente em Roma, o Cardeal Raymond ‘Breitbart’ Burke”.

É que a Breitbart entrevistou uma vez Burke – ainda por cima sobre o Islão – por isso agora, segundo o “Post”, Breitbart passou a ser o nome do meio, estão a ver?

Há pessoas que não gostam do Catolicismo ortodoxo, sempre houve e sempre haverá. Mas esta “jornalista” não estava a lamentar-se numa esquina ou num blogue de extrema-esquerda, mas nas páginas de um jornal que em tempos foi moderado mas que teve uma forte viragem à esquerda desde que foi adquirido por Jeff Bezos, da Amazon. Mas qualquer editor, seja qual for a sua orientação ideológica, deveria ter olhado de relance para este artigo de opinião e compreendido que não passava de uma parvoíce.

Mas o “Post” não está sozinho nesta coisa de deixar o profissionalismo pelo caminho por uma questão de paixão política. Ainda esta semana o “New York Times” publicou uma “notícia” de primeira página – mas que na verdade era um ataque pessoal mal investigado – assinado por Jason Horowitz, muito na mesma linha: “Steve Bannon Leva a sua Batalha para Outro Local Influente: O Vaticano”.

Toda a história assenta numa reunião que teve lugar em 2014 entre o Cardeal Burke e Steve Bannon, o arruaceiro da Casa Branca. Na sua histeria contra o Presidente Trump, os media adoram caracterizar Bannon como uma espécie de “storm trooper”. Não sou fã de Bannon ou da Breitbart, que ele geria. (Aliás, uma vez recusei um convite para aparecer na Rádio Breitbart para conversar com Bannon sobre católicos críticos de Trump porque sabia que ele me ia atacar. Prometeu que não o faria, mas depois fez exactamente isso à pessoa que compareceu, o Robert P. George.) Ainda assim, a verdade é a verdade. Do meu ponto de vista o modus operandi de Bannon é muitas vezes autodestrutivo, mas os media estão simplesmente a descredibilizar-se com esta caça às bruxas no gabinete de Trump.

Mas regressemos a Burke. A história do “Post” parte dessa reunião de 2014 e tece uma narrativa absolutamente delirante: Que Burke faz parte de um movimento global anti-islâmico, anti-mulher, nacionalista e pró-tudo-o-que-é-mau, que chegou ao poder com a vitória de Trump e que tem à cabeça Steve Bannon. Mas como o nosso amigo astuto Phil Lawler fez notar, essa reunião aconteceu em 2014, ou seja quase dois anos antes de Trump se candidatar sequer à Presidência e muito tempo antes de alguém imaginar sequer que Bannon viesse a trabalhar para ele. Então como é que essa reunião de há anos marca Burke de tal forma que obriga o Papa Francisco a “Limpar a Podridão de Extrema-direita da Igreja Católica”?

Bom, Bannon também falou numa conferência patrocinada pela Fundação Dignitatis Humanae, em Roma, em 2014. Burke faz parte da direcção da DH. Logo, o político três vezes divorciado e o defensor incansável da indissolubilidade matrimonial devem estar completamente alinhados, não?

E a nossa colunista intrépida ainda conseguiu descobrir que outro cardeal da direcção da DH também assinou a carta com as Dubia sobre o Amoris laetitia. Com isto está a insinuar, claro, que a oposição à comunhão para divorciados recasados faz parte do pacote de “podridão de extrema-direita”.

Tal como acontece com grande parte da imprensa, o que se está a fazer aqui é traçar uma linha imaginária entre as duas realidades que qualquer pessoa que saiba o mínimo sobre o assunto só pode descartar. O Bannon é, como já disse, um arruaceiro – às vezes o mundo precisa de certo tipo de arruaceiros. Burke, por outro lado, é um homem profundamente gentil – e o mundo também precisa destes. Quem não sabe isto não conhece o Burke. Bannon tem falado da ameaça do Islão e do Marxismo cultural para o Ocidente e da necessidade de os combater politicamente. Burke também – como muitos de nós – mas como devem imaginar fê-lo por razões bastante diferentes e, sobretudo, com uma entoação muito diferente.

