terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os temas do Sínodo e Cavaco pela Caminhada (o fixe)

Em breve numa declaração de IRS perto de si...
Aproxima-se o sínodo sobre a Família e ao longo destes dias publicaremos várias reportagens sobre o assunto. Hoje, fique a par dos principais temas que irão ser discutidos no encontro dos bispos.

Mas nem só de bispos se faz este encontro! Saiba o que faz um casal brasileiro no Sínodo para a Família!

E por falar em Família, D. Antonino, bispo de Portalegre e Castelo Branco, vê com bons olhos a inclusão de “avós” a cargo das famílias na declaração do IRS.

Por fim, o Papa Francisco chamou a Roma os núncios apostólicos dos países do Médio Oriente, para falar sobre a ameaça apresentada pelo Estado Islâmico.

E não deixem de ver o vídeo de Tiago Cavaco, de apoio à Caminhada pela Vida! Ele considera que há causas que exigem que saíamos da nossa “zona de conforto”. E você? Está pronto a largar o conforto da sua “vidinha” para caminhar em defesa da VIDA?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Portugal v. Estado Islâmico

Antes de mais nada, faltam poucos dias para a Caminhada Pela Vida. Esta semana começaram a surgir vídeos de apoio de figuras da sociedade civil. Fernando Soares Loja, da Comissão da Liberdade Religiosa e Eugénio da Fonseca, da Cáritas querem-no lá. Eu também. Precisa de mais para o convencer? Mais terá, nos próximos dias.

Quem também deu o seu apoio foi a organizadora da Marcha Pela Vida, nos EUA, o maior exemplo deste tipo de iniciativa. Há jovens nas ruas a distribuir panfletos e pessoas a preparar faixas e cartazes. Não fique em casa!

Portugal anunciou que vai participar na coligação contra o Estado Islâmico. Independentemente da insignificância material do apoio, pelo menos não ficamos calados!

Em Hong Kong houve manifestações pela democracia que se tornaram violentas quando as autoridades entraram em acção. Ao lado dos manifestantes estava um octogenário que é também arcebispo emérito e cardeal e que diz ao regime que não quer ser escravo.

Do fim-de-semana fica o encontro do Papa com avós e outras pessoas de terceira idade, incluindo o Papa emérito Bento XVI.

As IPSS ligadas à saúde estão em Fátima e sugerem fornecer médicos de família aos cidadãos das zonas mais “deprimidas”, nas palavras do padre Lino Maia.

E, por fim, o director da Sala de Imprensa da Santa Sé diz que a demissão do bispo no Paraguai não é um caso de perseguição ideológica, nem se deve principalmente ao facto de ele ter sido acusado de encobrir e promover um padre acusado de abusos sexuais.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Mais um padre vítima de ébola

Padre García Viejo, vítima de Ébola
Morreu mais um sacerdote espanhol, vítima de ébola. Mais um que pagou o maior preço pelo serviço aos pobres e necessitados. “Tudo o que fizeste ao mais pequeno dos meus irmãos…”



A semana passada entrevistei a secretária de Estado da família e da juventude da Hungria, sobre as medidas e políticas familiares de um governo que conseguiu aumentar, em pouco tempo, a taxa de natalidade. Podem ler aqui a transcrição completa da conversa.

Por fim, chamo a vossa atenção para a realização da seguinte conferência: “O Sínodo na Igreja – perspectivas histórica e teológica”, a realizar em Lisboa (Auditório da Igreja do Sagrado Coração de Jesus), a 26 de Setembro, e em Torres Vedras (Auditório do Centro Pastoral), a 3 de Outubro, das 21h30 às 23h00, com a intervenção dos Professores Pe. David Barbosa e Borges de Pinho (UCP), que deve ser do maior interesse de quem pretende colaborar com o processo do sínodo diocesano.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Clima de Guerra, de Espanha ao Paraguai

Num gesto raro, o Papa Francisco “demitiu” hoje um bispo do Paraguai. É um caso que promete dar que falar e que envolve tanto a questão de abusos sexuais como a “guerra” entre liberais e conservadores.

Em Espanha também há guerra, mas os protagonistas são outros. De um lado o movimento pró-vida e do outro o PP de Mariano Rajoy, que traiu os seus compromissos eleitorais e abandonou a reforma da lei do aborto.

Este facto só prova que esta é uma batalha que não pode ser deixada apenas nas mãos dos políticos. Dia 4 estaremos na rua para, em ambiente de festa, recordar que a luta pela vida não é um combate político mas social e que não queremos só mudar leis, queremos tocar corações e mudar mentalidades. NÃO FIQUE EM CASA! Aqui está uma imagem que pode adoptar como foto de perfil no Facebook e outras redes sociais. Eu já o fiz.


Ontem escrevi que o Estado Islâmico tinha ameaçado decapitar um refém francês. Mal o fiz surgiu a notícia de que ele já foi morto. Que descanse em paz. Entretanto hoje temos informação sobre como os militantes do Estado Islâmico treinam crianças, obrigando-as a matar ou torturar um preso para se “formarem”.



Termino com um aviso. Quem estiver interessado em fazer uma pós-graduação sobre gestão e administração de organizações religiosas, pode encontrar aqui todas as informações necessárias.

Hungary boosting birthrate with pro-family policies

Kormany.hu
Full transcript, in the original English, of interview with Katalin Novak, Hungarian minister of State for Families and Youth. News story, in Portuguese,here.

Transcrição integral da entrevista com Katalin Novak, secretária de Estado da Família e da Juventude da Hungria. Reportagemaqui.

