sexta-feira, 29 de novembro de 2013

De sírios e ciganos

Zefferino Gimenez, o primeiro beato cigano
Esta sexta-feira decorreu a conferência organizada pela Renascença para assinalar o fim do Ano da Fé. O Patriarca de Lisboa abriu a sessão, na Universidade Católica, com um apanhado da história da relação da Igreja com a Liberdade Religiosa e com os Direitos Humanos, isto para apresentar a conversa entre o padre Tolentino e Nello Scavo, que escreveu o livro “A Lista de Bergoglio”.


Ontem foi o lançamento do livro com as reflexões de D. Manuel na Renascença. O Patriarca diz que a rádio foi, até hoje, a sua maior “paróquia”.

E o que faz a Igreja Católica pelos ciganos? Saiba aqui qual é o trabalho e a missão da Pastoral dos Ciganos em Portugal. Foi uma interessante conversa com Francisco Martins, que pode ler na íntegra aqui.

Se ainda não tem programa para segunda-feira então marque na agenda às 21h no Teatro Tivoli, em Lisboa, o Concerto de Natal com a Banda Sinfónica da GNR. A organização é da Ajuda à Igreja que Sofre, e o dinheiro angariado vai para ajudar os sírios, por isso vale mesmo a pena!

“Defender os ciganos é a quinta-essência do Cristianismo”

Transcrição integral da entrevista a Francisco Monteiro, director executivo da Pastoral dos Ciganos. Notícia aqui.

Como é que se começou a envolver com as comunidades ciganas?
Há 14 anos um dos primeiros directores nacionais da Pastoral dos Ciganos, o Padre Filipe Figueiredo, que já morreu há anos, disse-lhe que estava um bocado mais livre, porque tinha saído de um cargo importante numa universidade, e ele pediu-me para o ajudar a preparar uma exposição internacional da cultura cigana, em 1997, para coincidir com a Expo de Lisboa. Caí na asneira de dizer que sim, mas é claro que não estou arrependido e estou a trabalhar com ciganos, como voluntário, desde então.

A minha experiência com ciganos então era nula. Não conhecia nada. Foi uma aprendizagem a partir do zero.

Mas tinha conceitos, nem que fossem preconceitos…
Tinha aqueles de criança, que em adulto não me afectavam muito. O que ouvíamos em criança, que os ciganos roubavam as crianças, coisas desse género. Mas na fase adulta eram pessoas que se cruzavam comigo. Tinha tido uma paixão muito grande pelos africanos, em Moçambique, onde estive três anos. Mas os ciganos descobri-os rigorosamente em 1997.

Nas conclusões do vosso encontro lê-se que faltam mais iniciativas de actos litúrgicos que envolvam as pessoas de etnia cigana e que se adaptem à sua cultura. Por exemplo?
Faltam mais experiências dessas. Já houve uma em Cuba, no Alentejo, pelo pároco local. Ele decidiu fazer umas celebrações por alma dos ciganos falecidos. Cerimónias pelos mortos, uma coisa a que os ciganos são muito sensíveis. Foram leituras da Bíblia, orações pelos defuntos, uma coisa extraordinária, com um acesso enorme.

Em Lisboa desenvolvemos um projecto chamado Palavra, durante três anos e três anos no Fogueteiro. Um projecto de oração, de meditação da palavra e de esclarecimento da parte espiritual, de evangelização, com o objectivo de preparar ciganos para eles próprios assumirem o papel. Esta última parte é que falhou um bocado, mas a primeira sim, correu muito bem. As pessoas vinham, estavam muito interessadas, houve uns certos conhecimentos do Evangelho, da Bíblia, que foram adquiridos. Tocávamos músicas religiosas, muitas actividades desse género, mas quando as coisas terminaram, terminaram.

A liturgia em África é muito africanizada. As liturgias católicas de rito oriental também são próprias. Não é difícil fazer liturgias adaptadas a ciganos, mas era preciso promover esse tipo de acções.

Celebração evangélica cigana
Seria necessário haver uma maior participação dos ciganos na vida da Igreja, mas a esmagadora maioria dos ciganos não são católicos…
Os ciganos já foram católicos e ainda hoje em dia há católicos. Os que tivemos no encontro são católicos e há católicos que vão regularmente à missa em Lisboa ou noutros sítios. Agora é certo que a maioria, actualmente, passou-se um pouco para a Igreja Evangélica, porque é uma Igreja Cigana. Chama-se mesmo a Igreja de Filadelfia Cigana de Portugal, em que os pastores são ciganos, os cânticos são ciganos, são cânticos para Deus, como dizem, e as regras são ciganas.

É preciso que se diga que a Igreja Evangélica teve uma influência enorme positiva entre os ciganos para os afastar do álcool, da droga, de outros procedimentos errados, foi muito importante e é preciso dizer isso.

A cultura cigana é por natureza religiosa?
É por natureza religiosa. Os ciganos são profundamente religiosos, evidentemente à sua maneira. Os ciganos trazem o seu substrato religioso do Norte da Índia, de onde vêm, e vão-se adaptando às religiões dos países onde passam e onde se estabelecem. Havia uns bastante nómadas, hoje em dia entre nós quase não há nómadas, e por isso chegaram a Portugal e adaptaram-se à religião católica.

Simplesmente a Igreja nem sempre os aceitou bem nem sempre os integrou normalmente, portanto aí não se sentem em casa. Não percebem muito da liturgia. Mesmo os que tivemos no Fogueteiro não iam à missa porque a Igreja da Amora era longe. Depois os scalabrianos construíram uma igreja mesmo no Fogueteiro, mas mesmo assim continuam a não ir. Vão à Igreja de Filadélfia, porque lá as raparigas encontram rapazes para se casarem, etc. A Igreja Católica não lhes diz muito.

Tínhamos de fazer aqui alguma coisa ao nível da Igreja. As cerimónias que tivemos na Amora eram exemplares, porque o pároco em vez de fazer cerimónias separadas só para os ciganos, fê-las integradas nas missas normais, o que foi notável.

Tem conhecimento de algum religioso cigano em Portugal?
Há um, não sei se é padre, que veio de longe e está radicado cá. Mas não se manifesta como cigano. Em Espanha há, mas temos um problema estatístico. Os ciganos em Portugal são 50 ou 60 mil, em Espanha são 700 mil, há muito maior campo de evangelização e facilidade de as pessoas aderirem. Mas é um ponto que nos toca bastante, e que nos faz muita pena, de não haver nenhuma vocação religiosa entre os ciganos em Portugal

Fala-se muito na integração dos ciganos. Os ciganos querem ser integrados?
Os ciganos não querem ser integrados, mas querem ser integrados. Ou seja, eles não querem ser integrados mas querem ser incluídos.

O SOS Racismo fez um inquérito nas câmaras há uns anos, e uma das respostas que obtiveram foi “ciganos sim, desde que sejam iguais a nós”. Os ciganos não querem ser iguais a nós em termos de cultura. Têm a sua cultura própria a que são fortemente fiéis, e muito bem.

