segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Papa Francisco abre a Porta Santa em Bangui
O Papa já regressou de África. Foram seis dias muito cheios, a sua estreia no continente, que terminaram com uma visita de alto risco a Bangui, agora capital espiritual do mundo. O Papa abriu ainda a porta santa, antecipando-se assim ao início oficial do Jubileu da Misericórdia.

Já hoje, no avião papal, Francisco conversou com os jornalistas novamente. O Papa disse que a cimeira do ambiente em Paris é crucial, utilizando os termos “Agora ou nunca!”. Falou também do terrorismo e do fundamentalismo religioso e elencou o que considera serem os “três pecados do jornalismo”, o que na minha opinião é para ser lido em contexto “Vatileaks II”.

Está em campo a campanha de Natal “Vai e faz o Bem”, que pode conhecer aqui.

Por cá, D. Manuel Clemente espera que o governo melhore a vida dos portugueses e em Fátima abriu uma exposição que “mostra a condição das pessoas” que visitam o santuário.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Mártires de ontem com lições para hoje

Muita música e alegria à chegada do Papa ao Uganda
Hoje foi um dia em cheio para o Papa Francisco, que começou com uma visita a um bairro de lata em Nairobi onde defendeu o acesso à água potável para todos e depois, numa missa e encontro com jovens, criticou a corrupção, dizendo que ela também existe no Vaticano, e que é como o açúcar “algo que se entranha em nós”.

Depois Francisco seguiu para o Uganda. À chegada falou com os políticos locais, mas com os olhos postos na Europa louvou a forma como os ugandeses têm acolhido as centenas de milhares de refugiados que lá procuraram asilo.

De lá o Papa foi-se encontrar com catequistas e professores, a quem falou do exemplo dos mártires do Uganda, apontando-os como exemplos a seguir.

Quem são os mártires do Uganda? Se não conhece não deixe de ler a explicação da Aura Miguel. No blogue também falo do assunto, tirando ilações para o presente.

Pedro Mexia esteve na quarta-feira na Capela do Rato para falar de Deus com Maria João Avillez. Leia aqui alguns excertos da conversa.

A diocese de Bragança está preocupada com a exclusão dos deficientes dos espaços eclesiais.

Quem são os mártires do Uganda?

A principal razão da visita do Papa Francisco ao Uganda é o assinalar do 50º aniversário da canonização dos mártires do Uganda.

Os mártires do Uganda são 45 jovens rapazes ugandeses que foram mortos por ordem do rei Mwanga II, entre 1885-1887. Desses jovens, 22 eram recém-convertidos ao Catolicismo e 23 eram convertidos ao Anglicanismo.

Os 22 católicos foram beatificados por Bento XV e canonizados por Paulo VI em Outubro de 1964, pelo que na verdade já passaram 51 anos desde que são venerados como santos pela Igreja.

Não deixa de ser interessante ver porque é que foram mortos. Embora haja vários factores em jogo, incluindo a luta de influências entre católicos, anglicanos e muçulmanos, os historiadores e as testemunhas da época concordam que a razão imediata foi a recusa, por parte destes rapazes, de se submeterem aos desejos homossexuais do rei e dos seus aliados mais directos.

Numa época em que as sociedades procuram cada vez mais promover a homossexualidade como um algo completamente normal, esta visita do Papa de homenagem a quem preferiu dar a vida do que participar em actos dessa natureza, numa cultura em que as ordens do Rei eram inquestionáveis, dá certamente que pensar.

Contudo, também à outras leituras, que não são contraditórias. Da mesma forma que nos parece abominável que o estado mate alguém por se recusar a submeter-se a actos homossexuais, devemos achar abominável que actualmente, nalguns destes mesmos países africanos, a homossexualidade seja punida com pena de morte ou penas de prisão muito severas. Mesmo onde os homossexuais são deixados em paz pelo Estado, são sujeitos a perseguições populares. Tudo isto é também condenável aos olhos do Cristianismo.

Por fim, a questão da canonização dos mártires do Uganda tem também um toque de ecumenismo. Já em 1964 Paulo VI, quando canonizou os católicos, fez questão de referir os anglicanos que tinham morrido pela mesma razão, algo que Francisco não deve deixar passar em claro. Desses jovens, 22 eram recém-convertidos ao Catolicismo e 23 eram convertidos ao Anglicanismo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Vocação não = canonização

Papa Frank - Rock Star
No dia em que o novo governo tomou posse, D. Manuel Clemente não quis fazer comentários políticos mas disse que está disponível para ajudar a trabalhar pelo bem comum.

Já o Papa esteve em África onde falou da importância do diálogo inter-religioso para um “mundo ferido por conflitos”.

Mais tarde Francisco esteve com religiosos e religiosas. O Papa deixou de lado o seu discurso escrito e improvisou, dizendo que o chamamento não é o mesmo que a canonização. Tenho no blogue uma transcrição do discurso, feito na hora, pelo que terá alguns erros e falhas mas permite perceber o essencial do que Francisco quis dizer.

Logo a seguir o Papa foi à sede da ONU em Nairobi e falou sobretudo da questão ecológica, deixando algumas palavras fortes também.


As jornadas mundiais da Juventude vão ser em Cracóvia, como já se sabia, e esperam-se mais de dois milhões de jovens! Já estão confirmados sete mil portugueses.

O artigo desta semana do The Catholic Thing trata de uma praga do nosso tempo.Chama-se pornografia, está por todo o lado, e fere a dignidade de quem aparece,de quem produz e de quem usa.

Discurso do Papa improvisado aos religiosos no Quénia

Esta é uma transcrição integral do discurso improvisado do Papa em Nairobi no dia 26 de Novembro de 2015, no encontro com religiosos e religiosas. Foi feita "em directo", pelo que terá algumas gralhas ou falhas, mas apanha o essencial do discurso.

Seguir Jesus no sacerdócio ou na vida consagrada implica passar pela porta, que é Cristo. Ele começa e faz o trabalho. Há alguns que querem entrar pela janela, mas isso não serve. Por favor, se alguém tem um companheiro ou companheira que entrou pela janela, abraça-o mas diz-lhe que é melhor que vá servir o Senhor noutro lado, porque nunca vai concluir uma obra que não começou pela porta que é Jesus.

Isto tem de nos levar a ter consciência de sermos chamados. Eu fui olhado, fui eleito. Impressiona-me o início de Ezequiel XVI. Estrangeiros, deixados de lado, passei e carreguei-te comigo. Este é o caminho, esta é a obra que o senhor começou quando nos olhou. Há pessoas que não sabem porque é que o Senhor os chamou, mas sentem no coração que o Senhor os chamou. Devem estar em paz, porque o Senhor os ajudará a compreender para que foram chamados.

Há outros qe querem seguir o senhor mas por interesse. Lembremo-nos da mãe de Tiago e de João, que pediu para os filhos a maior fatia do bolo. Existe a tentação de seguir o Senhor por ambição, de dinheiro, de poder. Todos podemos dizer que quando comecei a seguir a Jesus isso pode-nos ter ocorrido, mas a outros ocorreu mesmo e pouco a pouco cresceu nos seus corações, como uma erva daninha.

Para quem segue Jesus não há lugar à ambição nem riquezas nem aspirar a ser uma pessoa importante no mundo. Seguimos Jesus nos últimos passos da sua vida neste mundo, até à cruz. Preocupem-se apenas em segui-lo até à Cruz, deixem-no preocupar-se com a ressurreição.

A Igreja não é uma empresa, não é uma ONG, é um mistério, o mistério do olhar de Deus sobre cada um. Ele diz: Segue-me. Que seja claro que se entra pela porta quando Jesus chama e não pela janela e segue-se o caminho de Jesus.