You are in Portugal to receive an award; can you tell us exactly what this is about?
The award is for the Hungarian government, because we run a programme which is called the Elizabeth programme, which is a social tourism initiative.

From a non-state budget, there is a social tourism programme for 1% of the Hungarian population. This means that children, people, families, elderly people from underprivileged social situations can go for a low fee to Lake Balaton for a summer camp, at three euros a week.

This is a social tourism system which was awarded now by the European Large Families Association, which meets for a congress every second year, and are currently meeting in Cascais.

This is one policy, are there more examples of family friendly policies in Hungary?
Yes, of course. One important example is the creation of this secretariat of State, which is only responsible for families and youth. We are dedicated only to families and we are currently facing a demographic situation which is similar to the one in Portugal. We are fighting these challenges, promoting family values and strengthening families, through measures which give more income to families, or leave more income in their pockets, on one hand, and on the other hand we are trying to change people's mind-sets, towards really appreciating the values of the classical family models.

Leaving more money in their pockets, does this mean tax cuts for people with large families?
Exactly. There is a new tax reduction system. After the first and second child it is more moderate, but after the third it is quite a large tax reduction.

There are also more measures concerning the family allowance system. We try to make it easier for mothers to decide if they want to stay at home with their children, because in Hungary maternity leave is quite long, up to three years. But for our economy it is also positive if mothers who are about to go back to work don't have to choose between staying at home forever with the children or going back to work. Before they didn't get child care allowance if they went back to work, but now if they do they will still get all the benefits which they deserve.

It is still early, of course, but have you begun noticing an increase in the fertility rate?
Yes. The population of Hungary is about the same as Portugal [+/- 10 million], so you will understand the numbers. For example, just these measures I have mentioned influenced 18,2 thousand mothers. For them we could create a better financial situation, and for their families also. On the other hand the demographic figures are quite positive. In the first seven months of the year, the increase of the number of births is now 3.1%, in relation to a year ago. This is a good sign.

Of course when you talk about demography you have to think long term, you have to be cautious, but I see very good signs, all the measures our government is implementing in terms of family and demography are having their effect on the situation of families and demographic rates.

You met with representatives of the Portuguese Government, have you given them any advice regarding these issues?
I met with the minister of solidarity issues, so we have common themes, we had a very fruitful meeting and we see that we face, if not the same challenges, very similar challenges concerning demography, pension system, family allowance system, and he just told me about all the new measures the Government has just accepted, or is about to accept, they seem very interesting and I think we will have a fruitful exchange of experience. We also have a new ambassador here in Portugal so she is going to be very active in bringing the two countries closer to each other. 

Lake Balaton, Hungary
Did you detect interest in learning from the Hungarian experience?
Yes, we had mutual interest towards each other’s experiences.

This award seems to be public recognition of a serious change in policy regarding family, moral and social issues, by your government, is this so?
I think it is important that we don't only criticize each other, or if we talk about the EU level also, there is a lot of criticism concerning the steps any government makes. I think it is important to really focus on the real activity of Governments and appreciate programmes and activities which are positive or which have positive results, or result in positive changes.

I think also Portugal and Hungary, and the European Association of Large Families share common values, European values and Christian values. I think that for us, for the Hungarian government, it is a big recognition and we very much appreciate that there is a real interest from the Portuguese Government and this association.

Interestingly you mention European values, but many people criticize the European Union and precisely because they are not emphasizing those values, on the contrary. Do you think the European institutions, mainly the ones which have criticised Hungary so much, are they drifting away from those values?
I wouldn't say that. I say that we share common values, but we also have values which are specific for each and every country. It is very important that we recognise the common European values and that we can be free to have the added values which we share, or that we as Hungarians or as Portuguese, consider important. In the meantime we have to recognise and never question the common values we share, but also to have the liberty of emphasizing the values which are important to us. 

But the new constitution was severely criticized when it was first drafted, with people accusing Hungary of limiting democracy and so on. Were these criticisms justified?
Not at all.

We all heard these criticisms, but there was a democratic vote and the Government was elected by a two third majority. If the voters are voting for the continuation of the work we did for four years, that underlines the fact that we are on the right path.

On the other hand I think there were all these disputes and all this criticism, but if we had these debates in the European parliament, the Commission, the Court of Justice and so on, we could defend our values and our contributions, and we never failed in that.

Others defended Hungary saying that the criticisms were motivated by the fact that Hungary was passing laws defending life from conception, defending marriage when many countries are going in the opposite direction. Could that be the main reason behind the criticism?
We will never know if it is the main reason or not, but I think it is one of the reasons, yes. Because we are very open in stating the values which we consider important and which our voters, the Hungarian people, also consider important. For example, in the Hungarian constitution we included the words Christianity and God and there was a big debate and we always said that in our national anthem that is the first sentence and it has always been that way.

The tolerance which we always talk about would also be very much appreciated from the other side. There are these debates on values which are also behind this, and there are also economic interests which may have been hurt thanks to some economic measures which we introduced in the last four years, and these cannot always be separated from the debates going in Europe concerning Hungary at the moment.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Arcebispo preso, Papa na Albânia, Guerra ao Estado Islâmico

Criança espera Papa na Albânia
O que se está a passar no Vaticano nestes dias é da maior importância. Um arcebispo, ex-núncio, foi detido e vai ser julgado por abusos sexuais de menores enquanto estava ao serviço da Santa Sé, na República Dominicana. Um caso a seguir com atenção e que ainda dará muito que falar…

Mas o que tem dado mesmo muito que falar nas últimas semanas são as situações de terrorismo e o combate ao Estado Islâmico, na Síria e no Iraque. Os EUA, juntamente com aliados árabes, já começaram a atacar em força e o Estado Islâmico responde com mais propaganda, com avanços no Curdistão Sírio e com ameaças a mais um refém, neste caso francês.