A Europa conhece a diversidade cultural e Portugal, que tem uma tradição tão rica de diversidade cultural também o devia aceitar. Eles querem ser incluídos na sociedade, querem ser parte da sociedade, querem funcionar connosco, não querem ser discriminados, e são, sistematicamente, há 500 anos. Expulsos, perseguidos, toda a classe de coisas que depois gera neles um sentimento de autoprotecção e de rejeição da sociedade maioritária onde se inserem.

Eles querem ser incluídos, não querem ser aculturados. Devemos ter respeito pela cultura deles, como disse muito claramente D. Joaquim Mendes, no encontro. Aliás os documentos da Igreja dizem-no claramente, a cultura dos ciganos é rica e tem de ser respeitada. Temos de ir ao encontro.

Dou alguns exemplos. Ao nível escolar havia, e há, o problema da integração das crianças no sistema escolar. Nós tínhamos obrigação de ter um sistema escolar plural, mas não temos, temos um sistema monolítico. As várias experiências que tem havido de adaptar o sistema escolar aos ciganos têm tido pleno êxito, inclusivamente os programas que fazem a ponte entre as comunidades ciganas e as estruturas escolares.

Peregrinos ciganos em Saintes Maries de la Mer
Estamos a falar de programas noutros países?
Estou a falar de Portugal. Temos um programa que é o PIEF, do PIEC, que depende não do Ministério da Educação mas do Ministério da Segurança Social e que tem sido um enorme sucesso. Ainda recentemente tivemos oportunidade de assistir a uma experiência dessas em Évora, na Malagueira, que é a endogeneização do sistema escolar à cultura cigana. Ou seja, a cultura cigana comanda o sistema escolar, ou o sistema escolar adapta-se. Realmente nestes PIEF do PIEC são as próprias famílias que vêm também apoiar a escolarização das crianças e dos jovens. É uma coisa extraordinária, porque demos o passo de dizer, “senhores venham cá”, que é o que se fizéssemos na Igreja também daria resultados.

Para além disto há muita vivência cristã em que a pastoral dos ciganos, quer a nacional quer a das dioceses, faz em relação aos ciganos. No sábado fomos visitar a obra que o Secretariado Diocesano de Lisboa tem na Quinta da Fonte, na Apelação, o famoso bairro que tanto apareceu nas televisões há poucos anos, e que é um trabalho extraordinário de integração dos vários grupos étnicos naquele bairro.

Existe também a ideia de que estamos perante uma cultura extremamente patriarcal, onde a mulher tem um papel subalterno. Não é contraditório querer preservar esta cultura numa sociedade que se quer igualitária?
É uma ideia errada, não é uma sociedade patriarcal, pelo contrário é matriarcal. São as mulheres que transmitem a cultura cigana, os homens observam e protegem a cultura cigana, mas quem verdadeiramente transmite são as mulheres.

Agora, preservar não é preservar as coisas más de uma cultura. As coisas que não batem com a cultura maioritária não podem ser preservadas. Agora, a maneira de ser, a estima que têm pela família… Mas não aquela coisa que eu tanto tenho combatido entre as famílias que conheço, que é deixarem as crianças não irem à escola porque não lhes apeteceu, e eles respeitam as crianças em tudo o que querem, é evidente que isso tem de ser combatido, não há dúvida nenhuma. Mas o respeito pelas crianças e a estima que têm por elas, isso sim temos de aprender com eles. É aproveitar os valores positivos da cultura cigana e tentar que as mentalidades se vão adaptando, o que tem sido feito, realmente.

O estereótipo associa os ciganos à criminalidade, à subsidiodependência, ao tráfego, à venda de artigos contrafeitos etc. É só um estereótipo, ou existe mesmo um problema entre a comunidade? E se sim, como combater?
São as duas coisas. Existem problemas com eles, como existem com qualquer pessoa. Mas aí é que começa o estereótipo. Quando um cigano faz alguma coisa dizem “todos os ciganos fazem”. É como se uma pessoa de alguma terra fizesse alguma coisa e viéssemos dizer que todas as pessoas daquela terra são criminosos. Não estou a exagerar. É tal e qual o que acontece com os ciganos. Recentemente tivemos um caso desses.

Agora, atenção, a comunicação social tem feito um caminho notável contra a estereotipização dos casos com ciganos. Tão notável que quando acontece uma coisa do género dizia-se logo que era de etnia cigana, hoje em dia ainda vão dizendo, mas neste momento acontecem coisas em bairros onde sabemos que vivem muitos ciganos e eu tenho de ligar para lá para saber, porque a comunicação social não associou logo as coisas. A comunicação tem feito isso e muitas outras coisas boas também, por exemplo programas sobre a cultura cigana, sobre as festas ciganas, o que tem sido muito positivo para mostrar que as populações ciganas são muito melhores do que as pessoas pensam que são.

São pobres, na maioria vivem muito mal. Mas a subsidiodependência é mentira, a esmagadora maioria das pessoas que recebem o rendimento social de inserção não são ciganas. Depois há crimes, como cortarem sem qualquer razão o rendimento mínimo a uma família que conheço de 12 pessoas, algumas crianças e bebés. Isto são crimes que nós cometemos contra alguns ciganos.

A recente história da menina “Maria”, na Grécia, prejudicou o vosso trabalho?
Para ser franco, foi positivo para os ciganos, porque isso foi desmontado. Foi descoberto que a criança não tinha sido roubada àquela família irlandesa, pelo ADN que a criança era mesmo cigana e tinha sido mesmo uma família albanesa que a tinha dado a uma família grega, por não a poder criar. Foi um caso miserável da parte da comunicação social, que assumiu como facto uma situação completamente falsa. Assumiu, mas depois não a desmentiu com a mesma força com que assumiu. Essas coisas falsificam a imagem e revoltam e afastam as pessoas, contribuem para as pessoas não serem compreensivas e interculturais. Como D. Joaquim disse no encontro anteontem, rejeitar é pecado. Não pode ser assim.

Beato Zefferino Giménez
Primeiro beato cigano
Os ciganos que vieram de outros países vieram desestabilizar a vida dos ciganos em Portugal?
Eles não se dão muito, embora tenhamos tido um projecto com os ciganos romenos em 2002 que foi operacionalizado por duas ciganas portuguesas, duas irmãs. Foi um projecto relativamente curto.

Os ciganos romenos têm a sua própria história na Roménia, que trazem com eles. É completamente diferente dos nossos neste momento, os nossos também já andaram a pedir, agora de uma maneira geral não o fazem, dedicam-se à venda e a outras coisas.

Veio realmente prejudicar a imagem dos ciganos portugueses que estão cá. Não se reconhecem muito neles. Os ciganos romenos têm uma cultura até bastante boa, conseguia falar normalmente com eles em inglês, mas é um fenómeno à parte, tem de ser tratado à parte.