Cardeal Raymond Burke
De forma geral Burke tem-se preocupado com assuntos doutrinais na Igreja e – não nos esqueçamos – foi prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica. Estamos a falar de coisas técnicas e intelectuais e não de populismo nem de política partidária. De facto ele fala frequentemente – de uma forma que, quanto a mim, exprime a sua maior paixão – sobre como o falhanço da educação católica ao longo dos últimos 50 anos feriu a Igreja e obscureceu os ensinamentos que Jesus lhe confiou para nossa salvação. Tem dito francamente pouco que pudesse ser considerado político, no sentido normal da palavra.

Mas liga-se o Bannon ao Burke, sugerindo culpa por associação, e tem-se uma verdadeira festa para a esquerda. O Cardeal já estava nas más graças de Francisco por causa da situação da Ordem de Malta – outro assunto confuso. Mas ainda por cima o Papa acaba de nomear um delegado pessoal para a Ordem de Malta o que parece deixar o Cardeal Patrono sem portfolio. O artigo do “Post” não ajuda em nada.

E depois, claro, há a questão de Burke e outros três cardeais terem publicado as “dúbia” sobre o Amoris laetitia – perguntando não só se agora, contrariando a história católica, é permitido dar comunhão aos divorciados recasados, mas também se estamos perante mudanças no campo da teologia moral em relação à consciência, normas sem excepção, mal intrínseco e a própria teologia da Santa Eucaristia.

Até se pode acreditar que Burke e companhia erraram ao publicar as “dubia”, que anteriormente tinham sido apresentadas privadamente ao Papa. Ou então que Burke tem sido tratado injustamente, como tem acontecido a outros na Curia, ao ser demitido das suas funções sem explicação. Mas é preciso ser completamente louco para colocar no mesmo saco este cardeal de brandos costumes e tudo o que os media acham repugnante – ou pior – na nova Administração americana.

É mais um sinal da confusão que existe actualmente na Igreja e no mundo.

Uma das categorias morais que tem desaparecido, juntamente com muitas outras coisas da cultura ocidental, é a noção de difamação. É pior do que mentir. É mentir com a intenção de causar dano. Vejam no dicionário. E por favor, reconheçam-na quando a virem.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro é A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century, da Ignatius Press. The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está também disponível pela Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Timothy Radcliffe pede diálogo com conservadores

Timothy Radcliffe
O Papa devia entrar em diálogo com os cardeais que têm levantado dúvidas sobre o seu pontificado, mais especificamente sobre a sua exortação apostólica Amoris Laetitia, diz o teólogo Timothy Radcliffe.

Na mesma entrevista, Radcliffe fala sobre a importância do corpo, a sua visão da homossexualidade e do perigo de as medidas de protecção de crianças irem ao ponto de prejudicar as crianças de outra forma.

Em ano de centenário das aparições, são 100 as pessoas convidadas para falar sobre o fenómeno de Fátima, comopo de ver aqui.

O Papa pede aos católicos que, neste mês de Fevereiro, rezem pelos refugiados e alerta os religiosos professos para os perigos de uma “mentalidade de sobrevivência”.

Se a sua paróquia tem um coro infantil, clique aqui!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O Foro Interno e os Católicos Recasados

Howard Kainz
É evidente que pelo menos alguns bispos europeus, e talvez vários americanos, consideram que o uso do “foro interno” para “reconciliar” católicos recasados é uma prática aceite. Porquê a polémica então? Estaremos a lidar com um fait accompli? Um pouco de história pode ajudar.

A distinção entre os “foros externos” (por exemplo os tribunais eclesiásticos) e o “foro interno” (i.e. o confessionário enquanto tribunal da consciência) tem sido alvo de discussões há séculos no âmbito do Direito Canónico e da teologia. Mas ao longo dos últimos 47 anos surgiram várias vicissitudes de interpretação que conduziram aos actuais desentendimentos sobre o chamado “recasamento católico”.

Esta cronologia pode ajudar a mostrar como chegámos ao actual cenário:

1969: O padre Joseph Ratzinger publica um artigo num jornal teológico em que discute a possibilidade de que “na comunidade da Igreja Primitiva, como aparece representada em Mateus 5 e Mateus 19, havia a prática de divórcio e recasamento depois de um caso de adultério”.