É claro que quando Jesus nos chama não nos canoniza. Continuamos a ser os mesmos pecadores. Continuamos a ser os mesmos pecadores. Peço, se há algum aqui, algum padre ou religiosa, ou leigo, que não se sente pecador, que levante a mão.

O facto de Jesus nos amar leva-nos em frente. Lembram-se de quando Tiago chorou? E quando chorou João? Não. E quando chorou algum dos outros? Não. Apenas um chorou, segundo o Evangelho, aquele que percebeu que era pecador, tão pecador que traiu o Senhor. Quando o percebeu chorou. Depois Jesus fê-lo Papa. Quem entende Jesus? É um mistério. Nunca deixem de chorar.

Quando um padre, religioso ou religiosa tem lágrimas secam, algo se passa. Chorar a própria infidelidade, pelo mundo, pelos descartados, os abandonados, os bebés assassinados, pelas coisas que não entendemos, chorar quando nos perguntam porquê? Nenhum de nós tem todas as respostas às perguntas.

Há um autor russo que perguntava porque é que as crianças sofrem, porque é que sofrem com doenças, cancros, tumores. Eu próprio pergunto porquê, não tenho as respostas, limito-me a olhar para Jesus. Há situações na vida em que não podemos fazer mais do que chorar e olhar para Jesus na Cruz. É a única resposta para certas situações na vida.

São Paulo dizia recordem-se de Jesus Cristo crucificado, quando um consagrado ou consagrada                                    É porque ele ou ela caiu num pecado muito grave, que Deus detesta, que o leva a vomitar, o pecado da tibieza, (da indiferença).

Irmãos e irmãs cuidem de não cair no pecado da tibieza.

Que mais vos posso dizer? Que levanto o meu coração a vós. Nunca se afastem de Jesus. Isto quer dizer que nunca deixem de rezar. Às vezes é difícil, ficamos cansados, com sono. Então durmam diante do Senhor. É uma forma de rezar. Mas fiquem diante do Senhor, não abandonem o lugar da oração. Se um consagrado abandona a oração a sua alma seca-se e mirra, como os figos que secam, são feios, não são atraentes. A alma de uma religiosa ou de um religioso, ou de um sacerdote que não reza é uma alma feia. Perdoem-me, mas é assim.

Deixo-vos com esta pergunta. Tiro tempo ao sono? Tiro tempo à rádio ou à televisão? Às revistas, para rezar? Ou prefiro-os? Ponham-se diante daquele que começou a obra e que a está a terminar em cada um. A oração.

Uma última coisa que vos quero dizer… antes de dizer outra… [risos] é que todo o que se deixou chamar por Jesus é para servir. Para servir ao povo de Deus. Para servir aos mais pobres, os mais descartados, os mais humildes, para servir os bebés e os idosos. Para servir também às pessoas que não estão conscientes da soberba e do pecado. Para servir Jesus. Deixar-se chamar por Jesus é deixar-se eleger para servir, não para ser servido.

Há cerca de um ano, num encontro de sacerdotes. Irmãs, estão safas… E durante os exercícios espirituais, cada dia havia um turno de sacerdotes que tinham de servir à mesa. Alguns queixaram-se. Não, nós temos de ser servidos. Pagámos e pagamos para sermos servidos. Por favor, nunca deixem isso acontecer na Igreja. Sirvam, não deixem ser servidos.

Senti tudo isto de repente, no meu coração, quando li esta frase de São Paulo. Aquele que iniciou a boa obra em vós completá-la-á no tempo de Jesus Cristo.

Um Cardeal idoso, com mais um ano do que eu, disse-me uma vez que quando vai ao cemitério, vê missionários, religiosos, que deram a sua vida ele questiona-se porque é que eles não são canonizados já amanhã? Porque passaram toda a vida a servir. Emociona-me quando falo às pessoas no fim da missa e há padres e freiras que trabalham há 40 anos num hospital num local difícil, toca-me no fundo da minha alma. Este homem ou mulher de Deus serve Deus, serve os outros e não se deixa servir.

Muito obrigado. Que Papa mal-educado? Deu-nos conselhos, deu-nos raspanetes e não diz obrigado.

É essa a última coisa que vos quero dizer. É a cereja em cima do bolo. Quero-vos agradecer. Obrigado por seguirem Jesus. Obrigado por cada vez que se sentem pecadores. Obrigado por cada carícia de ternura que dão a cada pessoa que precisa. Obrigado por cada vez que ajudaram uma pessoa morrer em paz. Obrigado por darem esperança à vida. Obrigado por deixarem ajudar e corrigir e perdoar todos os dias. Peço-vos que não deixem de rezar por mim, porque preciso.


Muito obrigado.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Papa em África, Bebé em Manjedoura

Away in a manger...
O Papa Francisco chegou hoje a Nairobi para o começo da sua primeira viagem de sempre a África. Falou de pobreza e de terrorismo naquele que é visto como um dos países mais estáveis de África.

Na antevisão da visita, um missionário português com larga experiência de África diz que o Papa deve ver o continente com os olhos do coração.

Começou ontem o processo Vatileaks II, sob protesto dos jornalistas acusados. O Padre Saturino Gomes, que trabalha na Curia Romana, lamenta que o caso coloque os restantes funcionários do Vaticano sob suspeita.

Um bebé foi abandonado na passada segunda-feira. Onde? Na manjedoura do presépio de uma Igreja em Nova Iorque.

O artigo desta semana do The Catholic Thing foca um dos grandes problemas espirituais do mundo actual. A pornografia é um dos factores que leva à dessacralização do corpo e, por extensão, da própria humanidade. Não perca o artigo do estreante Pe. John McCloskey.

Termino com um aviso. Amanhã é o lançamento do livro do meu amigo José Luís Nunes Martins: Os Infinitos do Amor. É às 19h no Teatro Nacional São Carlos, em Lisboa. Se puderem não deixem de ir.

Pornografia: A Nossa Maior Ameaça Espiritual

Pe. John C. McCloskey
Os bispos dos Estados Unidos reuniram-se a semana passada em Baltimore, para a sua reunião anual. Um dos tópicos que decidiram abordar este ano tem a ver com aquela que é talvez a maior e mais constante ameaça à saúde espiritual e física dos católicos americanos. Destrói casamentos, mata o estado de graça e, em muitos casos, acaba com possíveis vocações ao sacerdócio e à vida religiosa. É uma praga e chama-se pornografia.

A pornografia gera lucros gigantes para quem a produz e distribui comercialmente. Muita desta pornografia tem origem em Los Angeles e, infelizmente, espalhou-se não só por toda a nação mas por todo o mundo, dando credibilidade àqueles que, como os extremistas islâmicos, denunciam a decadência do Ocidente. Embora a pornografia seja sobretudo comercializada e vista por homens, um número considerável de mulheres também a vê por curiosidade e geralmente ficam enojadas, embora um pequeno número caia na armadilha de a usar também.

Escrevo este artigo enquanto padre que houve milhares de confissões todos os anos. Quando fui ordenado, a maior parte da pornografia consumida era entregue em casa das pessoas na forma de revistas. Hoje em dia, praticamente toda a pornografia está na internet, facilmente disponível para quem a quiser usar. Os homens viciados, só neste país, são aos milhões. Vivem num mundo de fantasia que é degradante tanto para eles como para as suas mulheres e namoradas.

O Catecismo da Igreja Católica diz-nos que os cristãos devem estar de prevenção contra a pornografia. Não só devemos evitar procurá-la e usá-la como devemos rejeitar qualquer imagem ou pensamento que nos possa surgir acidentalmente – por exemplo, quando vamos inocentemente ver um filme e somos apanhados de surpresa por uma cena de sexo explícita.