O Papa Francisco tem tido várias vezes que a Igreja não é uma ONG e que o trabalho social deve ser acompanhado de evangelização. Tendo em conta que os ciganos são na maior parte evangélicos, faz-se alguma coisa no sentido de evangelizar e procurar aproximá-los da Igreja Católica?
Temos os projectos que já mencionei, temos secretariados em todo o país. Tem havido essa proximidade. O Sr. D. Joaquim disse muito claramente que a Igreja primitiva é uma Igreja que foi de caridade e a seguir de evangelização.

A Santa Sé, nos seus documentos, diz sempre que a evangelização não pode ser divorciada da acção social. Quando nós defendemos os direitos dos ciganos, quando há um problema desse tipo e nós o denunciamos, quando intervimos em projectos para defender os ciganos, estamos a dar um testemunho nosso, cristão, perante uma população que é muito carente, que está entre aquela população que o Papa Francisco menciona como os mais marginais, estamos com eles, a ajudá-los a serem eles próprios a reagirem contra a marginalidade. Isto é o Cristianismo na sua quinta-essência, verdadeiramente.

Qual é a sua formação
Sou de filosofia, de pedagogia, educação, teologia também. Trabalhei durante muitos anos na banca e trabalhei sempre bastante na evangelização e acção social sob todas as formas.

É casado?
Sim.

Tem filhos?
Sim

Eles acompanham esta sua paixão pela cultura cigana?
Acompanham no sentido em que empatizam e simpatizam com esta minha actividade.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Diálogos impressionantes

Clique para aumentar
Falta menos de uma hora para o lançamento do livro que recolhe as reflexões de D. Manuel Clemente dos domingos na Renascença. Saiba mais aqui.


Temos ainda um interessante artigo sobre um muçulmano que participou no Congresso do Conselho Mundial das Igrejas, na Coreia do Sul, e ficou muito impressionado com a forma como os cristãos dialogam uns com os outros.

Às 21h30 haverá uma sessão de esclarecimento sobre a adopção de crianças por homossexuais. É no Colégio São Tomás, em Lisboa, podem ver aqui o cartaz.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A morte é o fim? (Dica... Não, não é)

Por respeito realçaram o D. Nuno, mas
claro que a principal atracção sou eu...
A exortação apostólica do Papa Francisco continua a dar que falar. Comecei a lê-lo ontem e estou francamente impressionado, mas ainda nem vou a meio… Há muitas críticas à economia e ao capitalismo. Falei hoje com a Jorge Líbano Monteiro, da ACEGE e com Henrique Pinto, director da revista Cais, que não só concordam com as críticas como acreditam que é possível melhorar.



Estaremos diante de um conflito diplomático entre EUA e o Vaticano? Os Estados Unidos acharam por bem mudar a embaixada que têm na Santa Sé para o mesmo edifício da embaixada americana para a Itália. O Vaticano ainda não refilou, mas não costuma gostar destas misturas.


E um aviso… as Equipas de Jovens de Nossa Senhora organizaram um evento que promete ser interessantíssimo. Sábado à noite 14 oradores, entre os quais me incluo, falarão de diferentes temas, em palestras de sete minutos cada. Um desafio para quem fala e um luxo para quem ouve! Eu falarei da perseguição aos cristãos, mas podem consultar o programa completo aqui.

Corpus Christi e a Realidade

Depois de ter lido o meu artigo sobre Hegel, um amigo protestante, que recentemente se reformou de uma universidade no Leste dos Estados Unidos, disse que a minha curta referência a algo que o filósofo tinha dito sobre a Eucaristia e a Real Presença talvez precisasse de ser clarificada. Esta Solenidade de Cristo Rei, que foi instituída em 1925 em resposta ao crescente secularismo, parece-me um dia adequado para reflectir sobre este assunto.

A minha referência foi a uma palestra de Hegel sobre filosofia da religião, na qual criticou a doutrina católica da transubstanciação, levando um aluno católico a denunciá-lo às autoridades. Hegel tinha feito uma piada de mau gosto, perguntando se os católicos seriam obrigados a adorar um rato caso este consumisse uma hóstia consagrada.

Hegel respondeu às autoridades públicas que era um protestante a leccionar em Berlim protestante, lidando com uma religião que era inimiga do tratamento “científico”. Para além disso, tinha estado a falar apenas num sentido “indeterminado e hipotético” e não se devia esperar que apresentasse a doutrina católica de forma acrítica nas suas exposições filosóficas. (Não tenho conhecimento de qualquer outro incidente nos seus ensinamentos que tenha causado consternação aos católicos.)

O meu amigo comentou que eu tinha dado a impressão de que os luteranos não acreditam na Presença Real e recordou que Lutero tinha discordado fortemente de Zwingli, Calvino e outros reformadores, que interpretavam a Eucaristia como uma presença espiritual, ou um mero memorial – por outras palavras, Jesus não estava fisicamente presente.

É verdade. Lutero não concordava com a posição católica de que a Eucaristia deixava de ser pão e vinho, transformando-se no corpo e sangue de Cristo. Mas Lutero mantinha que Cristo estava substancialmente presente, juntamente com o pão e o vinho. Por vezes chamou-se a isto “consubstanciação”, por contraste à doutrina católica da “transubstanciação”.

Não sei dizer se a interpretação luterana implica a crença numa presença física, mas parece-me mais próximo da interpretação católica do que muitas interpretações protestantes. A Eucaristia, pelo menos entre as igrejas luteranas mais “altas”, não é apenas um encontro de “recordação da Ceia do Senhor”.

A sucessão apostólica é um factor aqui: Lutero, um padre católico validamente ordenado, poderá ter tido o poder de consagrar, desde que tivesse a intenção certa, apesar de não acreditar em alguns elementos da missa. Mas à medida que os seus seguidores e os outros reformadores aumentaram de número, produzindo diversas interpretações do sacerdócio e do episcopado (quando acreditavam sequer nestes conceitos), qualquer rasto de sucessão apostólica terá desaparecido – ao contrário das Igrejas Ortodoxas e possivelmente, por algum tempo, a confissão anglicana.

Cristo, sendo filho de Deus, não tem qualquer problema em estar verdadeira e substancialmente presente sob a aparência do pão e do vinho. Tal como a Sabedoria Divina, ele delicia-se “junto aos filhos dos homens” (Provérbios 8,31). Os seus anos passados na Galileia não foram suficientes; Ele quer, (qual extremo extrovertido) ter um encontro pessoal com cada pessoa. Se, como Lutero insistia, somos salvos unicamente pela fé, então a crença católica na Presença Real é talvez a mais alta expressão de fé.

No Evangelho de São João (6, 53-54), Jesus diz: “se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós (…) Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” Essa afirmação de uma necessidade (com as suas notas de canibalismo) levou muitos dos seus seguidores a abandoná-lo. Mas muitos outros permaneceram, possivelmente conscientes do privilégio de estarem vivos para ver um dos factores distintivos do Messias prometido. Em Mateus (13,16-17), Jesus realçou esse privilégio: “Muitos profetas e homens justos desejaram ver as coisas que vocês vêem, e não viram”.