1972: No artigo “Sobre a Questão da Indissolubilidade do Casamento”, Ratzinger contradiz a sua afirmação anterior uma vez que “à luz da completa unanimidade da tradição ao longo dos primeiros quatro séculos em sentido contrário, esta posição é inteiramente improvável”. Mas mantem que em certos casos existe a possibilidade “não judicial, com base no testemunho do pastor e de membros da Igreja, de admitir à Comunhão aqueles que vivem num segundo casamento”. Cita como justificação para isso a falibilidade dos processos de nulidade e as eventuais novas obrigações morais decorrentes de um segundo casamento.

1973: O Cardeal croata Franjo Šeper cita “a prática aprovada do foro interno” de permitir aos católicos num segundo casamento inválido que regressem aos sacramentos após o arrependimento.

1975: O Arcebispo Jean Jérôme Hamer, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) estipula que o foro interno pode permitir aos católicos divorciados recasados receber os sacramentos caso “tentem viver de acordo com as exigências dos princípios morais cristãos”.

1981: Essa estipulação, contudo, embora formalmente aprovada pelo CDF, foi restringida pela Exortação Apostólica de João Paulo II, “Familiaris Consortio”: “A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e actuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio.”

1991: Numa carta publicada no jornal católico inglês “The Tablet”, o Cardeal Ratzinger clarifica a referência do Cardeal Šeper, de 1973, à “prática aprovada”, sublinhando que este uso do foro interno implicaria um “compromisso a abster-se de relações sexuais”.

2005: O Sínodo sobre a Eucaristia reafirma a decisão de João Paulo II da “Familiaris Consortio”, de 1981.

2007: O Papa Bento XVI, na exortação apostólica “Sacramentum Caritatis”, reitera a decisão do Sínodo de 2005.

2015: O Cardeal Christoph Schönborn, no seu livro “A Vocação e Missão da Família: Documentos Essenciais do Sínodo dos Bispos” dá um exemplo do uso correcto do foro interno: “Se uma mulher, por exemplo, teve um casamento falhado e um aborto, mas mais tarde ‘recasou’ civilmente e agora tem cinco filhos e deseja receber absolvição pelo seu anterior aborto… vocês [padres] não a podem deixar partir sem a libertar do fardo do seu pecado.”

2016: O Papa Francisco escolhe o Cardeal Schönborn para apresentar a exortação apostólica “Amoris Laetitia”, que aconselha os padres a acompanhar aqueles que se encontram em “situações conjugais irregulares” a evitar transformar o confessionário numa “câmara de torturas” ou a Eucaristia como um “prémio para os perfeitos”.

É natural que alguns se questionem, por isso, se não estamos perante uma regeneração da tese de Schönborn.

À luz do Direito Canónico ainda existem usos legítimos para o foro interno na absolvição de católicos divorciados recasados. Se o “foro externo” dos tribunais eclesiásticos não puder ser usado por falta de testemunhas, provas ou simplesmente por indisponibilidade, então o foro interno seria o lugar de último recurso. Também, em casos de morte iminente, um penitente pode receber o sacramento da unção dos doentes e a absolvição.

Mais importante que qualquer foro interno... 
Mas aquilo que me preocupa no que diz respeito ao cuidado pastoral de católicos recasados são as vítimas de anteriores casamentos. Nos casos que eu conheço o “recasamento” envolveu o abandono de donas de casa com muitos filhos. Como é que é suposto elas lidarem com o assunto? Como é que os filhos lidam com o facto de o pai os abandonar?

As “viúvas e os órfãos” criados pela prática actual de divórcio sem culpabilidade e as dificuldades de mulheres católicas que ainda se sentem sacramentalmente ligadas ao homem que as abandona são um problema dos nossos dias. Devem sair à procura de um novo marido? Acrescentar mais um nome à lista de “divorciados recasados”?