O que é que se pode fazer? Talvez os bispos tenham algumas recomendações “micro” para os indivíduos e outras “macro” para a sociedade em geral. A pornografia, como é evidente, e tal como outros tipos de pecado, não é nada de novo e provavelmente existirá até ao fim dos tempos. Contudo, a dimensão do problema e a dificuldade em evitar a contaminação, bem como a ameaça que coloca à inocência das crianças, é um produto sem precedentes do progresso tecnológico e da regressão moral do nosso tempo. É um bom sinal que a Igreja nos Estados Unidos esteja a debater esta matéria mortífera, que mata almas aos milhões tanto cá como no estrangeiro.

(Não é uma grande imagem, mas pesquisar por
pornografia no Google parecia-me contraproducente)
Todas as famílias católicas que querem educar crianças com um saudável amor pela bondade da sexualidade, da maternidade e do casamento devem fazer tudo ao seu alcance para manter as suas casas livres de pornografia. As instituições católicas de ensino, de todos os níveis, não devem faltar ao seu dever de pregar a beleza da castidade aos seus alunos, ajudando-os a compreender que a gravidade do abuso da sexualidade deriva do seu enorme valor para Deus e para a humanidade: A atracção dos homens e das mulheres um pelo outro, quando vivida de forma correcta, permite aos seres humanos participar no plano de Deus de conceber, carregar e criar a vida humana. Parte do plano de Deus para povoar os reinos celestes com almas salvas é a beleza do amor puro e do santo matrimónio que deriva deste amor.

Estou ansioso para ver a forma como os nossos bispos vão lidar com este assunto no futuro. Utilizar pornografia não só fere a alma mas transforma o utilizador num criminoso, que rouba algo que não lhe pertence. O consumo de pornografia leva muitas pessoas a ficarem viciadas e, tal como na maioria dos vícios, este geralmente leva o consumidor a ir aumentando as doses para alcançar os mesmos efeitos. Não admira, por isso, que o uso de pornografia possa, em alguns casos, levar a situações de violação e abuso de crianças.

Uma vez que o consumo da pornografia é frequentemente um vício e um pecado, o consumidor desta doença mortal para a alma deve não só confessar o seu pecado como ainda procurar auxílio profissional que possa ajudá-lo a libertar-se desta praga.

No que diz respeito aos métodos gerais, combatemos este tipo de pecado como combatemos outros. Começamos por confessar os nossos pecados e depois, em estado de graça, podemos receber a presença fortalecedora de Cristo na Eucaristia. A devoção à Santíssima Mãe é também uma grande ajuda no combate a todos os tipos de impureza. Devemos ainda ter o cuidado de evitar as ocasiões de pecado, instalando um filtro nos nossos computadores ou telefones para evitar aceder a pornografia. Outra dica útil é nunca usar um computador a não ser que esteja acompanhado por alguém na sala.

Estas são apenas algumas ideias que podem ser úteis para quem estiver apanhado por este tipo de comportamento pecaminoso. Acima de tudo, à medida que nos aproximamos do Jubileu da Misericórdia anunciado pelo Papa Francisco, que começa na festa da Imaculada Conceição, os utilizadores de pornografia penitentes, tal como qualquer outro, nunca devem desesperar da misericórdia e do perdão de Deus. Nunca devem perder a esperança na possibilidade de se conseguirem libertar desta escravatura, recorrendo à ajuda continuada da graça de Deus.


(Publicado pela primeira vez no sábado, 21 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

O Pe. C. John McCloskey, é historiador da Igreja e investigador não-residente da Faith and Reason Institute.

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Freiras e jornalistas em tribunal

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Continua a saga das freiras que não são bem freiras que terão abusado psicologicamente de noviças que não são bem noviças, num convento que não é bem um convento. Hoje foram presentes a tribunal, juntamente com um padre que, esse pelo menos, ninguém parece duvidar que é padre.

O Papa prepara-se para ir a África numa viagem de alto risco. Hoje enviou uma vídeo-mensagem aos países que vai visitar, dizendo que vai em nome da paz, perdão e reconciliação. Quarta-feira Francisco parte para o Quénia, daí visita o Uganda e depois a muito instável República Centro-Africana.

Quando partir para África, já terá começado o julgamento do caso Vatileaks II. Entre os acusados estão dois jornalistas italianos que são acusados no Vaticano de um crime que em Itália não o é, o que levanta toda uma série de questões e levou a OSCE a pedir o arquivamento do seu processo.

Há um novo bispo em Portugal. Durante o fim-de-semana, o Papa nomeou o padre Nuno Almeida, de Fornos de Algodres, para auxiliar de Braga. Conheça-o melhor aqui.

Por fim, durante o fim-de-semana vários líderes religiosos e figuras da sociedade civil e política encontraram-se na Mesquita de Lisboa para rezar pela paz, na sequência dos atentados de Paris.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mulheres mais sós, IPSS sem tolerância

Antes de mais, dois convites. Amanhã vou estar no Festival Literário Cristão, no Seixal, às 14h30 para falar sobre o meu livro “Que fazes aí fechada?” e no domingo vou para Peniche fazer mais ou menos o mesmo, no Centro Paroquial, às 16h. Apareçam se puderem!

A esquerda não perdeu tempo e aprovou esta sexta-feira a revogação às alterações que tinham sido feitas à lei do aborto no final da última legislatura. Trata-se de um passo atrás, considera o médico obstetra João Paulo Malta, que deixa as mulheres sozinhas numa altura em que precisam de apoio.

Também hoje foi aprovada a lei que permite a adopção por homossexuais. A esquerda já deixou claro que não vai permitir que as instituições cristãs invoquem objecção de consciência, o que é significativo tendo em conta que essas representam mais de metade das que trabalham na área. Será que vai acontecer como em Inglaterra, onde a Igreja Católica foi totalmente afastada dos processos de adopção? Os socialistas católicos dizem-se “envergonhados” com o seu partido. Eu sinto-me mais ou menos como o meu amigo Tiago Cavaco.

Mais um atentado, desta vez no Mali. Não é certo quantas pessoas morreram no assalto a um hotel de luxo na capital, mas já não há reféns no edifício. O ataque foi reivindicado pela Alqaeda.

O seleccionador nacional Fernando Santos foi entrevistado por Maria João Avillez sobre a sua relação com Deus. Diz-se um homem de fé movida a Eucaristia.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Freiras detidas, freira falecida e bomba Schweppes

Hoje é daqueles dias em que metade das notícias parecem inventadas…

Um padre e três freiras foram detidas no norte, acusados de maus-tratos e abusos psicológicos de noviças no mesmo convento onde há três anos apareceu uma noviça morta num poço.

Morreu uma das freiras que tinha ficado gravemente ferida na sequência do despiste da “bicicleta de 12 lugares do ano da vida consagrada”.

O Estado Islâmico mostrou fotografias da bomba que alegadamente usou para abater o avião russo. Consiste de uma lata de Schweppes!

E no meio disto tudo não é de espantar um missionário italiano na República Centro-Africana avise que há riscos realmente altos envolvidos na visita do Papa àquele país, agendada para o fim-do-mês. Amanhã poderá haver novidades sobre este assunto, já que a Santa Sé convocou uma conferência de imprensa para falar da visita.

Com os atentados de Paris a dominar as atenções do mundo mediático, ainda, temos neste momento em estúdio, aqui na Renascença, o presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdul Karim Vakil, que vai participar no debate de assuntos religiosos que vai para o ar na Edição da Noite, depois das 23h. Não percam!

Deixo-vos, entretanto, com o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Brad Miner parte dos eventos tristes de Paris do fim-de-semana passado para recordar como a sua visita àquela cidade anos antes o colocou no caminho da conversão ao Catolicismo.

Cristo entre a Tralha: Notre Dame Ontem e Hoje

Brad Miner
Ver a multidão a transbordar do Notre Dame de Paris, na vigília de domingo à noite pelas vítimas dos atentados terroristas, foi uma experiência emocionante. É fantástico como a proximidade do mal leva as pessoas a voltarem-se para Deus. Mas recordou-me de uma experiência pessoal de há muitos anos, que também conduziu a uma viragem espiritual.