E nós, que passados dois mil anos, não tivemos essa sorte? Poderemos dar por nós a pensar, em alguns momentos, “se ao menos tivesse tido essa oportunidade, e esse encontro pessoal, como a minha vida seria diferente”.

Mas estaríamos enganados. Na última ceia Ele colocou todos os seus futuros seguidores ao mesmo nível que os discípulos, dando-lhes a Eucaristia. Eles poderiam entrar na sua presença com a mesma facilidade da mulher que o abordou e tocou no seu manto (Mc. 5,28), ou do apóstolo João, que se reclinou sobre o seu peito (Jo. 13,25), ou Tomé, tocando-lhe as feridas com mãos trémulas depois da Ressurreição (Jo. 20,27).

Há santos que foram abençoados de forma especial quando recebiam a Comunhão, vendo ou ouvindo verdadeiramente o Senhor. (Os católicos, como outras pessoas, podem ter experiências religiosas). Mas a maioria de nós, a maior parte das vezes, não sente qualquer presença especial.

Mas acham que os seus apóstolos, durante a sua vida pública, sentiam alguma aura especial quando se aproximavam dele? Houve algumas excepções, em que permitiu que a sua divindade se manifestasse de forma sensível: aos presentes aquando do seu baptismo por João (Mt. 3,17); a Pedro, Tiago e João na Transfiguração (Mt. 17,5) e quando os seus captores foram atirados ao chão pelo poder da sua presença (Jo. 18,6).

Na maior parte das vezes, contudo, tal como nós, os seus contemporâneos não sentiram uma presença sobrenatural, embora as suas palavras e obras os tenham fascinado.

Independentemente de nós, passados dois mil anos, sentirmos de forma sobrenatural a presença do Senhor na Eucaristia, esta oferece-nos a mesma oportunidade que tinham os contemporâneos de Cristo: podermo-nos aproximar de Jesus, tornando-nos aptos a algumas das mudanças espirituais que o Filho de Deus pode operar secretamente nos mais profundos santuários das nossas almas.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination(2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no domingo, 24 de Novembro de 2013)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Exortações e Putin em Roma

Os líderes de duas Romas face a face
A grande notícia do dia é, evidentemente, a exortação apostólica do Papa Francisco. O documento é longo e tem muito que se lhe diga. Uma vertente social, o Papa critica o facto de o dinheiro “governar e não servir”, mas há também recados internos, como por exemplo a ênfase na colegialidade e contradição entre quem anuncia o Evangelho mas tem “cara de funeral”.

D. António Vitalino já comentou esta exortação apostólica, considerando-a um desafio também aos políticos portugueses.

Ontem o Papa recebeu em audiência o Presidente Vladimir Putin. Falou-se da Síria e evitou-se falar de ecumenismo. Este encontro é particularmente significativo nesta altura, devido às ambições de Putin… saiba porquê.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Rezar pelo Iraque

Acabou o ano da Fé. O Patriarcado de Lisboa assinalou o facto com uma celebração em Peniche. No Vaticano houve ênfase na relação de proximidade com Jesus. Veja também as notícias de Braga e de Lamego.

Atenção que amanhã de manhã sai a exortação apostólica do Papa Francisco sobre a nova evangelização. Estejam atentos à Renascença, a partir das 12h teremos a análise de Aura Miguel.

Ontem chegou ao fim também o “Meeting” de Lisboa. Foi um programa muito completo, que teve como destaque a presença de Garrett McNamara, na Sexta-feira à noite, para falar de surf, de fé e do medo que tem dos condutores portugueses.

Está actualmente em Portugal o bispo iraquiano Shlemon Warduni. Entrevistei-o ontem e falou da situação dos cristãos no Iraque, pedindo sobretudo orações. Na transcrição integral da entrevista, publicado no blogue, os mais interessados podem encontrar ainda algumas considerações sobre o estatuto dos católicos orientais na Igreja Católica e das esperanças que depositam no Papa Francisco para melhorar a situação.

E por fim, atenção que na próxima sexta-feira realiza-se uma conferência interessantíssima, promovida pela Renascença, para assinalar o fim do ano da Fé. Estarão oradores fascinantes, não percam, se puderem. É na Universidade Católica, a partir das 15h30.

Uma Esperança sem Fronteiras

(Clicar para aumentar)

Iraq: “Our Lord, surely, will hear the voice of good people”

Bispo Shlemon Warduni com dois representantes
da comunidade muçulmana no Iraque
Full transcript of the interview with Shlemon Warduni, auxiliary Bishop of Baghdad of the Chaldean Catholic Church. News feature, in Portuguese, here.

Transcrição completa, no inglês original, da entrevista a Shlemon Warduni, bispo auxiliar de Bagdade, da Igreja Caldeia Católica. Notícia aqui.


What brings you to Portugal?
The Aid to the Church in Need wrote to me, saying that they have these meetings, as propaganda for the churches in the Middle East, especially in Iraq and Syria. Our Patriarch was here three years ago, and now he was in Rome with the Pope, with all oriental Patriarchs, so he asked me to come here, so I came.

Violence in Iraq has become much worse over this past year. Why?
First of all we are so sorry about this violence, because it is terrible for all people in Iraq. But why and how? It is too difficult to know, because there are many causes. First of all, the elections that we will have in April; secondly, there are many interests; third there is this fanaticism between confessions and sometimes between religions also.

It has been some time since we hear about violence in Iraq against Christians. Has the situation improved?
I think in general it is better not to speak about persecution, but sometimes that is what we feel that, in those who are fanatics.

But the general bad situation is not only for Christians. The war, or the car bomb, or suicide attack, they don’t know who is a Christian or a Muslim, who is a child or an adult. When the bomb explodes, many are killed.

But sometimes we have this insistence with Christians: If you don’t become Muslim you will be killed, you must leave your house, or give us your daughters for our princes. A few years ago they took our bishop [Faraj Rahho] who died. I was negotiating between the Church and these people who kidnapped the bishop and the other priests. These people have no conscience, no God. They just want money, or then they don’t like Christians.

Once I was trying to liberate a priest and I suggested a sum of money, for example 4.000 dollars, and he told me, we cannot by a cow for this price. They don’t have the value of the human person. It is difficult, because they’re education is only that. They want money to kill others, why? We don’t know. Even back in Iraq they say, these people have no religion. For that we are sorry to have this situation.

But yes, it is better, over the past two or three years. But over the past three or four months we have had a bad situation, because of the explosions. Anyhow we pray. Also the Muslims are very sorry when they hear about the kidnap of a priest or a bishop, or about the tragedy at the Lady of Salvation church [where dozens were killed].