A Bai Macfarlane dirige uma organização chamada Mary’s Advocates que se dedica “a fortalecer o casamento, eliminar os divórcios forçados sem culpabilidade e apoiar aqueles que foram injustamente abandonados pelos seus esposos”. Um dos seus actuais projectos passa por apresentar petições online para entregar a bispos, pedindo-lhes que intervenham para evitar rupturas e ajudar o potencial abandonador a “recordar as suas promessas matrimoniais e a sua vontade inicial profunda de ser um esposo dedicado”

De certeza que este tipo de acção preventiva é tão importante e legítimo como o recurso ao “foro interno”. Neste Jubileu da Misericórdia seria bom reconhecer que não só os bispos, mas a Igreja como um todo, deve apoiar social, financeira e espiritualmente os esposos injustamente abandonados.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Sábado, 27 de Abril de 2016)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Amoris Laetitia decoded e aniversários vários

Afinal de contas, o que diz o “Amoris Laetitia”? Eu continuo convencido que diz que algumas pessoas em situação irregular poderão comungar, após processo de discernimento. Explico porquê neste texto.

O Papa Francisco vai visitar a ilha de Lesbos precisamente para recolocar o drama dos refugiados no mapa e nas atenções do mundo, diz o cardeal Peter Turkson.

Foi publicado em Portugal o livro com perguntas que crianças fizeram ao Papa e com as respostas dele. Conheça-o aqui.

Não fui o único a fazer anos este fim-de-semana. A Renascença também está de parabéns!

Hoje é a vez dos Leigos para o Desenvolvimento e no sábado foi a vez das Doroteia sem Portugal.

Afinal de contas o que é que diz o Amoris Laetitia sobre divorciados recasados?

Recebi o texto completo da exortação apostólica Amoris Laetitia no início da tarde de quinta-feira, ainda com embargo, obviamente, e estive a lê-lo e a escrever sobre ele até às 4h.

Quando acabei de ler o capítulo VIII fiquei sem qualquer dúvida de que o Papa Francisco acabava de legitimar que algumas pessoas em situação matrimonial irregular podem vir a ser admitidas aos sacramentos.

Mas nem toda a gente achou o mesmo.

Só hoje tive oportunidade para fazer uma leitura mais alargada das reacções no resto do mundo. Para além dos muitos órgãos de informação que claramente não pescaram nada do que estava escrito no documento e por isso fizeram títulos genéricos, noto algumas tendências claras.

Por um lado há os liberais que sempre foram a favor de que os divorciados recasados fossem admitidos aos sacramentos e que não perderam tempo em dizer que era precisamente isso que o Papa tinha acabado de fazer.

Por outro lado, há os que não concordam que os divorciados recasados sejam admitidos aos sacramentos e, como o Papa nunca o diz claramente no texto, vieram dizer que afinal tinha ficado tudo na mesma.

Interessantemente há ainda outra classe de conservadores que lendo o texto admitiram, nalguns casos horrorizados, que o Papa acabava de abrir uma via para que pessoas em situação irregular possam comungar.

Claro que isto não são categorias estanques. Haverá certamente muitos que, como eu, ao longo dos últimos dois anos acharam que não seria possível o Papa chegar a esta conclusão, mas que agora, perante esta exortação, não têm problemas em compreender que o Papa é ele, e não eu, e por isso aceitam com filial obediência o que Francisco escreve.

Mas para isso é preciso primeiro compreender o que é que ele escreve…

A chave, para mim, está nesta passagem: “A Igreja possui uma sólida reflexão sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes. Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”.

Não há dúvida que o Papa está a falar de casos irregulares. São os tais divorciados recasados (podendo ser que apenas uma das partes tenha sido casada pela Igreja). Não sei se as pessoas em união de facto poderiam também estar abrangidas.

Que o Papa diz que algumas das pessoas nestas situações podem não estar em pecado mortal é também claro. Ora, se uma pessoa não se encontra em pecado mortal, se não está privado “da graça santificante”, então porque é que não pode comungar?

A lógica da proibição anterior era simples. Quem está numa situação irregular comete adultério, o adultério é um pecado mortal, quem está em pecado mortal não pode comungar. Simples. Dizendo que há quem não esteja em pecado mortal interrompe esta sequência lógica.

Há quem coloque objecções. Alguns dizem que embora o Papa fale na necessidade de se integrar as pessoas nestas situações, nunca se refere explicitamente à disciplina sacramental. Mas isso não é verdade. No ponto 305 Francisco diz: “por causa dos condicionalismos ou dos factores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objectiva de pecado – mas subjectivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja.”