Certo dia, em Agosto de 1968, estava a deambular pelas estradas de Paris. Tinha um quarto num hotel barato na zona de Saint Germain e não tive grande pressa em passear até à Pont Neuf para chegar à Île de la Cité e à Notre Dame.

Nessa altura da minha vida era apenas um universitário pagão. Tinha entrado em igrejas católicas um total de duas vezes, ambas em Ohio. A primeira foi a igreja do meu bairro, para a misteriosa Primeira Comunhão de uma colega da escola, bonita no seu vestido e mantilha brancos, pois isto foi antes do Concílio. A outra vez tinha sido há poucos meses, para uma missa no campus universitário a que a minha namorada católica me levou. Nem num caso nem noutro tinha prestado a menor atenção ao que se estava a passar, só estava interessado nas miúdas.  

As velas, as imagens e os crucifixos dentro da Notre Dame de Paris – a estranheza de tudo aquilo – ofendia-me, porque estava habituado à bruta simplicidade da igreja metodista da minha juventude, embora fosse, como se esperaria de um pagão, totalmente indiferente à piedade fácil protestante. Pensei que a Notre Dame era interessante do ponto de vista arquitectónico, mas demasiado requintada. Como é que se encontrava Deus no meio de toda esta tralha? Se é que havia um Deus para encontrar.

Mas havia mais, e eu sabia. Tinha lido que os arcos interiores góticos simbolizavam mãos em oração, e na catedral estavam imensas pessoas ajoelhadas a rezar, com os olhos postos no alto e, por todo o lado, uma sensação de deslumbramento que se sentia. Centenas de pessoas andavam de um lado para o outro em silêncio. Sabia que se estivesse com os meus amigos estaríamos quietos e em silêncio, como todos os outros, sem as palhaçadas irreverentes que de resto praticamente nos definiam. Sozinho, comecei a ficar perturbado por este deslumbramento. Nunca me tinha sentido tão pequeno. Há medida que a minha aflição aumentava, disse uma palavra ansiosa, quase como protecção contra o mistério: Jesus.

Virei-me para sair e vi pela primeira vez a janela rosácea. O sol do meio-dia atravessava-a – atrás de mim o som da missa a começar – Nossa Senhora com o menino Jesus, no centro, os vitrais dos seus 84 painéis a formar um caleidoscópio vertiginoso de apóstolos, anjos, ressurreição e inferno.

Saí apressado para a Place du Parvis (hoje Place João Paulo II), sentindo as gárgulas a observar-me enquanto corria de volta para a margem esquerda.

Passados uns dias, no comboio para Roma, dei por mim a pensar na minha reacção. Não acreditava em Deus, e pensava que a Igreja Católica não passava de uma gigantesca fraude, embora tivesse ficado bastante impressionado pelo estudo da Europa em Civilização Ocidental 1 e 2, em que a Igreja desempenhava um papel tão importante. Mas num trabalho (para o qual tive A-) tinha-me revoltado contra o catolicismo pela forma como tratou Galileu e o meu professor tinha escrito na margem: “Teria sido um A+ se não fosse o acesso de revolta anti-católica. Tenta ser objectivo, sempre.” Mais tarde, quando lhe disse que ia passar o Verão à Europa ele deu-me uma espécie de penitência, fez-me prometer-lhe que iria visitar todas as principais catedrais de Paris, Roma, Florença, Viena e Praga, embora duvidasse – não obstante os meus planos – que eu conseguisse entrar na Checoslováquia. Tinha razão. Dois dias antes da minha planeada viagem de Viena para Praga, 2000 carros de combate soviéticos e 200 mil tropas do Pacto de Varsóvia invadiram.

Janela rosácea de Notre Dame
Mas à medida que o comboio de Paris ia rolando para sul até Roma, meditei sobre o poder que a história e a literatura têm para nos cativar, mesmo quando nos convencemos que aquilo não tem nada a ver connosco. Esse verão representou, a meu ver, a minha emancipação de todas as amarras do passado e não fazia ainda ideia que Deus me estava a prender agora ao próprio objecto do meu desprezo.

Em Itália cumpri a minha obrigação de visitar a basílica de São Pedro e o Il Duomo de Florença, e em Viena fui ao Stephansdom. Numa paragem em Lausanne, na Suíça, até corri monte acima para ver a catedral de Notre Dame, visível da cidade (e cujo nome me tinha sido indicado por um transeunte), apenas para descobrir que se tinha tornado protestante no século XVI. Não tinha qualquer razão para ficar desapontado por isso, mas fiquei.

De regresso a Paris voltei para o Notre Dame. O cheiro de uma catedral católica é incomparável, não tem nada a ver com o cheiro fresco de pinheiros do protestantismo do Oeste americano. Sentei-me num banco e reflecti sobre aquela que continuo a considerar a maior igreja da Cristandade e tentei discernir os aromas: cera derretida, incenso, suor, lágrimas, suspiros, idade… Agora, em vez de “requintada”, a palavra que me surgia foi “antiga”. E lembro-me de pensar: O que é velho é novo.

Jean-Charles, o recepcionista do hotel, recrutou-me nessa noite para jantar com ele e duas raparigas que lá estavam hospedadas. Ele estava caído pela Ilke, que era alemã, deixando-me com uma mexicana morena e linda chamada Maria, que não falava uma palavra nem de inglês nem de francês. Elogiei-a pela bonita cruz de prata que usava ao pescoço. Através da Ilke, (que falava espanhol, para além de inglês, francês e alemão) ela corrigiu-me: “É um crucifixo”.

Corrigido estou.


(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 18 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Papa vai à sinagoga e dicas de presentes de Natal

Presentes de Natal!
O Papa Francisco vai visitar a sinagoga de Roma em Janeiro, como já fizeram antes dele os Papas Bento XVI e João Paulo II.

Está disponível o livro “Quero dizer-Te: Obrigado!”, um roteiro espiritual, que pretende ajudar doentes e os que cuidam de quem está a viver a última etapa da vida.

Enquanto prosseguem os desenvolvimentos à volta dos atentados de Paris, a comunidade muçulmana de França teme represálias e insiste na mensagem de que o Islão não tem nada a ver com aquilo.

Encontram-se em Lisboa dois irmãos cristãos da Palestina, que vêm vender artesanato produzido pela comunidade cristã de Belém. Os artigos estão à venda na entrada da Igreja dos Mártires, no Chiado e a sua compra é uma forma muito concreta de ajudar estes cristãos, que vivem situações complicadas.

O ano passado também cá estiveram e na altura entrevistei um deles. A transcrição integral dessa entrevista, muito interessante, está aqui e não perdeu nada da sua actualidade.

“Sem cristãos os lugares santos tornam-se apenas pedras e prédios”

Transcrição integral da entrevista feita a Nicolas, um cristão da Terra Santa que se encontra em Portugal para vender artesanato produzido pelos cristãos de Belém. A entrevista foi feita o ano passado, mas na altura não publiquei a transcrição no blog. Os artigos estão à venda na Igreja dos Mártires, no Chiado e é uma maneira concreta de ajudar os cristãos na Terra Santa, que tanto precisam.


Estás em Portugal, mas originalmente és da Terra Santa, não é?
Sim, da Terra Santa, da cidade de Belém.

Cidade essa que ganha uma importância muito especial nesta altura do ano...
Sim.

És cristão?
Sou cristão, católico.

Os cristãos em Belém têm noção do significado do sítio onde vivem?
Sim. Sinceramente, temos um grande valor. Porque vivemos num lugar muito importante, muito religioso, que se pode considerar um dos lugares mais sagrados do mundo, onde nasceu o nosso salvador Jesus Cristo, e temos um grande amor, grande fé, desse lugar, o único lugar que temos, na cidade de Belém.