In the church and everywhere we talk about peace, reconciliation and forgiveness. Of course those who lost relatives find it difficult to understand forgiveness, but the spirit of Christianity is this and they understand and they try to live it, but many of them are leaving because of this situation. When we try and tell them to stay they ask, can you preserve my life or my family’s life? I say, I cannot preserve my own life, how can I preserve yours? But we trust in our Lord Jesus Christ, who died for us.

I know the bishops have always refused to arm the Christians, but have there been any attempts of the people to arm themselves?
We have Assyrians, they have some weapons. We also have some guards. They became soldiers for the Government, or police, and they guard.

But in general, the arms don’t resolve problems. Even in our situation, it is more difficult with arms, than without arms. Because if they kill Muslims, there is the question of revenge, and they will come to kill, or get money. It is better not to have weapons, so as not to aggravate the problems.

Recently we heard the Melkite Patriarch ask “Does anybody hear our cry?”. We hear you cry, but many people ask… what can we do?
Many times I said that Europeans don’t care about Christians. If a small Muslim child is harmed by Christians in any country, all Muslims in the world come and cry “we must kill…”, “we must do…”. But when many Christians, bishops and priests are killed, the European Christians, or in general the Europeans who speak about our freedom, don’t do anything. They talk about human rights, but many of them are interests. In Iraq they talked about WMD’s, and they didn’t find any chemical weapons.

Iraq is a very rich country. Our Lord gave us richness, but we are very poor. Why? Because of buying weapons, and fighting. No peace. What is the reason? We hope that somebody from the world leaders understands the meaning of the church not wanting weapons.

But you are talking about leaders. What about me and my family, what can we do?
First of all, you can pray. We cannot do anything, but we pray also, with you. Our Lord, surely, will hear the voice of good people. The second thing is to pressure leaders not to go to war. For example, Pope Francis, said: “We must pray and fast”, and the majority of the people say it was a miracle of prayers and fasting [that helped avoid international intervention in Syria].

Many Christian leaders must act as Christians. Why are they afraid, at meetings like this: “You can end the war. First, don’t sell weapons; second, speak to Arabic leaders and ask them what they are doing; third, the terrorists, who are giving them weapons? These are things that can be done.

There are many different churches in the Middle East. Chaldeans, Melkites, Maronites, Syriacs, Armenians… and then all the different Orthodox churches as well… This variety may be enriching from a liturgical and spiritual point of view, but is there enough communication between the bishops? Is it possible to improve the coordination, have the Christians speak in one voice, without destroying this richness?
And we have protestants also. Especially those who came after the war. They think we are not Christians… sometimes they baptize our faithful…

The issue of the church is a little bit weak, because there is no unity among us. Not unity as in having just one leader or liturgy, but at least to be one as Our Lord said, to love one another as he loved us. Are we ready to love one another? Jesus gave his life for us, He sacrificed His life.

This is the first question. Our churches must come together in the heart, to love one another, to love the good of the Church of my Armenian, Syriac or Orthodox brothers, more than I love my own. In this case we will give a good witness to others. This could be our strength. This is the first thing, many others will come afterwards.

In 2010 there was a synod of Middle Eastern bishops. Two years later, in Lebanon, Pope Benedict XVI delivered the Apostolic Exhortation… What did you think of the text?
And since we have had a synod in Lebanon, also, talking about how we can live this document. Sure, it was very good. “Communion and Witness”, but many times, unfortunately, we talk too much but in reality do little, or even nothing. So we hope that the Holy Spirit, and especially for this year that ended today, or rather, that we have to live from here on, that we can have a good life, living our faith and witness with communion with others. Then, I hope, sure, there will be good results for all the churches.

Paulus Faraj Rahho, asassinado
por raptores no Iraque
At least two of the things that had been requested by the bishops were denied by the Vatican. I am thinking of the authority of Patriarchs over their faithful in the diaspora, and the ordination of married men to the priesthood outside of traditional territories… I have heard some Eastern Catholics say that things like these make them feel like second rate Catholics…
Sure, on one hand. These two things affect sometimes negatively. Why? Because our brothers can ordain many priests, as many as they want. But our catholic churches are almost captive, they cannot do what they want.

Slowly, I think these two things will be given. By Pope Francis… we shall see. The Patriarchs want this. Not so as to have married priests or not, but because we are not allowed to do it in the West. But sometimes we send over married priests and they do their job. The more difficult is the question of the authority of the Patriarch, but that also I think, through dialogue will be resolved.

Are you expecting any changes in this respect from Pope Francis?
For the future I cannot decide. But I say, we hope, with dialogue, with an open mind, with theological discussions, I hope something will be done about this.

There is a terrible situation in Syria. There are two bishops who were kidnapped and a priest as well. Do you have any hope that they will be returned alive?

Not just one priest, two or three, and many other people. But this question is very difficult, especially because of other countries. They must make efforts to be near each other, for forgiveness and dialogue, but many do the opposite. They arm the terrorists; they arm the government, so how can we have peace? But we pray, because we are children of hope, that these people are alive. This is all we can do, and we continue to pray.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O fim (do Ano da Fé) está próximo!

Termina este fim-de-semana o Ano da Fé. Aguarda-nos uma exortação apostólica que, segundo uma fonte bem informada, é de grande qualidade. Para o arcebispo Rino Fisichella trata-se de fechar esta iniciativa com chave de ouro.

O Patriarca-emérito de Lisboa, que liderou o Patriarcado durante grande parte deste Ano da Fé diz que o balanço a Deus pertence. Aqui, com vídeo.

E a propósito de tudo isto, a Renascença hoje conta com um artigo de opinião do Padre Tolentino Mendonça, que não deve perder.


Esta noite começa o “Meeting” de Lisboa, organizado pela Comunhão e Libertação. A estrela desta sexta-feira é Garrett McNamara, um herói das ondas. O resto do programa está aqui.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Raoul não aprovaria destas modernices...

Biscoitos de "bispa" no sínodo anglicano.
(A sério)
Quando é que foi a última vez que se foi confessar? Saiba que o Papa se confessa de 15 em 15 dias… fica a dica.

"Esperar Jesus com Maria - Caminho do Advento" é o novo livro de Maria Teresa Maia Gonzalez, para ajudar os mais novos a preparar a chegada do Natal.

A Campanha de Natal da Cáritas foi apresentada ontem. Os beneficiários são os carenciados em Portugal e os sírios.

Hoje surgiu um tweet na conta do secretário de Estado do Vaticano a dizer que o Papa vai à Argentina em 2014. O único problema é que o tweet era falso e a conta também.


Gosta de histórias de cavaleiros andantes? Aqueles que protegem os pobres e defendem a Igreja? Pois a realidade era uma coisa bastante menos romântica. Apresento-vos Raoul de Cambrai, que no mesmo dia em que observava a abstinência de sexta-feira, matou as freiras que tinham insultado os seus escudeiros. Brad Miner, do The Catholic Thing, analisa.