Isto numa altura em que se soube que a fundação Ajuda á Igreja que Sofre foi nomeada para o prémio Sakharov, por parte da União Europeia, precisamente pelo trabalho feito para apoiar as vítimas do Estado Islâmico e também dias depois de o site da Comunidade Islâmica de Lisboa ter sido atacado, tendo sido colocada uma mensagem de apoio á Jihad.

Mais do que nunca existe tensão entre o mundo cristão e o mundo muçulmano e foi por isso mesmo que Francisco decidiu viajar para a Albânia no sábado, onde passou um só dia, mas um dia muito cheio!

O Papa disse sem meias-palavras que matar em nome de Deus é um sacrilégio e recordou os albaneses que nem todas as ditaduras são políticas. Pelo meio ainda chorou ao ouvir o testemunho de um padre albanês que foi torturado pelo antigo regime comunista.

Tempo ainda para dizer que prossegue, apesar de tudo, o diálogo entre o Vaticano e os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X, conhecidos como Lefebvrianos, continua.

E por fim, não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, onde se pergunta o que é que Jesus faria em relação ao Estado Islâmico. A autora não sabe, mas calcula que qualquer acção terminaria com uma segunda crucificação.

O Estado Islâmico e as Lições do Activismo Pró-Vida

por Ellen Wilson Fielding
Aos sábados de manhã costumo passar cerca de uma hora à porta da clínica de aborto mais próxima, em oração e a fazer aconselhamento. Basicamente isso significa que quando os clientes se aproximam da clínica eu pergunto-lhes se querem os contactos de locais ou instituições que lhes podem ajudar a elas e aos seus bebés.

Nove em cada dez pessoas que passam pelas portas desviam os olhos e nem respondem. De vez em quando alguém leva um folheto. Muito raramente conseguimos ter uma conversa como deve ser.

Esta aparente falta de sucesso é comum a todos os voluntários que vão regularmente à clínica. Por aqui, qualquer resposta positiva é rara, quanto mais uma vida salva. Por isso muitas vezes a sensação é de que todas as nossas orações são desperdiçadas. Claro que algumas das pessoas que passam naquela rua movimentada são alertadas para o que se passa no edifício e alguns dos que lá entram poderão não voltar uma segunda vez.

E depois, de vez em quando, um dos trabalhadores despede-se e podemos esperar ter tido alguma coisa a ver com o assunto. Ainda assim, às vezes imagino as torrentes de graças a descer sobre este local, fruto da oração de tantas pessoas ao longo dos anos e fico frustrada. Onde é que está o vento do Pentecostes? O fogo descido do Céu? Se Jesus se materializasse na Rua Greenbelt um destes sábados de manhã, como tudo seria diferente, penso.

Bom, sim e não. Claro que Jesus exerceu um enorme poder durante os seus anos na terra: a curar os doentes, a ressuscitar os mortos, a acalmar as tempestades, a exorcizar demónios, a multiplicar pães e peixes. E mesmo a um nível mais pessoal, conseguiu atrair Mateus da mesa dos cobradores de impostos e quebrar os preconceitos da samaritana.

Mas não tinha o poder – porque Deus não concedeu a si próprio esse poder – de mudar os corações e as almas das pessoas contra a sua vontade. Por exemplo, sabemos dos Evangelhos que Jesus não conquistou o Jovem Rico, nem conseguiu evitar que Judas o traísse, nem convencer a maior parte do Povo Escolhido de que era o Messias.

Não podia obrigar ninguém contra a sua vontade porque Deus deu a todos os homens e a todas as mulheres livre arbítrio. Se Cristo estivesse à porta da nossa clínica de aborto local num sábado de manhã, imagino que teria muito mais sucesso do que nós. Mas ainda assim muitos ignorariam certamente ou rejeitariam o que ele teria para dizer. Deus – até mesmo Deus! – provavelmente não conseguiria convencer a maioria dos que trabalham na clínica, ou que procuram os seus serviços, a escolher a vida.

Recentemente tenho estado a tentar relacionar tudo isto com o que se está a passar no Médio Oriente, reflectindo particularmente sobre a tentativa, em grande parte bem-sucedida, de expulsar os cristãos das terras que os seus antepassados habitavam desde o tempo de Jesus. Adorava poder ter certezas sobre o que o nosso Governo, ou outros governos ou organizações, deviam fazer para causar o menos mal e alcançar o maior bem. Peso os argumentos para as várias soluções militares, semi-militares, económicas e humanitárias. Entre estas incluo a contribuição dos fiéis individuais: oração, jejum e esmola.


Neste momento hesito sobre a melhor acção a tomar pelos Estados Unidos, sobretudo se e quando as nossas forças e parceiros de coligação conseguirem atingir a primeira fase de neutralizar a capacidade do Estado Islâmico de controlar territórios e aterrorizar os seus habitantes. A verdade é que uma das razões da minha incerteza sobre o que “resultaria” no Iraque e na região é a falta de claridade sobre o que “resultar” significa, precisamente, neste contexto.

Procuramos alcançar uma medida relativa de paz e ordem enquanto uma força militar controla a situação e serve de apoio, por tempo indefinido, a um Governo respeitador dos direitos humanos? A nossa definição do que “funciona” reconhece a legitimidade dos meios a usar, o facto de alguns membros da coligação, a dada altura, decidirem lidar com o assunto à sua maneira e a possibilidade de quaisquer cristãos que sobrevivam no Médio Oriente passarem a ser ainda mais demonizados do que já eram por associação aos odiados ocidentais? Ou será que esta última preocupação já foi consumada pelas decisões do pós-11 de Setembro?