Belém é governada pela Autoridade Palestiniana?
Sim.

Houve uma altura em que os cristãos eram maioria em Belém...
Sim. Éramos quase 60% de cristãos no território da Palestina, hoje em dia somos perto de 1%.

Com as guerras e acontecimentos no país ao longo dos anos muitos cristãos emigraram e foi afectando a população.

E em Belém em Particular?
São cerca de 50 mil habitantes, os cristãos são cerca de 25%.

Com a causa palestiniana cada vez mais focada em movimentos islamitas, os cristãos ainda se identificam com ela?
Continuamos sempre a fazer parte da situação do território, mas sinceramente, como minoria que somos já não temos muita voz nem muitas opções. Temos que ficar calmos e ter fé que um dia os problemas passam.

A maioria dos cristãos que saem vão para onde?
Em 1910, 1915, começaram a ir para a América Latina, por causa da perseguição dos turcos. Mas hoje em dia, onde tiverem acesso fácil, saem para a Europa, América, América Latina, porque vão à procura de uma vida melhor, segurança, paz, tranquilidade. Formar uma família sem conflitos nem problemas.

No teu caso, sais da Palestina para vir temporariamente à Europa. Mas depois voltas?
Muitas pessoas ofereceram-me estadia aqui, mas sinceramente a minha família depende do meu trabalho e gostaria de ficar, mas prefiro voltar para a minha terra, porque somos a pedra e o sal desta terra e sem cristãos os lugares santos, com tempo, tornam-se apenas pedras e prédios.

Prefiro ficar na minha terra, porque sou um da minoria cristã que fica na Terra Santa e a Terra Santa sem cristãos é um problema grande.

Tens irmãos?
Sim, somos dois rapazes e uma rapariga.

E o teu irmão vem ajudar-te nestes tempos em Portugal?
Sim, porque ele não tem emprego na Terra Santa, na parte da Palestina. Belém é como Fátima, vivem do Turismo, dos peregrinos, mas muita gente que escuta e vê na televisão acha que é perigoso, que não vale a pena ir, que tem bombas e essas coisas, e como o nosso petróleo é o fabrico de artesanato de madre-pérola e madeira de oliveira, por causa destes problemas muitos cristãos tiveram de fechar as suas oficinas e sair do país. Então nós, como vários cristãos que têm contactos noutras partes do mundo, tentamos trazer artesanato dessas oficinas para mover os seus produtos e assim eles ficam nas suas oficinas, com a esperança de ainda poder sobreviver.

Vocês aqui vendem artesanato, mas não produzem...
Não, só trazemos directamente das oficinas de Belém.

A tua irmã também está lá em Belém?
Ela está em Espanha, a estudar. Em Julho termina. Arranjou um diploma através da Universidade Católica, porque também não tem trabalho na nossa terra, mas assim que terminar vai voltar à cidade de Belém.

Os desenvolvimentos dos últimos anos têm tornado a vida mais difícil para quem vive destas actividades em Belém, não é?
Sim. Está muito difícil. É difícil falar de como está a situação. E na Síria e no Iraque ainda está pior, mas por exemplo Portugal teve guerra, problemas políticos, agora económicos, mas tem liberdade, paz e prosperidade. Nós na Terra Santa sempre tivemos problemas políticos, religiosos e económicos, há dois mil anos. Não sabemos o que é paz, nem prosperidade nem liberdade. Mas continuamos nesta terra. Viver na Terra Santa é ser um herói.

A principal dificuldade nos últimos anos tem sido o muro...
Sim, são quase 720 quilómetros...

Que divide territórios e impede a chegada de outras pessoas a Belém, não é?
Sim.

Como é que viveram a ida do Papa à Terra Santa?
No tempo do Papa Bento XVI, quando ele foi à Terra Santa em 2009, estive lá, e ele trouxe muita gente e uma mensagem. Mas com o Papa Francisco veio ainda mais gente e mostrou ao mundo que precisamos de paz, que não tem de haver muralhas, mas pontes e surpreendeu-nos ao parar diante do muro e rezar diante do muro. Com a sua mensagem deu-nos uma grande paz e ânimo para ficar nesta terra.

Os israelitas defendem-se, dizem que desde que construíram o muro que de facto diminuíram os ataques...
É preciso ver para crer...Eles dizem que baixou muito. Mas com a muralha há pessoas que têm terrenos do outro lado e já não podem cultivar, não podem construir. Dificulta muito o acesso. Como cristãos temos direito a ir ao outro lado duas vezes por ano, no Natal e na Semana Santa, a certas horas e em certas partes. É mais fácil para um turista conhecer a nossa terra do que para nós mesmos.

Estava a dizer que há muitos turistas que têm medo porque pensam que há instabilidade e bombas em toda a parte. Para quem pensa eventualmente ir visitar, o que tem a dizer?
Diria que não há essas coisas. Claro que acontecem, mas é longe. Nos lugares de turismo, de peregrinação, nunca aconteceram esses conflitos. Estive com grupos em Junho e Julho e não se passou nada. É seguro e recomenda-se. Recomendo muito, é uma viagem da vida, é onde nasceu a nossa religião e não é como parece nas notícias.

Como é que é o Natal em Belém? Claro que vão muitos turistas, mas para vocês, que tradições têm?
Há dois anos colocaram uma árvore de Natal na praça da Manjedoura, onde transmitem a Missa do Galo e deram um pouco mais de vida e de sabor à cidade de Belém, com mais decoração, mais luzes, uma vez que este lugar é a capital do Natal. Nós como cristãos temos a tradição de estar em família. Jantamos juntos e depois ir à missa, mas com poucos cristãos a tradição, a decoração, essas coisas, estão a perder-se um pouco cada ano.

Certamente têm vizinhos e amigos muçulmanos, eles respeitam os vossos festejos?
Respeitam muito, sim. Assim como nós respeitamos o Eid-al-Adha ou o Ramadão, duas festas muito importantes, cada um respeita o dos outros.

Há quantos anos vem a Portugal vender estes produtos?
Há quase cinco anos, de Novembro a Dezembro.

Vale a pena?
Vale. Eu diria que vale a pena porque conhecemos melhor os países, vendemos os produtos das oficinas de Belém e gosto muito do país. Também não tenho outra opção.

Consegue dinheiro pelo menos para pagar as viagens?
Sim. Como trazemos as coisas directamente das oficinas e não da loja, o preço é acessível e são coisas de artesanato e religiosas e coisas de que os portugueses muito gostam, como presépios, cruzes, terços.

Há quanto tempo é que a sua família é cristã?
Essa é uma pergunta que nos fazem muitas vezes, porque trabalho como guia em Belém e muitas pessoas pensam que não há cristãos, pensam que só há judeus e muçulmanos, mas a minha família, toda a vida foi cristã. Não é como noutros países onde se pode trocar de religião, lá isso não acontece, por tradição e por cultura. Toda a vida fomos católicos, desde a altura de Jesus.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Teremos sempre Paris...

Quem diria que seria má ideia...
Paris. Paris. Paris. É tudo do que se tem falado nos últimos dias, naturalmente. O Papa falou de Paris. O Patriarca falou de Paris. O Cardeal de Paris, obviamente, falou de Paris. A comunidade Islâmica de Lisboa falou de Paris. A Ajuda à Igreja que Sofre reza por Paris no domingo. A paróquia de São Nicolau fá-lo na quinta.

Tão ocupados que estávamos com Paris, nem notámos, muitos de nós, que acabou no domingo a semana dos Seminários. A esse propósito falei com o padre Fernando André, reitor do seminário Redemptoris Mater de Lisboa, um seminário gerido pelo Patriarcado, mas que é diferente. Veja porquê.