Aprendendo a Amar Raoul de Cambrai

Brad Miner
A literatura arturiana (sendo que o Rei Artur é a figura por excelência da imaginação das histórias de cavalaria) é especialmente optimista quanto ao carácter dos cavaleiros, embora se centre sempre no “verdadeiro” cavaleiro. Os contos de Artur, Lancelot, Gauvain e os restantes foram, do ano 1100 até cerca de 1400, o principal entretenimento da época, os primeiros romances.

As obras de não-ficção daquele tempo, porém, embora raras e muitas vezes tão imaginativas como as fábulas, contam uma história bastante mais cruenta dos cavaleiros.

A “Era do Cavalheirismo” era frequentemente brutal e moralista. Há uma história que chega para mostrar porque é que o excesso de sentimentalismo à volta da figura do cavaleiro é inapropriado.

Há uma “chanson de geste”, uma de quase duzentas baladas “francesas” desta época (a França, a bem dizer, não era ainda França), escritas por trovadores, sobre os paladinos (cavaleiros) dos séculos XI e XII, sobre um grande herói, um tal Raoul de Cambrai. Pertence a um subgénero específico: “vassalos rebeldes”. Trata-se, segundo o autor, de um testemunho em primeira mão.

Raoul é católico, filho leal da Igreja, embora possivelmente um convertido recente de uma ou outra forma de paganismo. Estes dados sobre a sua “fé” tornam particularmente chocante o relato de como arrasa um convento durante uma das suas campanhas na Côte-d’Or.

Mais tarde, na sua tenda, enquanto sacode o pó e as cinzas da roupa e lava o sangue das mãos, pede ao seu senescal – uma mistura entre criado e tenente – “Preparai-me comida e far-me-eis um grande serviço”. (Assassinar freiras suscita um grande apetite num homem). Raoul é específico sobre o que quer comer: “Pavão assado e ganso apimentado, e veado em abundância”. E quer que o seu séquito fique saciado também, pois “nem por todo o ouro de uma cidade aceitaria que os meus barões me achassem egoísta”.

Mas o senescal fica de boca aberta e, arriscando a saúde e a vida, censura o seu amo:
“Em nome de Nossa Senhora”, grita, “que estais a pensar? Estais a negar o Cristianismo e o vosso baptismo e o Deus da majestade! É Quaresma, quando todos devem jejuar; é a Sexta-feira santa da paixão, na qual os pecadores sempre honraram a Cruz”.

Agora, sem dúvida, a sua voz começa a tremer com vergonha e raiva: “E nós miseráveis homens que aqui viemos, queimámos freiras e violámos a Igreja e jamais nos reconciliaremos com Deus se a sua misericórdia não for maior que a nossa maldade”.

Chega então a vez de Raoul ficar pasmado. Abana o seu punho poderoso na direcção do senescal: “Seu filho de uma escrava”, diz – e apenas podemos imaginar o olhar de nojo na face do cavaleiro – e começa então a gritar com o seu servo aterrorizado: Aquelas malditas freiras tiveram a lata de insultar dois dos meus escudeiros! Tinham de pagar – e pagar bem. E, por Deus, que bem pagaram! Está estupefacto com a impudência e a ingenuidade do seu servo. O senescal de um grande cavaleiro devia compreender como funciona o mundo.


Mas então Raoul suspira, e deixa cair o seu punho erguido.

“Em todo o caso”, diz, encolhendo os ombros, “tendes razão: Tinha-me esquecido que é Quaresma.” 

E por isso Raoul, agora diante de um prato sem carne, senta-se para jogar xadrez com um dos seus barões.

Nas palavras de um comentador académico desta chanson: “Eis que os quarenta dias de Cristo no deserto são piedosamente comemorados”.

Desde o início do cavalheirismo que os homens têm bem noção do fosso que existe entre o ideal e a realidade; têm tido noção da tensão entre o alegre optimismo e o desapontamento. Mas os primeiros cavaleiros que juravam proteger os fracos ao mesmo tempo que os espezinhavam não eram propriamente hipócritas, nem que seja porque acreditavam tanto na hierarquia como na fragilidade humana de uma maneira que nós já não acreditamos.

Sabiam a diferença entre o bem e o mal da mesma maneira que nós, mas faltava-lhes o optimismo sobre o carácter e a primazia do que é bom. E sentiam que o status social era ordenado pelo destino, que é como quem diz, por Deus.

O Estado de direito ainda não existia completamente. Havia um legado do direito romano, e uma lei comum em lenta evolução que servia para adjudicar alguns conflitos, e todavia aquilo que hoje em dia entendemos como justiça naquela altura era perturbado pela falta de constituições, conceitos de direitos civis e forças de manutenção da ordem. A justiça era altamente subjectiva e executada ad hoc; para a maioria dos membros da sociedade não parecia haver alternativa à opressiva hierarquia do privilégio, exemplificada pelo “droit de seigneur”, pela qual o senhor feudal tinha direito a manter relações sexuais com a noiva de um vassalo na noite de núpcias. Embora esses direitos fossem raramente reivindicados, mantinham-se como uma lembrança fria do poder do senhor.

Por outro lado, durante o XI e XII séculos, existiu também um gradual soltar das amarras feudais. Os servos tornaram-se camponeses e começaram a ter alguns direitos de posse. O aumento de rendimentos levou à mobilidade e as cidades europeias começaram a expandir-se; os artesãos e os mercadores começaram a vingar. Vários constrangimentos – legais, éticos e religiosos – começaram a moderar o sentido de poder dos cavaleiros.

Não é que o cavalheirismo nunca tenha existido. Existiu, mas sobretudo na imaginação de homens bons. Talvez possamos dizer do cavalheirismo o que G.K. Chesterton disse do ideal Cristão: “Não é que tenha sido experimentado e considerado insatisfatório. Foi considerado difícil e ficou por experimentar”.

Rauol viveu e morreu pela espada. Tinha tudo o que é preciso para ser um verdadeiro cavaleiro, excepto “courtoisie” e “franchise”. Faltava-lhe amor no coração e uma mente nobre.


(Publicado pela primeira vez na Segunda-feira, 18 de Novembro 2013 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador senior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sentamu-nos

O homem gravemente desfigurado que foi abraçado pelo Papa há poucas semanas falou à imprensa italiana da importância que aquele momento teve para ele, realçando que o Papa o abraçou sem saber se era contagioso ou não.

Entretanto em Inglaterra os bispos anglicanos têm de decidir entre a evangelização ou a fossilização, considera Sentamu. O ex-arcebispo de Cantuária admite que a extinção também é uma hipótese…

Dois golpes terroristas no mundo árabe esta manhã. No Líbano um duplo atentado abalou a embaixada do Irão, provavelmente levado a cabo por sunitas. Já na Somália os militantes do Al-Shabaab invadiram uma esquadra policial, fazendo pelo menos 10 mortos.

Aproveito para divulgar um evento que tem lugar esta semana no Darca, em Lisboa: Graça Franco, Henrique Leitão (Faculdade de Ciências) e a Marta Mendonça (FCSH-UNL e UCP), encontram-se na quinta-feira, 21 de Novembro, pelas 19h para discutir o tema: “Ano da Fé: apanhar a onda!”