O que é que Jesus faria? Não sei até que ponto isto interessa, se tudo o que procuramos saber é o que Ele faria e não a vasta escolha de opções com as quais poderia concordar. Ao longo da história houve santos que discordaram muito sobre como abordar as crises sociais e políticas do seu tempo, em parte porque costuma haver mais do que uma maneira legítima de tentar seguir a Vontade de Deus e avançar os seus propósitos.

Algumas destas opções poderiam eventualmente conduzir a aquilo que consideraríamos um sucesso ou um fracasso. E é impossível saber com certeza aquilo que Deus pretende com o resultado de cada decisão, embora saibamos que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom. 8:28). Seja o que for que isso quer dizer, significa pelo menos que a aparência de sucesso não pode ser o único critério para quem toma a decisão.

Quanto ao que Jesus faria neste caso em particular, não sei, mas fosse o que fosse, aposto que levaria rapidamente a uma segunda crucificação.


Ellen Wilson Fielding é editora-chefe da Human Life Review e vive em Maryland.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 18 de Setembo de 2014 em The Catholic Thing)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Saiba tudo sobre o sínodo e sobre a Albânia

A Albânia como exemplo de Convívio inter-religioso
Aproxima-se o sínodo dos bispos sobre a família. Se ainda tem dúvidas sobre o processo e o que vai ser falado, aqui encontra uma série de perguntas e respostas para ajudar. Leia e divulgue!

Sobre o sínodo ainda, o frei Bento Domingues, homenageado esta sexta-feira em Lisboa, espera que este sirva para criar um mundo mais fraterno.


A Renascença fará uma cobertura exaustiva desta visita, podem acompanhar tudo no site.

Os sacerdotes da região do Douro alertam para o drama que se está a viver naquela zona por causa da pobreza e pedem a intervenção urgente das autoridades.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Bispos a prazo e santuário iluminado

Santuário do Senhor Jesus da Piedade
O sínodo da família e a ameaça colocada pelo Estado Islâmico são dois dos temas que foram abordados na noite de ontem pelos participantes no debate sobre religião na Renascença. Recordo que este debate, moderado por José Pedro Frazão, conta com a participação do juiz Pedro Vaz Patto, D. Nuno Brás, Aura Miguel e, agora, o jornalista António Marujo. Podem ler aqui um apanhado e ouvir o debate na íntegra.

O Papa criticou hoje os “bispos a prazo”, isto é, os bispos que estão numa diocese mas já de olhos postos noutra…

O Santuário do Senhor Jesus da Piedade, em Elvas, está iluminada por estes dias das festas locais. Vale a pena ler a reportagem e ver algumas das imagens da Igreja.

Não deixem ainda de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, onde Robert Royal levanta a questão que a Igreja tem de debater. O conflito com o Estado Islâmico pode ser considerado “guerra justa”?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Escócia, Madeira, Iraque e Sri Lanka

Dilema familiar por causa do referendo na Escócia
"We don't talk much anymore"
Amanhã os escoceses decidem se querem manter-se no Reino Unido ou não. Os bispos católicos apelam a que, a favor ou contra, todos vão votar.

A diocese do Funchal celebra 500 anos. A histórica e importante diocese está a assinalar a data como deve ser.

O Papa aprovou a canonização de um indo-português que evangelizou o Sri Lanka, dispensando o reconhecimento de um segundo milagre.

No dia 28 de Setembro o Papa vai receber uma delegação de avós. Entre eles estará um casal iraquiano, em representação dos cristãos perseguidos naquele país.

Por falar em Iraque, o artigo desta semana do The Catholic Thing levanta a questão do debate que a Igreja tem de ter. O uso da força contra o Estado Islâmico entra na definição de guerra justa? Parece-me evidente a resposta, estou com Robert Royal. Não deixem de ler, mesmo.

Entretanto deixo também o link para o artigo da semana passada em que o Pe. Mark Pilon se insurge contra os políticos católicos que defendem ou votam a favor do aborto. É precisamente porque nos políticos raramente nos podemos fiar nestes assuntos que todos os que defendem a vida devem ir à Caminhada pela Vida em Outubro. TODOS!

O que a Guerra é Realmente

Tem surgido alguma ambiguidade, tanto no Vaticano como na Casa Branca, sobre o que se deve fazer acerca da barbaridade que está a ocorrer no Médio Oriente e que tem chocado todo o mundo. Nem se sabe bem o que se lhe deve chamar.

Começou com um artigo escrito pelo Pe. Luciano Larivera, S.J., no La Civiltà Cattolica (uma revista jesuíta publicada em Roma e que é considerada uma referência, se bem que indirecta, do pensamento do Papa): “Obviamente, para promover a paz é necessário saber o que a guerra é na realidade, e não aquilo que gostaríamos que fosse. É fundamental estudar e perceber como é que o Estado Islâmico luta. A sua é uma guerra de religião e aniquilação”.

Isto é simples realismo cristão e a mais pura verdade sobre o actual conflito, que os nossos líderes americanos parecem recusar-se a aceitar. Mas depois de muitas distorções nos media, o padre Antonio Spadaro, SJ, o editor chefe do Civiltà, explicou: “O Estado Islâmico pensa que é uma ‘guerra de religião’, mas nós devemos ter o cuidado de não pensar dessa forma.”