Na semana passada publicámos ainda uma entrevista com João Reis, responsável da Catholic Voices, uma organização que pretende ajudar a imprensa a lidar com questões que dizem respeito à Igreja Católica. Este é um projecto que vale a pena ter debaixo de olho.

É daquelas pessoas que gosta de começar o dia lendo o horóscopo? Pope Francis says No.

Malta que vive no Oeste. Domingo às 16h estarei no Centro Paroquial de Peniche para apresentar o meu livro “O que fazes aí fechada”. Nada como começar já a tratar dos presentes de natal! Apareçam!

Por falar em consagrados… A iniciativa da bicicleta de 12 lugares do Ano da Vida Consagrada sofreu um despiste, hoje, que resultou em cinco feridos, incluindo dois em estado grave.

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, em que o estreante David Carlin fala do “projecto para destruir o Cristianismo”, que já contou com armas e nomes de peso mas só há 50 anos descobriu o seu verdadeiro trunfo.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Gato de Cheshire

David Carlin
O projecto para destruir o Cristianismo está em curso há mais de três séculos, mas foi só nos últimos 50 anos que os anticristãos descobriram a sua arma mais eficiente.

Este projecto teve o seu início cerca do ano 1700 com o aparecimento do deísmo como alternativa ao Cristianismo. Surgiram umas quantas variedades de deístas. Alguns (por exemplo Voltaire e Tom Paine) detestavam o Cristianismo. Outros (como Jefferson e Kant), não odiavam o Cristianismo, simplesmente consideravam-no um sistema de crenças inferior, um sistema que contém alguns belos princípios morais, mas também algumas superstições perniciosas. Voltaire tentou destruir o Cristianismo (apelando à eliminação “da coisa infame” – Ecraszez l’infame) fazendo troça dele, como no seu Dicionário Filosófico. E como era um homem com grande sentido de humor, até teve um certo sucesso. Jefferson tentou destruir o Cristianismo mostrando o quão porreiro Jesus era, desde que a sua imagem pudesse ser libertada das muitas superstições adicionais que os cristãos tinham afixado nele, como quem coloca decorações numa árvore de Natal. Vejam, nesse sentido, “A Vida e Moral de Jesus de Nazaré” que é, literalmente, uma edição de corta e cola do Novo Testamento.

Este tipo de ataque levou algumas pessoas a abandonar o Cristianismo, mas não muitas. Para ser afectado por críticas destas era preciso ler livros, e lê-los com alguma atenção. Por outras palavras, era preciso ser intelectual ou semi-intelectual.

Na segunda meta do século XIX surgiu outro grande ataque ao Cristianismo. Desta vez os anticristãos usaram a teoria de Darwin da evolução das espécies, a filosofia do agnosticismo de Spencer e a história crítica alemã da Bíblia para bater na velha religião. Mais uma vez, tratou-se de um ataque bastante intelectual, que apelava a pessoas que liam livros e artigos de revistas sérias. Contudo, devido ao grande crescimento da prosperidade económica durante o século XIX, o mundo tinha muito mais intelectuais e semi-intelectuais do que no século anterior. Por isso este ataque produziu muito mais deserções do Cristianismo. Não obstante, o Cristianismo continuaria, de longe, a ser o sistema de crenças dominante do mundo ocidental.

Um dos efeitos secundários deste ataque da era vitoriana foi o protestantismo liberal, que acreditava estar a adaptar o Cristianismo para o tornar mais apetecível ao homem moderno, mas que acabou por conduzir, nos primeiros sessenta e tal anos do século XX, a um grande número de deserções, algumas inconscientes, do protestantismo clássico. Um protestante liberal podia abandonar um após outro os artigos do Credo tradicional, tal como o nascimento virginal, a divindade de Cristo, a expiação e a Ressurreição, enquanto se continuava a apelidar de cristão e acreditar, mais ou menos honestamente, que o era. (Outro efeito secundário foi o Modernismo Católico, mas isso foi morto à nascença por Pio X).

Mas o maior golpe contra o Cristianismo, o golpe que parece ter sido em grande medida bem-sucedido no objectivo de reduzir o Cristianismo a um estatuto minoritário no mundo ocidental, foi a revolução sexual, que começou na década de 60. Não era preciso ser um intelectual ou um semi-intelectual para se participar na revolução sexual. Não era preciso ler livros ou artigos de revistas nem participar em conferências chiques.

O gato Cheshire e o lema do Ocidente
Bastava cometer aquilo que o mundo cristão até então tinha chamado um pecado sexual e ao mesmo tempo sentir que o que tinha feito, longe de ser um pecado, era de facto um gesto bom. Nem sequer era preciso cometer este pecado pessoalmente, bastava dar a sua aprovação ao pecado em geral. A revolução foi só em parte uma alteração em grande escala do comportamento sexual. Em maior medida constituiu uma mudança na avaliação moral do comportamento sexual, transformando os sinais negativos em positivos.

Claro que o protestantismo liberal (a que se juntou, depois do Vaticano II, o Catolicismo neomodernista que tinha recuperado do golpe aparentemente mortal que lhe tinha sido infligido no início do século XX por Pio X) fez aquilo que faz melhor e disse que se podia ser um cristão mesmo enquanto se repudiava a moral sexual que remonta aos primórdios do Cristianismo. Num acto incrível de auto-ilusão, muitos protestantes e católicos conseguiram mesmo convencer-se de que isso é verdade. Mas este tipo de ilusão tem pouco poder de permanência. É tão claramente ridículo que não é o género de coisa que possamos passar a gerações futuras.

Vivemos numa era em que o Cristianismo, tal como o Gato de Cheshire – de Alice no País das Maravilhas – está gradualmente a apagar-se na maior parte dos países mais desenvolvidos do mundo. O Gato de Cheshire deixou apenas o seu sorriso. O Cristianismo liberal, seja protestante ou católico, também está a deixar para trás o que parece ser um sorriso, um sorriso que diz, “sou um grande fã de Jesus, o tipo porreiro cuja mensagem intemporal se resume às magníficas palavras, ‘não julgues para que não sejas julgado’”.


David Carlin é professor de sociologia e de filosofia na Community College of Rhode Island e autor de The Decline and Fall of the Catholic Church in America

(Publicado pela primeira vez no sexta-feira, 6 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Papa e o veneno no Prato


Santos da Ordem Dominicana
O Papa Francisco passou o dia em Florença. Na visita à localidade de Prato criticou o “cancro da corrupção e o veneno da ilegalidade” e depois, ao clero italiano reunido apresentou Cristo como modelo para um novo humanismo.

Durante o passado fim-de-semana os dominicanos reuniram-se em Fátima, onde começaram a assinalar os 800 anos da fundação da Ordem dos Pregadores.

O Parlamento iraquiano aprovou uma lei que discrimina ainda mais os cristãos naquele país. Em resposta o Patriarca da Igreja Caldeia ameaçou com o tribunal internacional e diz que os deputados estão a contradizer o próprio Alcorão.

Para quem estiver pelos lados da Baixa de Lisboa, amanhã estarei na loja da Alêtheia, na Rua de O Século, perto da Calçada do Combro, a partir das 13h, para falar do meu livro “Que Fazes Aí Fechada”. Apareçam!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Patriarca deixa recados para a esquerda

Igreja de Santo António, é muito fácil ajudar
O Papa Francisco garantiu este fim-de-semana que a reforma da Cúria Romana vai continuar, não obstante o recente escândalo de divulgação de documentos secretos.

Neste momento decide-se o futuro do actual governo, mas já há projectos de lei para serem discutidos em breve, incluindo de adopção por pessoas do mesmo sexo, porque obviamente isso é que são as grandes prioridades do país. D. Manuel Clemente, não deixou de referir o assunto no seu discurso desta tarde, na reunião da CEP, em Fátima.