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Inquéritos online e criticas bem-vindas

D. Virgílio com um dos padres
entrevistados pela Renascença
Esta é a primeira geração dos que gaguejam quando se pergunta de onde são. Confirma? No meu caso sim. E que igreja para esta gente que não sente necessariamente uma ligação a uma paróquia? Esta foi uma das questões levantadas pelo Patriarca de Lisboa no congresso de leigos que decorreu no Sábado.


Decorre hoje um encontro de padres novos com o bispo de Coimbra. É uma oportunidade que os padres têm para discutir os desafios que se lhes põem. Aqui falamos com dois deles, um dos quais está à frente de oito paróquias, com apenas 26 anos.

Há mais de um mês dois jornalistas italianos foram despedidos por terem escrito um texto a criticar o Papa. Agora soube-se que um deles, que está gravemente doente, recebeu um telefonema de Francisco, que disse que era importante para ele ouvir essas críticas.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ideologia do género e a fé dos bombeiros

Ontem acabou o plenário da CEP. Os bispos lançaram duas notas pastorais, uma sobre o trabalho e outra sobre a ideologia do género.


Também foi discutido o questionário preparatório do Sínodo para as Famílias. Os bispos contam com a ajuda dos movimentos e das paróquias para recolher as respostas.


Se está constipado, alegre-se! Estamos em boa companhia.

"Os paroquianos não entendem este bicho que morde cá dentro"

Transcrição integral da entrevista ao padre-bombeiro João Amaral, que é bombeiro voluntário há 11 anos. Notícia aqui.

Conhece mais algum caso de padre bombeiro?
Conheço alguns padres que foram bombeiros, que exerceram também os seus trabalhos nas corporações de onde eram naturais, mas depois abdicaram porque se calhar não tiveram a sorte que eu tive de ficar perto da terra da sua naturalidade. Eu estou a mais ou menos 10, 15 quilómetros, pelo que me é mais fácil exercer esta vocação de bombeiro.

Mas há primeira vista não conheço nenhum outro padre que exerça também a profissão de bombeiro.

Já era bombeiro muito antes de ir para padre…
Sou bombeiro desde 2002 e fui ordenado em 2011, só nove anos depois.

Enquanto sacerdote e bombeiro, dá por si a cumprir também a função de capelão?
Não lhe chamava capelão. Se calhar o mais importante nem é andarmos com estas questões de teologia. O mais importante é mesmo estar, nas dificuldades, dar um conselho ou outro, porque também não é fácil quando lidamos, e este ano foi um ano muito prejudicial a nível humano, foram-nos ceifadas oito vidas, e não é fácil, apesar de os bombeiros, eu costuma dizer, não há ninguém com mais fé na vida que os bombeiros, porque eles sabem que podem não voltar, mas vão. Quando têm esta vontade não é preciso estar a motivá-los, nem exercer um papel de capelania, porque eles automotivam-se e partem para o trabalho. É mais uma questão de estar com eles, tomar café, estar nas suas piadas.

Quando está com eles é apenas mais um bombeiro, ou há diferença desde que foi ordenado?
É óbvio que há uma diferença de comportamento. É notório neles. Eu também estou ali, sou mais um bombeiro mas sou um bombeiro que eles respeitam de forma especial, têm mais atenção quando digo alguma coisa, quando toco mais no essencial destas questões, a nível sentimental, e há alguns que também vêm pedir mais conselhos, relacionados com religião. Dúvidas que têm sobre este Deus que na lógica da Igreja é benigno, misericordioso, mas eles não percebem, se este Deus é bom, se é justo, então porque é que há tantos criminosos por aí e há bombeiros que morrem em teatros de operações. Uma pessoa vai tentando dar-lhes o ponto de vista de que Deus criou-nos livres…

Esse parece-me precisamente o tipo de papel que um capelão pode desempenhar. O comandante dos bombeiros de Albufeira dizia-me que acha que faz falta uma capelania dos bombeiros. Se existisse, faria sentido ser ao nível da capelania das forças armadas, ou seria por diocese?
Eu acho que era essencial haver uma capelania a nível distrital. Poderia haver um bispo para tomar conta dos bombeiros. Se formos a ver ultimamente há muito mais baixas ao nível dos bombeiros do que ao nível dos militares, mesmo que eles tenham estado em missões de paz no Iraque, no Kosovo, no Afeganistão, felizmente não há relatos de vítimas recentemente, mas com os bombeiros todos os anos há vidas ceifadas.

Por isso acho que devia haver a preocupação de se criarem capelanias, não peço que haja um bispo, mas pelo menos alguém que, a nível distrital, dissesse que estão com os bombeiros, para que eles não se sintam abandonados.

Como é que os seus paroquianos reagem? Manifestam preocupação quando sai em missão?
Sim, manifestam. Este ano houve vários incêndios na minha terra natal, de Penedono, e houve alturas em que fui ajudar nos incêndios e por isso cheguei um bocado atrasado às missas, e as pessoas viam, porque tomava banho à pressa, mas chegava ainda a cheirar a fumo, e o carro a cheirar a fumo, e as pessoas sentem uma certa preocupação, dizem que era escusado, que não vale a pena. Elas não entendem este bichinho que morde cá dentro. Mas acima de tudo também encorajam.

Há umas que mesmo por esta questão de dizerem que não vale a pena, acho que também sentem carinho por mim, e fazem-me sentir que sou essencial para elas.

O seu bispo como reagiu quando lhe disse que queria continuar a ser bombeiro?
O meu bispo chegou agora a Lamego, já eu tinha sido ordenado padre e reagiu com alguma surpresa, mas não colocou entraves nenhuns, pelo contrário, apoiou-me na minha decisão.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Coligação Anti-eutanásia e fé encaixada


Também se preocupa certamente com o Iraque, onde hoje foram mortos nove peregrinos xiitas.


Mas há outras batalhas a combater. Na Bélgica formou-se uma coligação inter-religiosa para combater a disseminação da Eutanásia, sobretudo a sua aplicação a crianças e deficientes mentais.

Está em Braga e tem vergonha de falar da sua fé? Saia da caixa!

Hoje publicamos mais um artigo do The Catholic Thing em português. Randall Smith tem uma preocupação com o Papa Francisco: “Cada vez mais, Francisco está a tornar-se a mensagem. E se eu compreendo bem este Papa, penso que ele acharia isso não só estranho como até intolerável.”

Termino com um desafio que também pode servir para presente de Natal. Na sexta-feira será lançado o livro “Vem Conhecer o Papa Francisco”. Uma obra para crianças, escrita por Luís Seabra Duque. É às 19h30 na Igreja da Encarnação, no Chiado, e Aura Miguel faz a apresentação. Apareçam!