Tudo bem. Há muito que o Cristianismo abandonou a ideia de que é legítimo o uso da força para promover a fé – como Bento XVI sublinhou no seu discurso profético em Ratisbona. Mas não deixamos de ter a responsabilidade de dizer a verdade sobre o que se está a passar bem como encarar a questão de como responder a uma força agressiva que mata os inocentes, escraviza sexualmente as mulheres, decapita ocidentais em público e declara ter como objectivo a imposição, pela força das armas, da sua religião aos não-crentes.

Entramos aqui num terreno sempre polémico: onde é que deixamos os princípios morais absolutos – que são a primeira competência da Igreja – e entramos na aplicação prudente desses princípios, em contextos complicados. Excepto em casos de agressão injusta, o juízo sobre o uso legítimo da força cabe aos líderes seculares e não aos papas nem aos bispos.

O mundo secular raramente compreende a distinção. No voo de regresso da Coreia, em meados de Agosto, o Papa disse: “É lícito travar um agressor injusto. Sublinho o verbo: travar. Não digo bombardear nem fazer guerra, digo impedir de alguma maneira”.

Os media seculares, e mesmo alguns órgãos católicos, reagiram mal: Se não é para bombardear, então qual é a estratégia do Papa? Como se o Sumo Pontífice tivesse de ter uma estratégia militar, qual presidente dos EUA. A minha aposta é de que o Papa estava a afirmar a necessidade de agir – naturalmente através do uso da força –, mas deixando claro que, apesar do horror da violência do Estado Islâmico, não cabe ao Papa defender os bombardeamentos americanos nem as decisões práticas de qualquer outra nação.

Mas na semana passada disse à Comunidade de Sant’Egidio: “A guerra nunca é uma forma satisfatória de corrigir injustiças... A guerra conduz as pessoas a uma espiral de violência que se torna difícil de controlar. Destrói aquilo que levou gerações a estabelecer e abre caminho a conflitos e injustiças ainda piores”.

"Diálogo" ao estilo do Estado Islâmico
Calculo que na emoção do momento, como tende a fazer, Francisco foi um bocadinho mais longe do que queria. O pensamento moral católico há muito que aceitou que as autoridades católicas têm por vezes a responsabilidade de recorrer à força. E temos exemplos de guerras boas, como a derrota dos nazis pelos aliados. Como explica o Catecismo da Igreja Católica:

[2307]Cada cidadão e cada governante deve trabalhar no sentido de evitar as guerras.

Apesar desta admoestação da Igreja, por vezes torna-se necessário usar a força para obter os fins da justiça. Este é um direito, e o dever, de todos os que têm responsabilidade pelos outros, tal como líderes civis e forças policiais. Enquanto os indivíduos têm o direito de renunciar a toda a violência, aqueles que preservam a justiça não o podem fazer, embora deva ser sempre um último recurso, “falhados todos os esforços de paz”.

É claro que existem os limites das condições sobre a decisão de ir para a guerra (ius in bellum) e o comportamento durante o combate (ius in bello). O juízo prudente dos líderes civis nestas matérias é, justamente, alvo de escrutínio cuidadoso. Em retrospectiva, muitos dos que acreditavam que Saddam Hussein possuía armas de destruição maciça vieram mais tarde a concluir que a decisão do presidente Bush de atacar o Iraque foi um erro. Da mesma forma, muitos consideram agora que a decisão de Obama de retirar as tropas do Iraque foi um erro e que, por isso, ele depara-se agora com limites à sua acção contra o Estado Islâmico que podem bem tornar a sua estratégia inútil. Este é um problema grave, uma vez que um dos critérios para a guerra justa é a existência de uma possibilidade razoável de sucesso, que é como quem diz, a existência de um benefício proporcional na decisão de matar pessoas e partir coisas.

É claro que o Papa sente a tragédia de todas as guerras e o pecado que está por detrás delas: “Ganância, intolerância, sede de poder... Estes motivos estão por detrás da decisão para ir para a guerra e, demasiadas vezes são suportadas por uma ideologia; mas em primeiro lugar há uma paixão ou um impulso distorcidos. A ideologia é apresentada como justificação quando não existe qualquer ideologia, mas apenas a resposta de Caim: ‘Que me interessa isso? Serei eu o guarda do meu irmão?’”

Noutras alturas, porém, ele e a Igreja reconhecem que o “uso justo da força” – caso queiram evitar a palavra “Guerra”, como parece ser a vontade da Casa Branca – serve precisamente para podermos ser os “guardas do nosso irmão”. Talvez seja necessário recordar o Vaticano disso. Irmãos cristãos, yazidis, curdos e muçulmanos de várias confissões, foram expulsos das suas casas, mortos ou marcados para genocídio. Não é possível negociar com os agressores. Não há diálogo ao alcance dos homens que seja capaz de fazer a menor diferença na mortandade.

Podemos preferir que não fosse assim. Podemos lamentar a herança da história e da violência do passado. Podemos reconhecer os nossos próprios pecados e pedir a Deus uma solução que não somos capazes de encontrar sozinhos. Mas entretanto temos apenas os meios ao nosso alcance e não podemos demitir-nos da responsabilidade de proteger aqueles que sofrem agressões.

Mesmo que não possamos fazer nada, podemos pelo menos dizer a verdade, porque: “para promover a paz é necessário saber o que a guerra é na realidade, e não aquilo que gostaríamos que fosse”.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está agora disponível em capa mole da Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na segunda-feira, 15 de Setembro de 2014)

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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Papa ameaçado na visita à Albânia?