O tipo de ajuda está explicitado numa nota de rodapé: “Em certos casos poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso, aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do senhor e de igual modo assinalo que a Eucaristia não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos”.

Não é por isso verdade que Francisco não se refira explicitamente à disciplina sacramental. E pergunto: Neste contexto, nesta exortação, a que mais é que o Papa se poderá estar a referir do que ao acesso de algumas pessoas em situação irregular aos sacramentos? Que mais é que isto poderia querer dizer?

Ainda assim, há quem avance outra teoria. Dizem que o Papa está simplesmente a referir-se a pessoas que, vivendo num casamento aparentemente irregular, cumprem o requisito da castidade, vivendo “como irmãos” e por isso podem comungar e confessar-se. Isto não será então uma novidade, já existe há anos.

Mas também não me parece provável. Por duas razões. Primeiro, porque viver na mesma casa que alguém não é adultério nem pecado. Por isso, se Francisco estivesse a falar destes casos, não faria sentido falar numa “situação objectiva de pecado”, porque de facto as pessoas nessa situação não estão em pecado.

Mas há mais. O Papa fala de facto sobre as pessoas que vivem “como irmãos”, novamente numa nota de rodapé do parágrafo 298, e não é propriamente uma referência muito entusiástica. “Nestas situações, muitos, conhecendo e aceitando a possibilidade de conviver ‘como irmão e irmã’ que a Igreja lhes oferece, assinalam que, se faltam algumas expressões de intimidade, ‘não raro se põe em risco a fidelidade e se compromete o bem da prole’”.

O facto de, já no final do texto, o Papa escrever “compreendo aqueles que preferem uma pastoral mais rígida, que não dê lugar a confusão alguma; mas creio sinceramente que Jesus Cristo quer uma Igreja atenta ao bem que o Espírito derrama no meio da fragilidade”.

O que é isto se não uma admissão de que aquilo que o Papa acaba de propor é uma pastoral que permite soluções diferentes para diferentes situações? O que tínhamos antes era claro. Se agora não é, é porque mudou. E mudou para ficar tudo igual mas com termos mais confusos? Não me parece…

Dito tudo isto não quero deixar de sublinhar que esta exortação é muito mais do que apenas o capítulo VIII. Leiam-no, porque vale a pena. Leiam-no com calma e, de preferência, em grupos onde seja possível fazer uma discussão informada e bem-intencionada.

Na Renascença podem ler ainda a cobertura completa sobre a exortação e aqui, mais especificamente, o artigo com a análise do capítulo VIII.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Recasados podem comungar? Parece que sim, mas talvez não


O tema que está a atrair mais atenções, claro, é sobre os divorciados recasados. Francisco diz claramente que é possível estar numa situação irregular sem estar em pecado mortal. A meu ver esta é a chave de leitura desse capítulo e não me parece deixar margem para dúvidas que o Papa está a abrir caminho para que algumas pessoas nessas situações comunguem. Nem todos concordam, nada como ler por si mesmo.


Seria uma pena, porém, que a excessiva atenção sobre esse ponto acabasse por esconder outros também muito interessantes.
- Uma longa exposição, muito pessoal, sobre a educação, incluindo educação sexual e crítica aos estereótipos masculinos e femininos;
- Defesa da natalidade e rejeição da ideia de que a emancipação da mulher seja culpada pela crise das famílias

Por fim, e talvez surpreendentemente, há muito pouco na exortação sobre homossexualidade.

O padre Duarte da Cunha, que participou no sínodo de 2015, diz que a exortação vai mudar atitudes na Igreja e a terapeuta familiar e psicóloga Teresa Ribeiro elogia a profundidade das passagens sobre amor e educação.

Com tudo isto, poderá ter passado despercebida a repetida e enfática condenação dos bispos portugueses à eutanásia e ainda a confirmação da visita do Papa a Lesbos, no dia 16 deste mês.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing e, se tiverem por Cascais e interessados em saber mais sobre a cultura do Perdão podem ir ouvir-me falar às 16h na Igreja dos Navegantes, na jornada diocesana da juventude.

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