Francisco: O Homem e a Mensagem

Randall Smith
Gosto mesmo muito do Papa Francisco. Claro que sou suspeito. Gosto dele principalmente não por ser “diferente” ou “humilde”, ou qualquer das outras coisas que a imprensa diz sobre ele. Não, eu gosto dele porque me parece um bocadinho despistado. Fala com pessoas com quem supostamente não devia falar e diz coisas que ninguém espera, em vez das coisas que “devia dizer”. O seu desejo de estar próximo das pessoas explode nele de tal forma que às vezes preocupa-se, depois, com a possibilidade de ter sido mal compreendido. Se tivesse um euro por cada vez que isso me acontece... Por isso, dada a minha personalidade, eu gosto desse tipo de pessoa.

Também gosto de São Pedro, em grande parte porque me parece tão deliciosamente despistado. Quando o Cristo Ressuscitado aparece a Pedro e aos apóstolos na margem, enquanto pescam, Pedro fica tão entusiasmado que veste a túnica e atira-se à água para nadar até terra. Esperaríamos que ele tirasse a túnica antes de mergulhar, mas não. E, claro, vemo-lo muitas vezes a dizer as coisas erradas (levando ao famoso “Vá de retro, Satanás”); no momento crítico chega mesmo a negar conhecer Cristo. E porém, é ele a Rocha sobre a qual Cristo construiu a sua Igreja. Esse tipo de “despistanço” dá-me esperança.

Eu nunca poderia ser eleito para um cargo público, porque qualquer dos meus alunos poderia dar à imprensa uma mão cheia de coisas que disse nas aulas e que me afundariam no mesmo instante. Cedo decidi que me queria divertir nas aulas, mesmo que fosse o único a fazê-lo. Obrigo os meus alunos a pensar mais a fundo, fazendo comentários contraditórios ou perguntas penetrantes – tudo coisas que, se citadas fora de contexto, certamente poderiam ser entendidas da maneira errada. É por isso que gosto tanto de pessoas como o Papa Francisco e São Pedro, enquanto outros os acham preocupantes. Gosto das suas personalidades.

Mas esta minha preferência deve ser injusta para com outras personalidades de que Deus faz uso com igual eficácia. O Apóstolo Tomé, por exemplo, sempre me pareceu um chato. Imaginem dizer aos vossos amigos mais próximos – junto de quem nos esforçámos e com quem sofremos – que não acreditaremos neles enquanto não virmos com os nossos próprios olhos. Parvo.

E Tiago e João: A lata! “Queremo-nos sentar um à direita e outro à esquerda quando entrares no teu reino!” Eu odeio manteigueiros e alpinistas sociais. Mas lá está, Deus faz uso de tudo. Temos isso a aprender com os apóstolos, mesmo que não aprendamos mais nada. Alguns são graves e taciturnos, outros loquazes e apaixonantes. Daí que tenhamos um São Pedro e um São Paulo. Um pescador e um académico, tal como nos nossos dias tivemos um Papa Francisco e um Papa Bento XVI. Seja como for, a nossa fé não está ancorada nos seres humanos que Deus escolheu. Esses são os vasos de barro. A nossa fé está na promessa que Cristo fez de estar com a Sua Igreja até ao fim dos tempos, e de mandar o Seu Espírito Santo para a proteger.

E porém, apesar de gostar muito do Papa Francisco, também dou por mim preocupado. Não por causa das coisas que diz, ou por causa das conferências de imprensa que se calhar não devia dar. Como já admiti, isso são as coisas dele de que eu tanto gosto. E não me preocupa muito que as suas palavras sejam mal interpretadas. Quando é que a imprensa interpretou bem as palavras de um Papa? E quem é o idiota que confia no New York Times para ter acesso a informação rigorosa e honesta sobre a Igreja?

Jesus afastado das multidões
Não, a minha preocupação actual sobre o Papa Francisco seria certamente a sua também, caso desse conta do problema. A minha preocupação é que, cada vez mais, Francisco está a tornar-se a mensagem. E se eu compreendo bem este Papa, penso que ele acharia isso não só estranho como até intolerável.

Francisco parece-me ser um homem que, acima de tudo, quer “pregar a Cristo”, que quer apontar além de si, para o Pai, tal como Cristo fez. Quando questionado pelo jovem rico sobre o que fazer para ter a vida eterna, Jesus respondeu: “Porque me perguntas a mim? Só um é bom, o Pai que está no céu”. Na verdade, Cristo tentou, de todas as formas imagináveis, evitar que surgisse à volta dele um “culto de personalidade”.

Frequentemente Ele deixava as multidões frustradas enquanto ia para o deserto sozinho. E depois temos as admoestações que Jesus dá aos que beneficiaram dos seus milagres, para não contarem nada a ninguém. Um dos piores momentos de Jesus no Evangelho de São João é depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, quando as multidões começam a aclamá-lo “rei”. Foge o mais rapidamente possível. Aliás, a viagem para o Calvário começa depois disso.

O Papa Francisco não é propriamente um especialista em lidar com os media. O problema com um homem verdadeiramente humilde que não se preocupa com a comunicação social é que pode não se dar conta de como a sua personalidade e o seu estilo começaram a dominar a mensagem. Ele tem-se tornado “a história”. Houve uma situação parecida com o Papa João Paulo II, logo no início. Mas depois ele escreveu “Redemptor Homini” e “Familiaris Consortio”, e defendeu o “Humanae Vitae” com a “Teologia do Corpo” e aí as coisas começaram a mudar.

O Papa Francisco tem conseguido evitar que a cúria o coloque num trono de ouro. Também não quero que os media o coloquem noutro. Esse tipo de “trono” não passa de uma prisão.

A multidão proclamou Cristo “rei” quando pensavam que o conseguiam controlar – quando achavam que Ele lhes daria pão e vitórias políticas sobre os seus inimigos. Quando perceberam que o Reino que ele trazia envolvia mais do que apenas apoiar ao longe, crucificaram-no.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez no Domingo, 6 de Novembro 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um ano de guerras sinodais

Aviso… Vai ser um ano disto! As diferentes facções da cúria romana e da Igreja a nível mundial, vão colocando as peças na mesa de jogo a tempo do sínodo para a Família em Outubro de 2014.

Hoje o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé censurou uma diocese alemã que, há um mês, tinha publicado um documento que permite que os casais divorciados e em segundas uniões acedam aos sacramentos.


Os bispos americanos têm um novo presidente. O Cardeal Dolan deixa assim essa sua função, que cumpriu de forma exemplar. Mas não o fez sem antes exercitar o seu característico sentido de humor…

Na Síria, ao que parece, o Exército Livre começou a lutar contra uma outra facção rebelde, de pendor islamita. Já não era sem tempo, dizem alguns cristãos da oposição…


Se bem se lembram, a semana passada publiquei uma reportagem sobre os 450 anos do Concílio de Trento. Hoje publico no blogue as transcrições integrais das entrevistas ao D. Nuno Brás e ao pastor baptista Tiago Cavaco.

Partilhar