Albânia é o próximo destino do Papa Francisco
O Papa Francisco corre perigo na sua visita à Albânia no próximo domingo? O embaixador iraquiano junto da Santa Sé diz que o Estado Islâmico quer matar Francisco, que as ameaças são credíveis e que as visitas a estados muçulmanos são um perigo.

Antes de entrarem todos em pânico, lembrem-se que ao embaixador do Iraque interessa continuar a pintar o Estado Islâmico com as piores cores possíveis para manter a pressão sobre a comunidade internacional para derrotar o grupo. Não é que não sejam terríveis, é só para enquadrar melhor as declarações.

Ainda sobre o Estado Islâmico, os patriarcas do Médio Oriente encontraram-se esta terça-feira em Genebra e, em conjunto, apelam aos líderes religiosos e políticos da região para condenarem mais veementemente a perseguição aos cristãos. O Patriarca caldeu quer botas no terreno para combater os terroristas, mas prefere que sejam “botas árabes”.

Na senda de ontem, fiquem com os links para mais dois dos artigos do The Catholic Thing que publiquei durante as férias. Em “Qual é o objectivo?”, Anthony Esolen pergunta a todos os que procuram impor mudanças sociais qual é o tipo de sociedade que querem criar. São o tipo de perguntas que tendem a ficar sem resposta…

Já em “Cardeal Müller: Um Grande Líder Católico”, Filip Mazurczak tece um grande elogio ao prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Quer gostem ou não de tudo o que ele diz ou defende, é um homem que urge conhecer bem.

Por fim, não se esqueçam de dizer a todos os vossos amigos e conhecidos para aparecerem na Caminhada Pela Vida, no dia 4 de Outubro. E já agora, acedam à página no Facebook e façam um like!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Caminhada pela Vida e homenagem a David Haines

Findas as minhas longas férias, estou de volta para vos trazer a mais importante informação religiosa!

Começo então por lançar-vos um desafio. No dia 4 de Outubro muitos vão optar por se juntar em Lisboa para caminhar em defesa da Vida. São umas horas do vosso sábado, por aquela é a mais importante causa dos nossos tempos. Não percam, não deixem de aparecer, que eu não deixarei de vos avisar, muito, até lá. Encontram mais informação no site da caminhada e na página do Facebook.

Quanto a notícias do dia, começamos devagar. O Cardeal Vincent Nichols, de Westminster, prestou hoje homenagem a David Haines, a mais recente vítima ocidental do Estado Islâmico. É uma homenagem justa e simpática, que contrasta a vida de quem se dedicou a ajudar os outros à selvajaria de quem vive e respira morte.

Durante o fim-de-semana o Papa presidiu ao casamento de 20 casais em Roma, um gesto raro, mas muito importante nas vésperas de um sínodo sobre a família.

Ainda sobre este tema, o novo bispo de Aveiro pediu que as famílias não se fechem sobre si mesmas. D. António Moiteiro tomou posse ontem.

Ao longo das últimas semanas continuaram a publicar-se artigos do The Catholic Thing em português. Na primeira que publiquei durante as férias, Robert Royal lamenta a forma como falamos do Iluminismo como se fosse a época áurea da história do Ocidente.

Noutro artigo Howard Kainz analisa o livro “A História da Igreja”, de James Hitchcock, que refere, entre outras coisas, que todos os concílios da Igreja tem sido momentos de tensão e dificuldade.

Por hoje fiquem-se com isto, que amanhã espero voltar com mais informação interessante!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Joe Biden e as Portas do Inferno

Pe. Mark A. Pilon
Há dias o vice-presidente Joe Biden declarou solenemente que os bárbaros que decapitaram o jornalista Jim Foley seriam perseguidos até às portas do Inferno e depois repetiu, duas vezes, que era no inferno que iriam residir. A primeira parte da afirmação é claramente uma metáfora que indica que os EUA não vão desistir de trazer esta gente até à justiça. Mas a segunda parte é bastante diferente, Biden declarou que os terroristas estão destinados a ir para o Inferno, por causa do assassinato bárbaro deste jornalista americano, e tantos outros.

Biden abriu as portas a um tipo de juízo muito severo. Pessoalmente, concordo que estes homens são verdadeiros bárbaros e que os seus crimes merecem a punição do Inferno – mas estou obrigado a acrescentar: a não ser que se arrependam. Este já é um juizo moral com uma condição e não um juizo final escatológico sobre o destino final de tais monstros.

Mas não podemos dizer algo parecido de Joe Biden? O vice-presidente é um aliado firme do movimento bárbaro que, neste país e durante o seu mandato, conduziu à morte – também grotesca, de, literalmente, milhóes de seres humanos por nascer. Não interessa o que Biden diz serem as suas opiniões pessoais sobre o aborto, se é pessoalmente contra estes crimes contra a humanidade ou não. Fazendo eco da Escritura, podemos dizer que o ISIS matou as suas dezenas de milhares enquanto os médicos americanos cooperaram com as mães americanas para matar dezenas de milhões. 

Contudo, enquanto os islamitas decidiram transformar a sua barbárie num espectáculo público, as barbaridades dos abortistas tendem a ser escondidas e só se tornam ligeiramente visíveis, mesmo hoje, quando pessoas como o Dr. Gosnell são acusados e condenados.

Biden faz parte deste crime através do seu apoio político. Como a maioria dos católicos que apoiam o lobby pró-abortista e a legislação através dos seus votos, Biden parece não ter sensibilidade para a dimensão e a natureza do mal em que está envolvido, verdadeira e responsavelmente envolvido, mesmo que apenas indirectamente. Embora ele não encoraje ninguém a abortar, nem financie os abortos de ninguém, o seu apoio activo tem feito dele um colaborador em milhões de mortes. Tal como Nancy Pelosi, outra auto-proclamada católica, Biden parece não ter qualquer noção da sua responsabilidade moral.