Uma boa notícia do Iraque (e como são raras!)… 37 cristãos, sobretudo idosos, foram libertados pelo Estado Islâmico. Não se sabe se foi pago resgate ou não. Estado Islâmico esse que, mais uma vez se soube, “vende mulheres como escravas”.

A Igreja de Santo António precisa de ajuda e de fundos e é muito fácil contribuir para isso. Saiba como aqui.

E por fim, houve um encontro ecuménico jovem em Castelo Branco, este fim-de-semana, saiba como correu.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Quando a comunhão é um perigo para a saúde

Hóstias sem glúten
Muito se tem falado recentemente sobre o acesso à Eucaristia de pessoas neste ou naquele estado. E aquelas pessoas para quem comungar é um perigo para a saúde física? A Renascença falou com celíacos e pessoas com alergia ao glúten e mostra-lhe quais são as alternativas existentes.

O Papa fez hoje duas importantes nomeações episcopais. Saiba quem são os novos arcebispos de Bruxelas e de Barcelona.

Ontem dois dos links foram trocados. Nomeadamente, o do discurso do Patriarca no ACEGE e das dioceses do sul que querem apostar no caminho de Santiago.


Por falar neste tema, vem a Portugal o presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para estudos sobre o Matrimónio e Família, padre José Granados. No dia 13 de Novembro dá uma conferência sobre Família: Problema ou solução? E no dia 14 de Novembro dá uma formação durante todo o dia sobre Família: Fundamentos antropológicos, missão e vocação. 




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tratar os empregados como família e conselhos para CPM

Remember, remember... Martyr
Já são conhecidos alguns dos detalhes dos dois livros que revelam escândalos sobre o Vaticano. Há uma coisa importante a recordar… É que neste caso, os escândalos só vieram à luz do dia por causa da reforma interna que está a ser feita, o que não deixa de ser um bom sinal.

O Papa Francisco avisou as famílias que não se pode viver (bem) sem se perdoar.

Já hoje D. Manuel Clemente disse aos gestores cristãos que devem tratar os seus trabalhadores como se fossem a sua própria família. Um desafio, certamente.


Atenção a todas as pessoas envolvidas em cursos de noivos ou CPM, não percam o artigo desta semana do The Catholic Thing, com conselhos e recomendações muito práticas para quem prepara jovens para o casamento.

Hoje publiquei a transcrição integral da entrevista que fiz ao bispo nigeriano de Zaria, que sobreviveu a um atentado do Boko Haram. Vale bem a pena ler, para perceber como vivem os cristãos naquela região.

Deixo-vos por fim com uma recomendação e um aviso. Chegou-me à atenção uma livraria online dedicada só a livros católicos. Visitem a Livraria Filoteia, também no Facebook, para ver os melhores livros da milenar tradição da Igreja Católica - Stª Teresinha, S. Josemaría, S. Francisco de Sales, S. Luís de Montfort, Tomás de Kempis e outros.

E na segunda-feira, dia 9 de Novembro, estarei às 18h30 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para falar dos desafios à Liberdade Religiosa. Apareçam, se puderem. 

"When I got home, my cassock was covered in blood"

This is a full transcript of my interview with bishop George Dodo, of Zaria, in northern Nigeria. The bishop speaks of life under the threat of Boko Haram, how he survived an attempt on his life in 2012 and also about the problem of polygamy in Nigeria. The news story, in Portuguese, can be read here.

Your diocese is one of the ones which suffers with the rebellion caused by Boko Haram. Geographically, where is it situated?
It is situated in the North. If you are familiar with Kaduna, which was the headquarters of the Northern Region, when the British colonized Nigeria, and is now the state capital of Kaduna State. Zaria is a little bit North of Kaduna.

Being in the North, the majority of the population is Muslim?
Yes.

Are most of the Christians originally from there, or mostly from the South?
It is a little bit cosmopolitan. While Muslims had the majority in the North, Kaduna, in particular , is the home of almost everybody in Nigeria, it is a smaller cosmopolitan city.

How exactly have the actions of Boko Haram affected your daily life and that of your faithful?
In terms of security, some people have had to relocate, so there is emigration out of the state, from Zaria in particular to places which are considered safer. This was noted especially in the last quarter of last year, up to when the elections were conducted last year until the elections were conducted on the 29th of May. At that time the fear of the unknown, in terms of the state of insecurity, followed by the kind of statements which came from the supporters of the present ruling party, with such utterances as "If Buhari doesn't win we will make sure we slaughter all of you", and considering what had happened in the past, a lot of people from the Southern part of the country thought it was better for them to go to where they feel safe.

At that time, I think practically every church worshipping community lost about 50% of its members. That is one aspect.

The economic life of the people has also been affected, because the people can no longer sell their goods, it means economically it is affecting the social life. Whereas people would sometimes go out in the evenings to relax, there have been instances where in the course of relaxation a bomb explosion goes off and lives are lost, so that has also affected the social life of the people.

In terms of education, a lot of schools barely managed to survive, because in tertiary institutions students felt it was better for them to remain where they feel safe, in the elementary, primary and secondary levels of education, parents would withdraw their children and take them to where they felt they were safer, so that has also had its own affects on the people.

In terms of worship, when it is time for worship, especially on Fridays and Sundays - Fridays for Muslims, Sundays for Christians - you have to have a security presence and while you are worshipping there is security outside, just to make sure nothing ugly happens. This has had a serious adverse affect on the generality of life in the Northern part of the country.

You mentioned "ugly things" happening... You had a very close experience with that yourself...
Yes I did.

It happened on a Sunday morning, 17th of June, 2012, the eve of my ordination anniversary. I was actually celebrating the second mass of the day, we started at 8h and somewhere around 8h30 or 8h45 we heard a very unusual sound, "boom", and the whole church was thrown into darkness. You could only feel electrical fittings from the ceiling falling down on us.

I think I must have blacked out at the time, so when I regained consciousness, all the alter servers were around me, asking me if I was ok. It was then that I became conscious again and said that I was ok. They said that it was not safe for me there, and that it was better for me to go out.

The sound was from a bomb explosion. When the dust that had been raised as a result of the explosion finally settled I could see through the windows that there were flames rising up to the roof of the building, and of course thick smoke. Then I heard parishioners saying "suicide bombers, suicide bombers".

What happened was that the suicide bomber had actually come in a car, heavily loaded with explosives. We had trained some of our young people to make sure that whoever was coming to these places of worship were properly screened. So they wanted to inspect the car, but the man said no, that he had an urgent message for the priest in the cathedral. So they said "ok, we don't dispute that, but nobody goes in here without us checking".

So I want to believe that the bomb must have been timed and he realised that he was wasting time, so he made as if he was reversing - even though he pretended to be a learner, with a capital L hanging on the car front and back - and then he came back at full speed, thinking he would just knock the gate off and get into the cathedral. But unfortunately for him that didn't happen, because the gate was solid, and the pillar on which it was hanging was very solid. So he hit the pillar and the explosives went off there and then.

I was reluctant to go out until I was dragged, and was trying to reach the commissioner of the police, but the number wasn't working. I was trying to reach the Governor, but the number wasn't working, I tried to reach some other security people but the numbers weren't working, until one parishioner, who happened to be working with the state security services introduced himself, he said bishop, this place is not safe for you, I am a security man, come, let’s go, I will go to my office and report what's happened.

So they dragged me out and then people came and told me there are dead bodies of our young boys, so I couldn't reach the place immediately, because of the fire, so only when everything started subsiding did I go and there were three of our young worshippers lying down, who were actually trying to check the vehicle.

So by the time one of the boys realised, and shouted "suicide bomber, everybody lie down", the bomb had exploded. These were the ones who died immediately.