Cristo ensinou que nem todos aqueles que dizem “Senhor, Senhor”, entrarão no Reino, mas apenas aqueles que fazem a vontade do Pai. Certamente não é a vontade do pai que os líderes políticos cooperem em abortos. Biden, Pelosi e outros católicos que se consideram católicos de boa fé correm o risco de ouvir as palavras que Jesus proclama no final do sermão da montanha: “E então lhes direi abertamente: ‘Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade’”. A colaboração ou prática persistente da imoralidade resulta sempre na cegueira moral.


Um muçulmano que se oponha firmemente ao aborto poderia facilmente virar o bico ao prego a Biden e dizer-lhe que é ele o bárbaro que vai parar ao Inferno. Um católico deve colocar as coisas de outra maneira. Deveria usar da caridade para dizer a Biden que residirá no Inferno caso não se arrependa nem faça reparação pela sua colaboração com este grande mal moral. Porque é que nenhum bispo teve a coragem de dizer a Biden e a Pelosi, e a todos os outros católicos colaboracionistas, que arriscam passar a eternidade no Inferno se não se arrependerem? A não ser que Jesus tenha errado quando censurou os fariseus, não há mal nenhum em avisar aqueles que colaboram com o mal moral que arriscam o Inferno caso não se arrependam.

Suponho que os bispos estejam a sofrer de correcção política. Ou então têm uma noção errada da relação entre Estado e Igreja. Mas é provavel que a maioria dos bispos tenha adoptado, de facto, uma noção subjectiva de consciência, a ideia de que a consciência acaba por triunfar sobre a autoridade moral da Igreja. Parece ser isso o que está por detrás da recusa em negar a comunhão a políticos que apoiam o aborto. Partem do princípio que não podem nunca julgar a responsabilidade destes políticos pelas suas acções. O Direito Canónico não exige qualquer juízo final moral para negar a Sagrada Comunhão, apenas o exige quando se considera que certos católicos são culpados de uma acção pública objectivamente escandalosa, contrária à lei moral num assunto grave.

Mas penso que o problema é mais profundo que esta leitura obviamente errada do Direito Canónico. Muitos bispos consideram que uma pessoa pode ter uma consciência recta e moralmente boa, mesmo quando está objectivamente em erro – e sabendo bem que a autoridade da Igreja tem considerado, de forma consistente, que uma acção moral é gravemente errada. Por outras palavras, a formação subjectiva da consciência vence sempre a autoridade moral na determinação da responsabilidade moral, quando estiverem os dois em conflito.

Esta abordagem à consciência moral tem sido a base teórica da “solução pastoral” para a rejeição em massa dos ensinamentos da Igreja sobre contracepção ao longo dos últimos cinquenta anos. A consequência natural, claro, será a total subjectivização da lei moral, como as igrejas protestantes já aprenderam. É por isso que estamos na posição em que estamos no que diz respeito à responsabilidade dos Joe Bidens e das Nancy Pelosis. Eles continuam cegamente a percorrer a estrada que conduz à perdição, enquanto os bispos continuam a manter-se em silêncio, recusando a admoestar publicamente o seu rebanho. Chamam a isto caridade pastoral? 


O padre Mark A. Pilon, sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia, é doutorado em Teologia Sagrada pela Universidade de Santa Croce, em Roma. Foi professor de Teologia Sistemática no Seminário de Mount St. Mary e colaborou com a revista Triumph. É ainda professor aposentado e convidado no Notre Dame Graduate School of Christendom College. Escreve regularmente em littlemoretracts.wordpress.com

(Publicado pela primeira vez na quart-feira, 10 de Setembo de 2014 em The Catholic Thing)


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Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Cardeal Müller: Um Grande Líder Católico

(Por Filip Mazurczak)
Dos dezanove cardeais que o Papa Francisco criou no seu primeiro consistório, nenhum tem sido tão falado como Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Amigo tanto de Bento XVI como de Gustavo Gutierrez, é um prodígio e tem uma mundivisão teológica consistente, na qual cabem tanto o amor pela verdade como uma firme solidariedade com os pobres.

Tendo em conta a forma como a imprensa caricaturizava o Cardeal Joseph Ratzinger, como um Panzerkardinal alemão, combatendo a heresia com uma disciplina prussiana, a chegada de Müller parece um caso de déjà vu. Tem atraído críticas não só da imprensa secular, mas também daqueles católicos que querem uma Igreja morna, que evite os temas fracturantes. Criticando a forma como Müller defendeu o ensinamento da Igreja sobre comunhão para divorciados e recasados, o Cardeal hondureño Oscar Rodriguez Maradiaga disse que o prefeito da CDF “vê o mundo a preto e branco” como um “professor de teologia alemão”.

Apesar das palavras de Maradiaga, a Igreja alemã não tem sido particularmente ortodoxa nos últimos anos. Foi o cardeal alemão Walter Kasper que começou a discussão para redefinir a prática da Igreja em relação ao acesso dos recasados à comunhão. Müller compreende que os ensinamentos da Igreja sobre assuntos morais não podem ser mudados e desfez tais propostas de forma brilhante no L’Osservatore Romano e noutros lados.

Numa livro-entrevista com o jornalista espanhol Carlos Granados (a ser publicado em inglês no Outono), disse que: “A Igreja não pode responder aos desafios do mundo moderno com uma adaptação pragmática... Somos chamados a escolher a audácia profética do martírio”. Da mesma forma, opõe-se à comunhão para políticos pro-aborto e defende o direito dos médicos recusarem fazer abortos legais.

Müller é amigo próximo de Bento XVI e editou as suas obras completas. Tal como o Papa alemão, já sublinhou repetidamente a necessidade do Ocidente regressar às suas raízes. O ano passado, durante uma homilia interrompida diversas vezes por aplausos, no Templo Nacional da Divina Providência, em Varsóvia, fez esse mesmo pedido: “A Polónia ainda não morreu! A Europa ainda não morreu, desde que continuemos a acreditar, a confiar e a amar!”

Entretanto, Müller continua apostado em limpar a Igreja de elementos que distorcem os seus ensinamentos. Por exemplo, enquanto as freiras americanas do LCWR continuam a rejeitar os ensinamentos da Igreja sobre praticamente tudo, o cardeal deu seguimento à investigação ordenada pelo seu antecessor, o Cardeal Levada, e convidou-as repetidamente à obediência, acusando-as de “provocação aberta” a Roma.

Müller censurou o LCWR por homenagear a freira dissidente feminist Elizabeth Johnson, que defende a ordenação de mulheres. Ao contrário das freiras errantes, Müller explica na sua obra prima “Priesthood and Diaconate” que ser-se homem é intrínsico ao sacramento das ordens sacras, resultando da teologia bíblica dos sexos, enaltecida por Aquino, segundo a qual os sacerdotes representam Cristo, o noivo da Igreja.

Nesse livro, e em várias entrevistas e artigos, o Cardeal defendeu o celibate enquanto imitação de Cristo e entrega completa ao serviço da Igreja e criticou os pedidos de relaxar o voto de castidade como uma “protestantização” do sacerdócio.

Müller escreveu e ensinou profusamente sobre Dietrich Bonhoeffer, o clérigo luterano alemão que foi martirizado pelo seu envolvimento no plano para assassinar Hitler. Como Bonhoeffer, a sua teologia não se limita ao mundo académico, mas está intrínsicamente ligado à luta por um mundo melhor.

Müller e Gutierrez
Mais especificamente, Müller tornou-se um dos mais ferozes defensores dos pobres na Igreja. Para ele um mero estudo da nossa responsabilidade de ajudar os pobres não chega. Visitou quinze vezes a América do Sul durante períodos extensos e, durante estas visitas, não viveu nos palácios episcopais confortáveis, mas entre os pobres, nas favelas e barracas e aldeias dos Andes. Às vezes celebra missa com um poncho Quechua por cima dos paramentos.  

É amigo do teólogo peruano Gustavo Gutierrez desde 1988. Será que o facto de Gutierrez ser um dos mais notórios defensores da teologia da libertação põe em causa a ortodoxia apaixonada de Müller?

Em 1984 Ratzinger publicou uma “Instrução sobre alguns aspectos da teologia da libertação”, onde não condena totalmente esta teologia, apenas certas correntes. Gutierrez é ortodoxo, ele nunca abraçou o marxismo, as revoltas violentas ou a imagem de Cristo como um revolucionário político, como fazem alguns defensores extremistas da teologia da libertação, como Leonardo Boff ou Jon Sobrino. O Vaticano nunca condenou Gutierrez, Ratzinger apenas lhe pediu que modificasse alguns aspectos dos seus escritos, o que ele fez obedientemente.

Numa conversa com Peter Seewald, o future Papa Bento XVI afirmou que o dominicano peruano o tinha obedecido e “desenvolvido o seu trabalho no sentido de uma forma aceitável de teologia da libertação que realmente tem futuro”.

No seu livro “Teologia da Libertação: Do Lado dos Pobres”, Müller e Gutierrez condenam o marxismo, descrevendo-o como “totalitário” e baseado numa “antropologia deficiente”. Também desmontam o materialismo de Marx, rejeitando a noção de que a Igreja deve excluír os ricos. O livro cita extensivamente o ensinamento social de João Paulo II, cuja oposição à teologia da libertação marxista é sobejamente conhecida. Quando falam da exploração dos países pobres não se referem apenas a assuntos económicos, os autores são muito críticos da posição americana de promover os contraceptivos no Perú.

É tentador especular sobre se Müller poderá vir a ser eleito Papa algum dia, como aconteceu com o seu compatriota e antecessor Joseph Ratzinger. Tem mais qualificações que a maioria dos cardeais e conhece os problemas da Igreja tanto nos países ricos e secularizados como nas sociedades marcadas por desigualdades sociais. Combateu a descristianização da Alemanha e viveu entre os pobres do Perú. Apesar de ser um teólogo erudito e um curialista qualificado, longe de ser um burocrata Müller também tem umaa rica experiência pastoral na Alemanha e no Perú, é um orador carismático com um toque popular. Para além disso fala impecavelmente alemão, inglês, espanhol e italiano, para além de ser dos cardeais com mais capacidades para lidar com a imprensa.

Claro que apenas o tempo dirá se Gerhard Ludwig Müller chegará a uma posição mais alta na hierarquia da Igreja. Mas a sua excelência académica, a sua solidariedade com os desfavorecidos e o seu dinamismo fazem dele um dos grandes líderes católicos dos nossos dias.


Filip Mazurczak contribui regularmente para o  Katolicki Miesięcznik “LIST”. Os seus textos já apareceram também no First Things, The European Conservative e Tygodnik Powszechny.

(Publicado pela primeira vez no domingo, 31 de Agosto de 2014 em 
The Catholic Thing
)

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