At the end of the day, that very day, there were 13 dead bodies taken from the place. The motorcyclists who do that for commercial purposes, we tried to beg them to help us evacuate the wounded, to take them to the hospital, but they wouldn't even help. Instead they were sitting on their motorbikes, hands folded, and laughing. So it looks like they knew what was going on and were happy with what had happened and I was made to understand that in some parts of the town some of the supporters of the terrorists had gone into celebration because they had succeeded in reducing our number, including the big shot among them, who was inside the church. But unfortunately, when they started hearing my voice again, on the electronic media who were interviewing me, they knew that I was not dead, and so there was nothing for them to celebrate.

From this story you are telling me I get that this is not only a problem with some extremist elements like Boko Haram who are targeting Christians; there is a more general problem between the Christian minority and the Muslim majority. It may not be everyone, but there seems to be some members of the Muslim population who as you say were rejoicing with these acts.
Yes. Those who are not happy with the presence of Christianity, possibly they would celebrate in that sort of a situation. And you know, because of the frequency of the eruption of violent crises, in the Northern part of Nigeria, the sense of mutual trust between the Christians and the Muslims, which we had when we were growing up has more or less been destroyed.

Because when that happened, another church which is very close to the house where I was living, which is a Protestant church, was bombed within an interval of five minutes, and then in the city of Kaduna another Pentecostal church was bombed. So the youths, when they heard what had happened in Zaria, with the information that I had been killed, just went on a rampage.

You mean the Christian youth...
Yes.

So there was revenge.
It was a reprisal attack.

When you hear about these reprisal attacks, and there have been others, what do you say to your faithful?
We try to teach our people not to go on revenge missions. We understand life is sacred, at all costs. Even on the day we were bombed I was trying to save lives. When I got back to my house my cassock was soaked in blood. One young boy, I don't know where he came from, but he happened to be a Muslim, as soon as people saw him coming out of the Church they stormed at him. I said no, the most you can do is hand him over to the security, so I embraced him, trying to shield him and protect him, but because of the sort of beatings and stones used on him, he sustained some injuries and was bleeding. That is how my cassock was stained in blood.

Then I left again, because some people were already weeping because they had heard that I was dead. The security came and dragged me, saying that they could not control the crowd. I told them to let me go so that they could see my face, so that they would know that I was fully alive. So I left the boy in the hands of some young people and I showed him the security van was there, and I went to show my face to the people who were mourning and wanting to go on rampage, but I said "No. Just keep your calm, I am alive".

When they saw the blood they supposed I had been seriously injured, but I said "No, its not my blood. Its the blood of a young man I was trying to save. Now that you have seen my face, please listen to instructions from the security people, on the preventative measures you have to take in a situation like this. Because you never can tell."

I later realised that there were some individuals who had also come with explosives, but unfortunately for them they were identified. What happened is left to be imagined, because in that kind of a situation, emotions usually take the place of common sense and reason.

Your grace, this was in 2012, since then there has been a concerted effort with neighbouring countries to try and wipe out the threat of Boko Haram. It has been presented by the government as working, and being successful, do you agree? Has the situation improved on the ground?
I think to a certain extent I would need to congratulate the government, because they have been able to demystify the mind-set of the Boko Haram people. Initially, when this started, it was like they were invisible human beings. It was not until concerted efforts began to yield good results and they started arresting some of them, who in the course of interrogation would also reveal certain information to the security people. So it was at that level that demystifying the belief that they were invisible people began to take place.

Now the present government has been able even to go into the forest, which has been their major hideout, or enclave, where they sit, plan and go out to execute. And possibly, whoever has been there suppliers and financiers, the ammunition that they use and the resources they use to pay themselves and others to go into destructive mentalities. That was a no-go area, but thanks be to God, with the present government, and I want to believe, that the previous government which was replaced on May 29th started making the moves and advancing money for the supply of modern weaponry, now some of those things have started arriving and that has allowed the Nigerian military to really hit the Boko Haram people hard.

They are able to get into the forest and kill some of them, and some of them scatter. They have been able to recover many of the towns and suburban areas which had been under their control. So that shows that there is some success being achieved in the war against the insurgency.

Recently a Nigerian bishop floated the idea of an amnesty for fighters, to try and draw out those who are not convinced by the ideology and weaken Boko Haram. Do you agree with this approach?
Forgiveness is God's grace, or divine gift, and especially beneficial for those who realise their actions probably are misguided and have very deep regrets for whatever they have done in the past. And deep down in them there is this resolution never to allow the past to repeat itself, either in the present or in the future. Whenever these people are identified and you can see this kind of remorse in them, I wouldn't say no to that.

But to grant amnesty people have to make themselves identifiable. Then you know who you are talking to. But for an enemy whose face you do not know, how can you talk about amnesty?

It is when you see the face, and you are able to talk face to face, that you are able to see, from the body language, and movement, and gestures, whether this person really deserves this amnesty you are talking about. I know that in Nigeria some people have tried to equate the request for amnesty for Boko Haram with what happened with the militants in the Niger Delta. Destruction of human life is destruction of human life. But the scenario, I think, is a bit different. With the Niger delta militants, you are dealing with people you know. You know their faces, you can call their name, you know where they come from, you know who their parents are, and you can sit around a table with them. That is a different scenario compared to Boko Haram, whose faces you do not know, you don't know who is their mastermind, who is their leader, except video clips you can find on the internet. Apart from the face of Shekau, who has always been in the newspapers, who else, can somebody confidently say is a Boko Haram person?

That is why at the beginning I said they are a kind of invisible people. So if you want to talk about amnesty, which will be the fruits of an initiative towards dialogue, dialogue to be able to understand and then to find a common path, that will lead to a resolution. If you don't have that kind of person, how can you talk about amnesty?

I'd like to ask a couple of questions, changing topic, about the Synod for the family. We hear a lot about polygamy as a specifically African problem, is this a case in Nigeria?
There are two categories of polygamists. One category is those who embraced Christianity after they were already in polygamous marriages, but normally the stance of the Church will have been explained to them, and many of them understood it and, because they really wanted the sacrament, discussed it amongst themselves, the husband and the number of wives he has and once they reach that conclusion that they are all eyeing for heaven, and if this will stop us accepting this other way, then you choose whatever you wish. To have your marriage blessed in the church, we will stay for the sake of our children, no marital relations between us again, we are staying. And whatever the husband is able to contribute he does. There are situations where the husband still gives something for the upkeep, and they are happy with themselves.

Then there are those who I call deliberate polygamists. They are the ones who have been in the Church even a long time before they got married, then, for reasons best know to them, one of which would be that because my wife has only given birth to female children, and in my own culture my house is not complete unless I have a male child to inherit whatever I leave behind and carry on my family name, that has forced some people to go into a second marriage, to become polygamists, and that keeps them from the sacraments.

But there are those who accept that, whether it is a male or female child, a child is a precious gift from God, and there is no amount of money in this world which can buy one. So they find themselves in this situation, they are kept away from the sacraments, it is a free choice, but an unfortunate one.

But it is not something commonplace, no. So the people I really have sympathy for would be people who were polygamous before Christianity met them, and they have that difficulty, because you find some where the husband says that if that is what the Church wants, and I know in conscience that I have never had any quarrel with any of these women, none of them has offended me, and I have offended none of them, how can I just tell them to go?

Instead of offending their conscience and telling somebody to go, they will simply remain like that. I would hope that one day the Holy Spirit will reveal something to the church to handle these cases of polygamy. But for those who know what it is, and on the day they married their first wives knew the commitment they were getting into, just for social and cultural reasons, now say they are going to break that commitment, there is something wrong somewhere along the line.

How many generations back did your family embrace Christianity?
My father became a Christian when he was a young adult, so in my own village he is the first generation of Christians.

Bishop Dodo visited Portugal at the invitation of the local branch of Aid to the Church in Need.

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